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Brasília, domingo, 11 de novembro de 2001
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| Educação |
GREVE Planos desfeitos
Sem previsão de término, a paralisação das universidades federais atrapalha a vida dos alunos, que haviam programado viajar ou trabalhar depois das aulas. Vestibulandos também se sentem prejudicados com a indefinição das datas para as provas
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| Nehil Hamilton |
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| Com o adiamento do PAS, Guilherme Rodrigues não sabe se sua viagem para a Austrália dará certo |
Da Redação
Depois de mais de 80 dias sem aulas, os estudantes das universidades federais em greve contam os prejuízos. Enquanto Ministério da Educação (MEC) e professores não chegam a um consenso, os alunos tentam se acostumar com a idéia de não ter férias, adiar o tão sonhado intercâmbio ou deixar a formatura para depois. Pelo menos 400 mil pessoas fazem algum curso de graduação em uma das 52 universidades paradas desde 22 de agosto. Só na Universidade de Brasília (UnB), são cerca de 20 mil alunos.
Esses estudantes estão desanimados. Não podem planejar nada sem a definição do novo calendário letivo. Aluno de Artes Cênicas, Edson Cardoso Bezerra Júnior, 23 anos, terá de adiar sua viagem a São Paulo para visitar o pai. Esse ainda é um dos menores problemas. ‘‘O pior é que as aulas vão coincidir com o período em que eu estaria trabalhando. Não posso ficar sem trabalhar porque tenho que ajudar em casa’’, lamenta Edson, que mora em Taguatinga com a mãe e um irmão.
Para ele, o jeito será trancar o semestre e atrasar ainda mais a conclusão do curso. Edson também se preocupa com as disciplinas que deixará de cursar. Segundo ele, muitas matérias não são oferecidas todo semestre ou podem mudar de horário. ‘‘Tenho medo do efeito dominó. Não conseguir uma matéria que seja pré-requisito de outra e ser obrigado a ficar mais tempo na UnB’’, queixa-se.
Decepcionado também está o aluno de Administração Luiz Henrique da Silva Marciano, 22 anos. Ele contava com o período de verão (uma espécie de intensivo durante as férias) para conseguir se formar em julho de 2002. Com a greve, a reposição do semestre provavelmente impedirá a abertura dos cursos de verão. ‘‘Sem fazer essas disciplinas do período especial, na melhor das hipóteses, vou conseguir concluir o curso em dezembro do próximo ano’’, diz o estudante. Além de adiar os planos da formatura, Luiz Henrique sequer pode relaxar enquanto a universidade está parada. Um de seus professores furou a greve. ‘‘O pior é que, no período de reposição, também terei de estudar’’, afirma. Segundo o vice-reitor da UnB Timothy Mulholland, as férias dos estudantes já estão totalmente comprometidas — se as aulas começassem amanhã, por exemplo, o semestre só terminaria no dia 17 de março de 2002.
Escolha
Nem os recentes ataques terroristas nem a greve na UnB fizeram a estudante Ticiana Nascimento Egg, 22 anos, desistir dos seus planos de viajar para os Estados Unidos em dezembro. A viagem, planejada desde janeiro, é uma oportunidade de conhecer outro país e de aprimorar o inglês. ‘‘Acredito que a experiência de passar um tempo no exterior vale o esforço de perder um semestre’’, afirma a aluna de Ciência Política. A escolha de Ticiana — que não seria necessária caso tivesse aulas no tempo certo — fará com que ela se forme pelo menos um semestre depois do previsto. ‘‘Sei que a greve vai acabar me prejudicando mas apóio o movimento dos professores’’, defende.
Não são apenas os universitários que estão preocupados com a greve. Os vestibulandos, ansiosos à espera da prova, agora têm de torcer para os vestibulares não serem cancelados. Os processos seletivos de quase 20 instituições foram adiados e condicionados à volta dos professores ao trabalho. Na UnB as provas do vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (PAS) foram suspensas na última quinta-feira. A decisão, tomada pelo Conselho Universitário (Consuni), foi unânime. Em Brasília, pelo menos 70 mil estudantes iriam prestar as provas dos concursos.
O aluno do 2º ano do ensino médio Guilherme Rodrigues, 17 anos, está angustiado com a suspensão das provas do PAS. O estudante, que concorre a uma vaga no curso de Engenharia Civil, prestaria os exames nos dias 8 e 9 de dezembro. Um dia depois, voaria até Sydney, na Austrália, para passar as férias com um primo e estudar inglês. Com a passagem já reservada, o morador do Lago Norte está apreensivo. ‘‘Gostaria que as datas dos exames fossem acertadas para que eu pudesse ver se dará tempo ou não de viajar’’, diz Guilherme.
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