|
|
|
 |
|
Brasília, terça-feira, 29 de janeiro de 2002
|   |
 |
 |
|
| e-Tudo |
Ferramenta de trabalho
Pesquisas mostram que a maioria dos brasilienses ligados em informática usam o computador em casa para fins profissionais e não sabe a quem recorrer quando o PC apresenta problemas
|
Tatiane Freire
Da equipe do Correio
| Sergio Amaral |
|
|
| Na casa do publicitário Apoena Pinheiro há dois computadores, para uso pessoal e profissional |
Mais do que lazer, ter um computador em casa, para o brasiliense, é uma necessidade. Capital com o maior percentual de PCs por habitante (30%), em Brasília grande parte das pessoas investem no computador pensando mesmo na vida profissional. Segundo pesquisa feita pelo consultor doméstico Luiz Henrique Quemel, 44% dos brasilienses têm um PC em casa para fins profissionais. Os jogos ficam em segundo lugar entre os usos mais freqüentes, com 20%. Apenas 14% das pessoas dizem que usam o PC apenas para fazer trabalhos da escola ou faculdade.
São famílias como a do publicitário Apoena Pinheiro, de 23 anos. Morador da Asa Norte, ele comprou o primeiro micro em 1996. Um Pentium 100 MHz que usou durante três anos e que não teve muitas mudanças na configuração, a não ser por alguns upgrades de memória. Apoena usa o PC constantemente, não só para acessar a Internet, baixar músicas e arquivar textos, como também para lidar com programas gráficos pesados usados na Publicidade. Com o tempo, o PC já não atendia mais às suas necessidades. Passou então o micro para a irmã, oito anos mais nova, e comprou um AMD K6 300 MHz.
A família de Apoena se enquadra também em outra constatação da pesquisa: a de que muitas casas no Distrito Federal, de classe média e alta, têm mais de um computador. Na residência do publicitário, além do PC que ele mesmo usa, há um outro, do padrasto. Produtor teatral, o padrasto de Apoena faz grande parte de seu trabalho em casa, formulando projetos de peças, pesquisando informações na Internet ou fazendo orçamentos. ‘‘Sempre que estou em casa eu uso o computador. Quando a pessoa não utiliza o micro para fins profissionais, apenas um PC atende perfeitamente, caso contrário, fica difícil porque o tempo de uso fica disputado’’, diz Apoena.
A pesquisa de Quemel, com o perfil do usuário doméstico no Distrito Federal, foi feita a partir de questionários publicados no site Consultoria Doméstica (www.consultoriadomestica.com.br). Ao todo, foram respondidos mil questionários ao longo de três meses, e tabuladas as respostas de 482 usuários, de diferentes níveis de escolaridade e renda. Nos questionários, os internautas respondiam a 12 perguntas de múltipla escolha.
Além dos levantamento no site, Quemel fez ainda uma compilação de dados publicados sobre o mercado de informática do Distrito Federal em revistas, jornais e institutos. A coleta de dados mostra a importância do DF para o mercado de informática nacional, como terceiro pólo produtor e segundo pólo consumidor. ‘‘Por ser composta de funcionários públicos federais, diplomatas, militares e executivos dos grandes conglomerados multinacionais, a cidade tem um poder aquisitivo de grande potencial’’, conclui Quemel na pesquisa.
De acordo com o estudo, 600 mil pessoas no Distrito Federal têm computador em casa, sendo 120 mil no Plano Piloto, o que corresponde a 20% dos domicílios. Cerca de 498 mil — segundo dados do IBGE, IDC, Brasil Telecom e Fundação Getúlio Vargas — têm acesso à Internet.
Outro ponto interessante da pesquisa é a falta de confiança dos usuários nos suportes técnicos. Desconfiado, o brasiliense raramente sabe onde buscar socorro e, quando precisa de ajuda, acaba recorrendo a amigos e parentes que têm bom conhecimento de informática. ‘‘Geralmente os suportes deixam a desejar, é difícil descobrir no mercado qual empresa é de confiança’’, diz Joadson Gonçalves, de 22 anos. ‘‘Eu costumo achar essas pessoas de suporte um tanto picaretas, é gente que entende um pouco de informática se vendendo como técnico’’, afirma Apoena Pinheiro, que prefere, na medida do possível, resolver ele mesmo os problemas de seu computador.
|
Quem compra, por que e como usa
Profissionais autônomos são os grandes consumidores de computador. O motivo: escritório em casa. A utilização: trabalho
|
Da Redação
| Jefferson Rudy |
|
|
| O ex-ministro Alexis Stepanenko só recorre à ajuda de pessoas conhecidas na hora de reparar o micro |
A pesquisa de Luiz Henrique Quemel abordou um aspecto muito importante do perfil do usuário, especialmente para empresas do ramo. Nosso colunista descobriu que quem compra computadores são, na maioria, profissionais autônomos, especialmente jornalistas, advogados, arquitetos e engenheiros, com 48% do total. Em segundo estão os estudantes, com 30%.
