Sheila Raposo
Da equipe do Correio
| Nehil Hamilton |
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| Mara (e) precisa fazer um exame e Vera (d), uma cirurgia, mas não conseguem porque o plano de saúde está suspenso por falta de pagamento |
Ficar impossibilitado de usar o plano de saúde não é novidade para o servidor cadastrado na Associação de Assistência aos Servidores da Fundação Educacional (Asefe). No início do ano passado, a coluna Grita Geral publicou reportagem sobre o mesmo assunto. A causa do problema era idêntica: atraso do GDF no repasse de consignações.
Sem receber em dia, a Asefe não paga em dia. A reboque vem a suspensão temporária de vários serviços. O principal deles é o plano de saúde Multimed. Impedidos de utilizá-lo — e sem previsão de quando a situação será revertida —, professores novamente buscaram respostas na coluna. ‘‘Preciso fazer uma endoscopia, mas nenhum hospital ou clínica está atendendo pelo plano’’, queixa-se Mara Lúcia Bastos, 46 anos.
Amiga de Mara, Vera Lúcia Oliveira de Vincenzo, 47, também adiou os cuidados com a saúde. Com cisto hemorrágico em um dos ovários, ela deveria ter feito uma cirurgia em dezembro passado. Está de mãos atadas — e não é a primeira vez que o plano lhe falta. ‘‘Em 2000, também precisei fazer uma cirurgia. Já estava internada quando me avisaram que o plano estava cancelado’’, conta.
No contracheque de Vera, são descontados mensalmente mais de R$ 400. Além dela, o filho, a mãe e um irmão utilizam o Multimed. Na casa de Mara Lúcia, o desconto é feito no contracheque do marido, Hermenegildo Bastos, 57 anos, também professor. São descontos de quase R$ 550 mensais. ‘‘Se esse dinheiro sai do nosso bolso todo mês, por que não é usado para o seu fim?’’, questiona Mara. ‘‘Por que o governo segura o dinheiro? Isso é apropriação indébita’’, acusa a professora Vera Lúcia.
A Asefe atribui ao GDF toda a culpa pelo cancelamento dos serviços. É o governo que faz, todos os meses, o desconto nos contracheques dos servidores e depois repassa o dinheiro para associações e sindicatos da educação. Esse desconto não é feito de forma gratuita. Somente da Asefe, o GDF recebe cerca de R$ 30 mil para prestar esse serviço.
No caso dessa associação, o atraso tem implicações mais dramáticas, pois afeta a saúde dos servidores. Com um cadastro de 120 mil pessoas — entre associados e dependentes —, a Asefe é a maior associação de servidores do Centro-Oeste. Por mês, movimenta R$ 6 milhões — só o plano de saúde Multimed movimenta mais de R$ 2 milhões mensais. O restante da receita vem de convênios da associação com 600 estabelecimentos comerciais.
Mais atraso
Na última quinta-feira, a Secretaria de Fazenda depositou na conta da associação o valor referente ao mês de novembro do ano passado — cerca de R$ 2,8 milhões. Falta a folha de dezembro. A de janeiro vence amanhã (quinto dia útil do mês). Caso o repasse não seja totalmente regularizado, serão dois meses de atraso.
A diretoria da Asefe esteve em reunião com o secretário de Fazenda, Valdivino José de Oliveira. O argumento do secretário, segundo Maura Luciane C. de Souza, diretora de Saúde da associação, é o seguinte: a União não passa, para o GDF, a folha integral — referente a pagamentos nas áreas de saúde, educação e segurança. Por causa dos descontos, o valor total que o governo deveria receber vem com rombos. ‘‘Não tem nada a ver com a realidade. Quem faz o desconto no contracheque dos servidores é o GDF, e não a União’’, diz ela.
A Secretaria de Fazenda foi procurada pela reportagem do Correio, mas não se pronunciou sobre o atraso no repasse.
O presidente da Asefe, José Eudes Oliveira Costa, busca alternativas para receber a contribuição do servidor sem depender do GDF para isso. O desconto poderia ser feito diretamente na conta corrente do servidor ou por meio de boletos bancários. Mas reconhece que os dois casos oferecem o mesmo risco. ‘‘Podemos ficar reféns da inadimplência de alguns servidores’’, argumenta.
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