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Brasília, domingo, 11 de novembro de 2001
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Comércio Internacional China ganha passaporte para OMC
Adesão dos chineses às regras globais abre mercado de 1,2 bilhão de consumidores e fortalece a troca de mercadorias e serviços no mundo. Países pobres insistem na redução das barreiras aos produtos agrícolas
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Das agência France Presse e Reuters
Depois de 15 anos de negociações, a China entrou para o clube da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas o país só receberá o título oficial em dezembro, depois que o acordo for aprovado pelo parlamento chinês. A cerimônia de adesão da China ocorreu ontem, durante a 4ª reunião ministerial da organização, que começou na sexta-feira em Doha, capital do Catar, e termina na terça-feira. A entrada do novo parceiro vai abrir um mercado de 1,2 bilhão de consumidores para os outros 142 países sócios da OMC. Em contrapartida, facilitará a venda de produtos chineses nos mercados mundiais. Conforme o diretor-geral da organização, Mike Moore, a participação chinesa fortalecerá o comércio global.
As possibilidades de aumentar as exportações, no entanto, não diminuíram o descontentamento dos países em desenvolvimento com a reunião do Catar. Os representantes dos mercados emergentes decidiram que só irão discutir novas regras para o comércio mundial depois de verem atendidas os pedidos que já fizeram. As nações em desenvolvimento afirmam que não receberam todos os benefícios esperados da abertura comercial. Também querem mais tempo para implementar compromissos passados, como os relativos à propriedade intelectual. Além disso, temem o impacto de uma maior abertura à competição e aos investimentos estrangeiros. O grupo recebeu total apoio do ministro de Comércio da Índia, Murasoli Maran.
O Brasil também mandou o seu recado. Em discurso aos representantes dos 142 países membros da OMC, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, disse que o Brasil é a favor de se lançar uma nova rodada de negociações. Mas destacou que o principal ponto desses acertos deve ser a implementação dos acordos obtidos na Rodada Uruguai (1986-1994). Os sócios estão reunidos com o objetivo de estabelecer compromissos para a derrubada das barreiras ao comércio internacional.
A agricultura é tema fundamental para o Brasil. Segundo Lafer, é no segmento agrícola que se encontram os exemplos mais flagrantes dos desequilíbrios no comércio internacional. Ele lembrou que o período estabelecido pela Rodada Uruguai para reformar o setor terminou há quase um ano. ‘‘Porém, nada mudou. E se tivesse mudado, provavelmente seria para pior.’’ A média das tarifas no comércio agrícola é superior a 50%, contra menos de 5% no setor industrial. Os subsídios dos países ricos aos agricultores locais somam quase US$ 1 bilhão por dia, conforme cálculos do Banco Mundial.
Os países emergentes têm, até certo ponto, a ajuda dos Estados Unidos no discurso contra o uso de subsídios agrícolas. Juntos, enfrentam a relutância da União Européia (UE). O bloco europeu aceita reduzir gradualmente as barreiras, mas rejeita qualquer compromisso com a eliminação da ajuda financeira às exportações. Lafer também exigiu a revisão do acordo antidumping. Segundo o ministro, esse argumento é usado com freqüência para proteger setores ineficientes da economia nos diversos países do mundo.
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