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Omissões
e Galdino
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Christiano Sousa Granja
Guará
Está na hora de assumirmos nossa parcela de culpa na morte do índio pataxó. Quem cometeu o crime não foram os filhos da classe média, foram os filhos da omissão, do descaso e da indiferença. Que os acusados — réus confessos, presos desde o dia seguinte ao crime — devem ser punidos, isso é óbvio! Até os próprios já declararam que devem ser punidos pelo crime que cometeram: com justiça.
O mundo sempre esteve, e sempre estará olhando para o Brasil, no que tange à causa indígena, dentre tantas outras. No entanto, que resposta positiva temos dado para o mundo? E o que a senadora quis dizer com ‘‘resposta positiva’’, em se tratando do caso Galdino? Pena máxima? Exílio do convívio social?
Fica no ar a pergunta: que pena merece um homem que, à frente de uma nação e, enquanto representante máximo desta mesma nação, dá as costas para aqueles que são os legítimos donos da terra? Que pena merece esse senhor que legisla no território brasileiro, mas tão pouco valor dá aos índios? O que fazem os três poderes para preservar e fazer respeitar as demarcações das terras indígenas?
Vale lembrar que, à época do incidente que fanou a vida do índio Galdino, já se encontrava no Planalto o mesmo senhor que, agora, preconiza cadeia para quem cometeu o crime, a despeito do pretexto que alegam. Ora, o que fazia um índio, de madrugada, deitado no banco de um ponto de ônibus? Selva tem ônibus, senhor presidente? Não. Mas índio também não tem selva. Índio não tem selva, tão pouco terra na selva, tão pouco seus direitos preservados e respeitados... Omissão, descaso, indiferença? Isso não é aceitável!
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Caso
Galdino
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Luciano Lima
Guará
Tenho absoluta certeza de que os jovens que atearam fogo no índio Galdino não são assassinos perigosos. Mas é preciso que se dê um basta à impunidade. É preciso impor limites aos ‘‘filhinhos de papai’’ que se acham imunes à Justiça. A juventude vive, hoje, a pior crise conjuntural, social e ética de toda a história. Muitos são alienados, escravos do modismo e papagaios ou pseudo-intelectuais de revistas de fofoca e televisão. Alguns pobres de espírito preferem criar cães para rinha, brigar em boates ou fazer pegas nas ruas de Brasília. É preciso que o caso Galdino tenha uma punição exemplar ara que outros jovens possam refletir melhor sobre suas atitudes.
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Galdino,
um índio
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Porfírio Magalhães
Ceilândia
Quando os dias se arrebentavam sobre as noites; / Quando você me pedia para parar, / Eu queria gritar — NÃO! / Quando os monstros gritavam solenemente sobre o convés do navio, / E os chicotes bradavam seus gritos, eu morria em Paris.../ Cheio de esperanças o índio me dizia: /— Estou queimando no centro de Andrômeda, quero viver, dormir na parada, /Sentir o ar da noite... /Quando os assassinos cismaram, compraram o veneno de seus cérebros. /Quando os cérebros de ocas mentes falaram, /Quando o ensopado cobertor queimou /Despertei de minha cama — em Brasília. /Paris estava longe, havia queimaduras... /Quando o navio chegou ao porto, peguei minha fantasia e cantei um hino... /O chicote grita nas minhas costas, /O navio zarpa para nenhum lugar. /O sonho se embrutece, fenece, é óbito. /Minhas ondas, nossas ondas cerebrais sobre o nada; /É tudo muito estranho sobre o convés, /No galeão- BRASIL.
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O hino
em tupi
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Joubert Di Mauro
Brasília
Eis o Hino Nacional Brasileiro em tupi: Nheengarissaua Retamauara/ Embeyba Ypiranga sui, pituua,/ Ocendu kirimbaua sacemossu/ Cuaracy picirungara, cendyua,/ Retama yuakaupé, berabussu./ Cepy qua iauessaua sui ramé,/ Itayiuá irumo, iraporepy,/ Mumutara sáua, ne pyá upé,/ I manossaua oiko iané cepy./ Iassalssu ndê,/ Oh moeteréua/ Auê, Auê!
Brasil ker pi upé, cuaracyaua,/ Caissu iisaarussaua sui ouié,/ Marecê, ne yuakaupé, poranga./ Ocenipuca Curussa iepé!/ Turussu reikô, ara rupi, teen,/ Ndê poranga, i santaua, ticikyié/ Ndê cury qua mbaé-ussu omeen./ Yby moetéua,/ Ndê remundu,/ Reikô Brasil,/ Ndê, iyaissu!
Mira qua yuy sui sy catu,/ Ndê, ixaissu, Brasil!/ Ienotyua catu pupé reicô,/ Memê, parateapu, quá ara upé,/ Ndê recendy, potyr America sui./ I Cuaracy omucendy iané !/ Inti orecó purangaua pyré/ Ndê nhu soryssara omeen potyra pyré,/ Cicué pyré orecó iané caaussúî./ Iané cicué, ìndê pyá upé, saissu pyréî./ Iassalsu ndê,/ Oh moetéua/ Auê, Auê!
Brasil, ndê pana iacy-tatá-uara/ Toicô rangaua qua caissu retê,/ I qua-pana iakyra-tauá tonhee/ Cuire catuama, ieorobiára kuecê./ Supi tacape repuama remé/ Ne mira apgaua omaramunhã,/ Iamoetê ndê, inti iacekyé./ Yby moetéua,/ Ndê remundu,/ Reicô Brasil,/ Ndê, iyaissu !/ Mira qua yuy sui sy catu,/ Ndê, ixaissu,/ Brasil!
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Cenas de
covardia
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Leonisio José David Ribeiro
Valparaíso (GO)
Cena 1 (propaganda do governo contra as drogas): a mãe flagra o filho furtando aparelho de som de um carro. Surpresa! Em vez de ralhar e exigir explicações, reclama que o filho (desobedecendo-a novamente) está sem agasalho; cena 2: 4 jovens passeando de carro, vêem uma pessoa dormindo num ponto de ônibus e, sinistramente, entre risos malvados, compram 2 litros de álcool e ateam fogo naquele ser humano (por acaso um índio); cena 3: o índio desesperado grita por socorro. Covardemente, os jovens fogem. Outras pessoas tentam desesperadamente extinguir o fogo que devora rapidamente o corpo do pobre coitado; cena 4: alguém os persegue e consegue anotar a placa do automóvel; cena 5: pela placa, soldados PM localizam e prendem os rapazes. Eles alegam que queriam apenas se divertir, não esperavam que o fim fosse tão trágico; cena 6: dois dias após, no hospital, com 95% do corpo queimado e dores terríveis, o índio não resiste e morre. Caramba! Queimar um ser humano por brincadeira! Que educação tiveram esses filhos? Se não fosse aquele bendito filho de deus segui-los e anotar a placa do carro, será que se entregariam? Será que ficariam, covardemente, calados? O mais lamentável é que, como aqueles rapazes, há muitos outros propensos incendiadores de seres humanos por aí.
Aliás, esse não foi o primeiro caso e nem será o último. Em São Paulo, por exemplo, houve um tempo em que muitos mendigos foram queimados da mesma forma, ou seja, enquanto dormiam. Agora, no julgamento dos rapazes, urge que a Justiça, em que pesem as circunstâncias atenuantes (primariedade, boa índole, emprego, arrependimento etc.), lhes impute uma pena exemplar para que essa atrocidade (e outras parecidas) sejam banidas da nossa sociedade.
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Passeio verde
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Foto do leitor Amaro Júnior, do Guará
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