Uma categoria denominada ‘‘aposentados’’ ficou em terceiro, com 12%. Na verdade, ela inclui profissionais que não têm mais vínculo empregatício com empresas, mas continuam trabalhando em sua área devido à praticidade do computador. Completando o ranking, estão os executivos, com 10%, e a as donas-de-casa, com 3%.
O ex-ministro do Planejamento Alexis Stepanenko é um dos usuários que desfrutam da comodidade do micro para trabalhar praticamente sem sair de casa. Ele presta consultoria na área de planejamento, minas e energia, e raramente precisa abandonar o conforto do lar. Só sai para se reunir com os clientes. ‘‘Tenho acesso à Internet em banda larga, fax, duas linhas telefônicas, notebook, posso ter tudo aqui’’, conta. Quando precisa consultar um dado sobre a Turquia — utilizando o exemplo do próprio ex-ministro —, ele acessa o CD-ROM de alguma das enciclopédias que tem e resolve o problema. ‘‘Não uso mais gravata, nem paletó’’, comemora.
Além de se encaixar nessa parte do perfil revelado pela pesquisa de Quemel, Alexis faz parte de outra: os usuários desconfiados com pessoas estranhas. Quando precisa de auxílio técnico, recorre a profissionais que conhece há anos e que já trabalharam com ele. ‘‘Pegar no jornal ou na rua, não dá. Nem nas lojas’’. Além disso, só usa softwares originais. ‘‘Não compro nenhum componente de micro que não seja de marca conhecida’’, conclui.
Seguindo adiante na pesquisa, Quemel divide os motivos de compra dos usuários em três categorias. Primeira: escritório em casa (é o caso de Alexis, por exemplo), com 49% do total. Segunda: uso de Internet, com 41%. Em terceiro, vêm educação e lazer juntos, emplacando 15%. ‘‘O computador caseiro deixou de ser mera ferramenta de diversão e entretenimento para alcançar a posição de um instrumento de produtividade doméstica’’, aponta Quemel no estudo.
A maneira como o micro é utilizado segue o caminho das outras categorias — o uso profissional fica com 44%. Em seguida, vêm os jogos, com 20%, superando os 14% do uso acadêmico. O aprendizado pela Internet (e-learning) ficou com 10%. Os serviços de banco (8%) e comércio eletrônico (4%) foram os últimos ‘‘por causa da segurança, mas o que ficou visível é que o problema é mais cultural’’, conclui o consultor em informática.
Na casa do funcionário público Jorge Pereira, a utilização do micro é bastante variada. O próprio Jorge usa um software de controle de pecuária e realiza serviços bancários. A esposa prefere fazer pesquisas acadêmicas na Internet. Já o filho, estudante, gosta muito dos jogos. Jorge também conta que trocou recentemente o computador, há cerca de vinte dias. ‘‘Comprei um Pentium III de 1.1 GHz’’.
Outro aspecto analisado na pesquisa foi a intenção de compra dos consumidores de informática. Quemel afirma que o investimento médio para os próximos 12 meses será de US$ 700. Os principais acessórios serão impressora, scanner, gravadora de CD, um segundo HD, câmeras, acesso à Internet em banda larga, um segundo computador e sistemas de rede. Os periféricos adicionais consumirão US$ 200, o segundo micro ficará com US$ 400 e a banda larga, com os US$ 100 restantes.
Um fator importante observado por Quemel durante o estudo é a queda no mercado de Brasília. ‘‘Estamos perdendo terreno em informática, e isso é um dado preocupante’’, afirma. Ele lembra que, de acordo com pesquisa do instituto Simonsen Associados, Brasília foi considerada a sétima melhor cidade do país para se fazer negócios em 2000. Em 1998, era a quarta. Outro dado: a última feira de informática realizada em Brasília aconteceu em 1999. Enquanto isso, cidades como Goiânia ganham visibilidade — o próximo congresso corporativo da Oracle acontecerá lá. E sem passar por aqui.
No Brasil, existem de
9 a 12 milhões
de computadores.
Em Brasília, cerca de
498
mil pessoas têm acesso à Internet.
80%
da classe média e 100% da classe alta têm computador em casa
Fonte: IFPD-IBGE, Brasil Telecom e IDC Brasil-Fundação Getúlio Vargas-Consultoria Doméstica
COMO O BRASILIENSE USA O PC
44%: fins profissionais
20%: jogos
14%: acadêmico
8%: banco eletrônico
10%: ensino a distância
4%: comércio eletrônico
Fonte: Consultoria Doméstica — Luiz Henrique Quemel
|
Monte o seu diário Carnaval sem sair de casa Velocidade astronômica Muita coisa para fazer Games
|