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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Brasília-DF


O PT pode utilizar a fala do governador, reproduzida nos jornais, para mostrar aos eleitores que não mais é um bicho-papão
Por Arlete Salvador
arletes@correioweb.com.br



Político é como peixe

Nos bastidores de uma campanha eleitoral, chama-se ‘‘vacina’’. O PT acaba de ganhar uma, de graça. As declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati, em Nova York, em defesa do PT, diante de uma platéia de investidores estrangeiros, se enquadram nessa categoria.‘‘Vacina’’, no caso, é aquele material de campanha que pode ser utilizado nos programas de televisão do candidato para se prevenir contra eventuais ataques dos adversários.
  O PT pode utilizar a fala do governador, reproduzida nos jornais, para mostrar aos eleitores que não mais é um bicho-papão capaz de assustar empresários e investidores. Tanto é verdade que a afirmação foi feita por um representante de peso do partido adversário. A fala de Tasso pode ser usada se o PT e seu candidato forem acusados de causar instabilidade política e econômica ou até mesmo antes de qualquer acusação.
  Se as declarações de Tasso serão usadas, não se sabe. O desenrolar da campanha vai ditar o tom com que os candidatos se tratarão. Mas, neste momento da campanha, todo cuidado com as palavras é pouco. ‘‘Político é como peixe. Vive e morre pela boca’’, diz o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP). Nos comitês de campanha, grupos de jornalistas estão encarregados de reunir declarações e fotos que possam vir a ser usadas na disputa eleitoral. Tanto podem servir como arma de ataque quanto de defesa.
  As campanhas eleitorais estão cheias de declarações comprometedoras, cobradas mais tarde. Nessa categoria estão a frase de Lula menosprezando a necessidade de incentivar as exportações brasileiras. No plano local, o discurso do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, pedindo vaias a um ‘‘crioulo petista’’. É quase certo que serão instrumento de campanha.
  Quando Tasso pôs em dúvida a viabilidade da candidatura do ministro José Serra à Presidência da República e defendeu o PT, atuou em duas frentes. Revelou que o nome de Serra não é tão unânime assim no PSDB, justamente no dia em que o partido tentava dar mais uma demonstração de unidade com uma reunião de todos os representantes regionais em Brasília. Com aliados assim, o PSDB não precisa de adversários.

ADVOGADO DO DIABO

Vacina tucana: o Tasso Jereissati do PT é o senador Eduardo Suplicy (SP), que insiste em disputar a candidatura a presidente com Lula, retirando-lhe o selo de unanimidade. Para desgosto da direção partidária.

IGUAL, NÃO

O PT agradeceu a contribuição do governador do Ceará ao tranqüilizar os banqueiros sobre as conseqüências de uma vitória na eleição deste ano, mas não gostou nada de ver o seu programa de governo comparado ao do PSDB. ‘‘É muito positivo para a democracia que o governador não tenha entrado no jogo do terrorismo econômico’’, diz Mercadante (SP). ‘‘Mas a comparação dos dois programas de governo é um equívoco.’’ Segundo o deputado, Tasso quis aproximar o programa do PSDB ao do PT, porque o tempo do pensamento econômico único está ultrapassado. ‘‘Nós éramos chamados de atrasados, mas mostramos que estávamos certos e nosso discurso ganhou força’’, explica.

DE VOLTA AO COMEÇO

No PMDB, tudo na estaca zero. A entrevista e a nota divulgada pelo senador Pedro Simon (RS), insistindo na realização de prévias entre os pré-candidatos do partido à Presidência, retomaram a discussão da candidatura própria. A ala contra as prévias reagiu na mesma hora. No Rio, o ex-governador Moreira Franco insistiu que o partido só deve ter candidatura própria se houver um nome eleitoralmente viável. Resultado: decisões mesmo, só depois do carnaval.


Esta coluna circula de terça a domingo



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