Eugenio Bortolon
Especial para o Correio
| Fotos: Divulgação |
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| Em Cotiporã, a paisagem rural, com casas rústicas e animais acostumados à lida, garante ao turista um perfeito refúgio natural. Abaixo, a Cascata dos Marin é ideal para a prática do canyoning |
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Uma pequena cidade localizada na Serra gaúcha, bem no Nordeste do Rio Grande do Sul, no alto de escarpas de 800 metros, chama a atenção dos turistas que gostam de aventuras, esportes radicais e emoções pesadas. Cotiporã, que em tupi-guarani quer dizer lugar bonito, é o nome da ‘‘praça’’ e oferece de tudo para quem é louco por esportes na natureza, além de deliciosos vinhos, comida farta e tranqüilidade para se fugir do estresse da vida da cidade grande. Vale a pena pensar nesse lugarzinho perdido pelas grotas riograndenses. Ali, o show é a natureza e tudo o que ela pode oferecer de emoção.
A aventura pode começar já na viagem ao lugarejo. Aqueles que preferem conforto podem optar pelo acesso asfaltado da RS-359, passando pelo município de Veranópolis, percorrendo 150 quilômetros desde a capital gaúcha, Porto Alegre. Mas, se a idéia é radicalizar, o portão de entrada mais usado é a RS-431, via terra do vinho, Bento Gonçalves, onde asfalto e chão batido se misturam, aumentando o percurso em 30 quilômetros. Nos 14 quilômetros finais de chão que levam à cidade há passagens por rios de água doce, imensos parreirais, serras espetaculares e perigos naturais assustadores.
De olho nessa exuberância e nas imensas possibilidades turísticas, o cotiporense Fernando dal Molin — herdeiro de um aconchegante hotel da década de 50 e de uma fazenda onde estão as maiores construções em pedra basalto do RS — resolveu, junto com uma operadora turística, explorar as paisagens locais. O negócio deu certo. As ofertas são imensas, as modalidades de passeio são variadas e o sucesso já é passado adiante por quem andou por lá. Toda a região Sul do país já começa a ouvir falar de Cotiporã. Agora, o objetivo é chegar a todo o Brasil, Mercosul e adjacências.
Os passeios oferecidos vão do ecoturismo às aventuras radicais. Pode-se começar por uma caminhada (trekking) pela mata à procura de cachoeiras ou mesmo de animais em extinção. É um passeio sem muita dificuldade e cheio de curiosidades e que pode ser feito com qualquer idade, não oferecendo riscos aos praticantes. Para quem curte radicalizar, mas não quer muito esforço físico, uma boa alternativa pode ser os passeios em veículo 4x4 por trilhas arrepiantes, onde os pneus parecem flutuar, seja no barro ou mesmo nos seixos dos arroios. Os passeios a cavalo (horsebacking) podem ser feitos na fazenda ou por trilhas demarcadas por antigos cavaleiros, passando por lugares cujo acesso só é possível montado no animal.
Para aqueles que querem fazer a barriga gelar e o coração acelerar, existe a chance de descer uma cachoeira de 80 metros ou então deslizar com uma cadeirinha — a chamada tirolesa — até atingir o poço d’água formado pela cascata Calza, no Arroio Vicente Rosa, local onde existe a maior concentração de lontras da região. As lontras, inclusive, dão o nome a uma trilha bastante procurada pelos turistas. Numa cidade com tantos rios, não poderia faltar o rafting, ou canoagem, a descida em bote inflável pelas corredeiras. O rio Carreiro é o que fica mais perto do hotel, mas também é possível praticar este esporte no Rio das Antas, um poderoso rio gaúcho, muito importante na história da imigração italiana no estado — nas suas margens, ou barrancas, como dizem os gaúchos, é que os colonizadores fincaram raízes quando aqui chegaram no século XIX.
As emoções continuam. É possível também passar dias praticando o cascading (descidas de cachoeiras com cordas) sem enjoar. São tantas as cachoeiras que basta estar disposto a aventurar-se. Já o canyoning, praticado na Cascata dos Marin, exige mais preparo do visitante radical. Durante a descida do Canyon Marin depara-se com vários obstáculos difíceis de serem ultrapassados. Este é um passeio que exige guias experientes e um pouco mais de treino, idade e fôlego por parte de seus praticantes.
Cotiporã também possibilita outros tipos de passeios, bem mais tranqüilos do que todos esses que a gente já falou. Há ótimas trilhas para passeios de jipe por estradas sinuosas, trilhas ecológicas, pesca com anzol nos rios e, evidentemente, dentro de um contexto italiano, muitas visitas a cantinas de vinhos, onde se pode degustar à vontade e até ficar amigo do dono. ‘‘Mas o bom mesmo desta região é que a gente faz o que der na telha. Nossos rios são espetaculares e, em alguns lugares, há piscinas naturais. Basta estar caminhando por ali, sentir vontade e se jogar na água. É um paraíso. As águas são limpas, cheirosas da natureza e rejuvenescedoras’’, garante, animado, Fernando dal Molin.
Cidadezinha
Cotiporã é pequena, não tem mais do que 5 mil habitantes, mas tem estrutura de gente grande para receber turistas. Ótimos restaurantes, um hotel fazenda de qualidade, várias cantinas e bons locais para compras (vinhos, artesanato com jóias em ouro e produtos coloniais). E tem também aquilo que poucos lugares turísticos oferecem, como o calor humano, a segurança, as grandes casas de madeira do tempo da colonização italiana, os porões das casas feitos de pedra cheios de produtos pendurados, as festas populares e uma ótima comida — lá, graças a Deus, os bufês e comidas a quilo não chegaram. O leite sai da vaquinha e vai para a panela para ferver e pronto, já está na xícara para se beber, como acontece no hotel fazenda.
Vindos de Vicenza, no norte da Itália, os ‘‘nonos’’ italianos deixaram na região uma marca forte de tradição, raça, estilo e pioneirismo. Só para dar um exemplo: a ourivesaria, e não a uva ou o vinho, é a maior fonte de renda de Cotiporã. Outro exemplo é o Hotel & Fazenda Dal Molin, que tem uma fazenda onde foi construído o primeiro frigorífico do Brasil.
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