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Brasília, domingo,
11 de novembro de 2001
Crônica da Cidade
As sete maravilhas de Brasília

Cartas para o cronista podem ser enviadas para SIG, Quadra 2, Lote 340, CEP 70.610-901.
Por Rogério Menezes
rogerio@correioweb.com.br


Escolher as sete maravilhas de algum lugar é exercício kitsch tão antigo quanto o mundo. Sisudos e niilistas poderão alegar: listas assim não servem para nada. E, reflexo direto da úlcera no duodeno que cultuam com fervor, resmungarão: — Não existe maravilha nenhuma, em lugar nenhum.
  Ok, admito, anda difícil enxergar beleza sob a pátina apocalíptica que paira sobre o planeta. Mas tudo é questão de ponto de vista, de disponibilidade: sabendo olhar, não vai faltar.
  Sugiro, como medida saudavelmente profilática: olhemos com mais carinho o mundo ao redor. Talvez assim adiemos aquela úlcera que um dia poderá infernizar nossos duodenos.
  Com tal intenção, consultei colegas-de-redação sobre as sete maravilhas de Brasília. Um deles, sisudo e niilista, resmungou: — E há alguma por aqui?
  Outros, mais otimistas, em reunião informal com os meus botões, confirmaram: há muitas maravilhas em Brasília, sim. Vamos a elas:
  Em primeiríssimo lugar, em todas as listas, o céu. Cantado em prosa e verso, é apontado como a praia de Brasília.
  Nascido em estado cercado de praias paradisíacas, atesto e dou fé: o céu de Brasília é tão bonito quanto, por exemplo, Arembepe, Trancoso e Caraívas.
  Tenho dúvidas quanto ao segundo lugar. Parte de mim sugere: Parque da Cidade. Outro contrapropõe: a primeira chuva depois da seca.
  Inimigo número um da seca de Brasília, sou obrigado a optar pela primeira-chuva-depois-dela. O Parque da Cidade, nosso jardim-do-éden, merece honrosíssima terceira colocação: é lugar transcendental, ainda que vez em quando alguém teime em matar alguém por lá. Passar pelo local no início da manhã ou no final da tarde é prova cabal da existência de Deus — ou de quem de direito.
  O Paranoá, companheiro de longas jornadas, a primeira visão deste cronista ao acordar, é a quarta maravilha de Brasília. Faço minhas as palavras da repórter Nahima Maciel: — O lago, em finais de tarde de agosto, é inesquecível.
  A Barragem do Paranoá fica a vinte minutos do centro de Brasília, mas a vista que de lá se descortina vale o ingresso. É a sexta maravilha de Brasília.
  Dividido entre os vitrais da Igreja Dom Bosco trespassados pela luz do sol, a Catedral de Brasília, a torta-brownie do Marvin e o caldo de cana caiana vendido nas manhãs de domingo às margens no Eixão Norte, escolho uma outra alternativa para eleger a sétima maravilha de Brasília: o Jardim Botânico.
  Faça também, caro leitor, suas listas de sete-maravilhas-de-Brasília. Pode não ter nenhuma aplicabilidade, mas talvez nos ajude a desviar o olhar dos nossos umbigos.


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