COISAS DA VIDA - Matérias
1° CADERNO
Capa
Índice
Últimas
Opinião
Tema do Dia
Saúde
Cidades
Segurança
Política
Cultura
Economia
Mundo
Educação
Guerra
Esportes
A Foto do Dia
GUIA
Memória do Correio
Grita Geral
Matérias
Divirta-se
Tome Nota
Tevê
COISAS DA VIDA
Almanaque
Matérias
SUPLEMENTOS
Este é Meu!
Lugares
COLUNAS
Brasília-DF
Crônica da Cidade
Dicas de Português
Mil Coisas
Passaporte
Valéria Blanc
.web
CAPA - PDF
Capa em PDF
ESPECIAIS
Código de Ética
SETE DIAS
Domingo
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
      
Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Matérias
Velhas novidades

O que se vê hoje nas ruas, vitrines e passarelas já se via há décadas e até séculos atrás. O início do terceiro milênio é marcado pelo retorno de antigas tendências
Paloma Oliveto
Da equipe do Correio


Nada se cria, tudo se copia — a começar por essa frase, pra lá de batida. Mas é difícil fugir do lugar-comum quando o assunto é... lugar-comum. Nas passarelas, nas vitrines, nas ruas e nas praias, as ‘‘novidades’’ são as mesmas de dez, 20, 30 e — acredite — até 500 anos atrás.
  Melissinhas, item obrigatório no visual das garotas do começo da década de 80, voltaram a colorir os pés das meninas do terceiro milênio. Neste verão, os biquínis voltaram a ficar maiores, como eram nos anos 60 e como se ensaiou no início dos 90. Já a cor do sutiã dos biquínis não precisa combinar com a da calcinha — uma ‘‘novidade’’ igualzinha ao que se usava na década de 70. A moda masculina decretou: calça de ‘‘macho’’ tem de ter boca estreita — se deu bem quem herdou do vovô um baú recheado de modelitos de 1940. Mas como a democracia é fashion, homens e mulheres também podem usar jeans com barra desfiada, tipo aquelas que os hippies decretaram uniforme oficial dos anos de paz e amor. Com direito a boca larga, antigamente apelidada de pata-de-elefante. Para abalar na noite, as moças apelam para os sensuais espartilhos. E enlouquecem os rapazes da mesma forma que as damas do século 16 encantavam seus cavalheiros com os apertados corpetes. E que também entraram na ordem doa dia quando Madonna cantava Like a Virgin (1985), com sutiã e corpete à mostra.
  Enfim, nunca se viu tantas cópias — ou releituras, como preferem os estilistas — de tantas épocas em um ano só. Falta de criatividade? Não, na opinião de Larissa Heringer, 28 anos, estilista que está lançando sua marca em Brasília. ‘‘É uma coisa típica de começo de século. Tudo é uma colagem, um ir e vir de influências’’, acredita. ‘‘Além disso, não há muito mais o que inventar: o corpo humano é tridimensional, mas todas as formas já foram definidas. Não tem como criar algo para uma pessoa de três braços’’, brinca. A novidade, segundo Larissa, é o avanço tecnológico de tecidos e materiais que permite, por exemplo, que as sandálias plásticas não esquentem tanto o pé quanto antigamente e os corpetes adaptem-se melhor às formas femininas, sem massacrar quadril e costelas.
  A jornalista Valda Queiroz, que prepara tese de doutorado sobre a moda como fenômeno sociológico, entende que o retorno ao passado é positivo: ‘‘A moda nunca procura o novo, mas a novidade; ou seja, a renovação. Se não houver mudanças, não existe moda’’. Para Vânia, essa sensação de déjà-vu é exatamente o contrário de falta de inspiração: ‘‘Mostrar estilos de várias épocas em uma moda só é muito criativo’’. Principalmente para quem usa, que pode brincar com roupas e acessórios de diferentes décadas — ou até séculos —, montando um visual particular, com ares de brechó.
  Mas para os que já estão cansados dessa onda nostálgica, a artista plástica Sidma Kurtz, 32 anos, estilista da Feminili 111, avisa: ‘‘Você não pode mais inventar a roda. Mas o tempo faz com que os estilistas criem peças para suprir novas necessidades’’. Um bom exemplo são as roupas multifuncionais (lenços que viram saias e por aí vai) e as blusas e calças que podem ter mangas e pernas destacadas e recolocadas, novidades surgidas nos últimos dois anos. Coisas que, um dia, certamente serão copiadas. Ou melhor, reinventadas.


O QUE ESTÁ DE VOLTA

Melissa
Ela nasceu em 1980, quando a fabricante Grendene, que já estudava novos materiais há tempos, pôs nas prateleiras as sandálias de plástico. Hoje, a Melissa é acessório cult, encontrado em diversas versões. O hit, porém, ainda é aquele modelo básico, apelidado carinhosamente de ‘‘melissinha’’

All Star
O tênis de lona pode não ter nada de extraordinário, mas foi febre nas décadas de 70 e 80, com direito a Tina Turner como garota-propaganda. Está de volta em cores e modelos diversos e, assim como a Melissa, é peça cult.

Conga
Ele era tênis de fazer ginástica nos anos 60 e 70 — as crianças odiavam, e os mais velhinhos achavam que não tinha nenhum charme. Agora é super fashion — os jovens adoram.

Jeans
Foi em 1960 que a peça inventada quase 100 anos antes ganhou boca mais larga, conhecida como boca-de-sino. Dez anos depois, foi a vez da pata-de-elefante, que já começava a abrir no joelho. Quem não tinha o modelito mais ‘‘moderninho’’ improvisava: rasgava a perna da calça, inseria uma nesga com o mesmo ou outro tecido e, pronto: a boca da calça estava mais larga. O modelo mais ‘‘sequinho’’ dominou nos anos 90, mas agora boca-de-sino e pata-de-elefante estão de volta. O modelo saint-tropez, adotado hoje pelas meninas que gostam de mostrar o umbiguinho, é ‘‘novidade’’ lançada em 1960. Os desfiados, que dão ar rebelde, também são dos anos 60 e 70, quando os hippies iam às ruas reivindicar paz e amor.

Corpete
Agora ele é usado para sair, mas durante séculos era lingerie mesmo. A função era marcar cintura, apertar quadril e realçar os seios. Provocava desmaios porque espremia o tronco demais.

Calça capri
Aquela, mais justa e afunilada na canela, que todo mundo está usando com sandália e tamanco, fez muito sucesso em 1950, época em que foi lançada.

Bolero
O casaquinho curto, parecido com os usados por toureiros, será hit no inverno. Assim como foi no começo do século passado e nas décadas de 60 e 70.

Ombro só
Blusas de um ombro só estão nas ruas e nas passarelas. A peça é dos anos 70, mas virou febre mesmo somente duas décadas depois. Em 1990, ensaiou um tímido regresso. Sabe-se lá o motivo, não pegou. Pois agora é moda de novo. Por falar em ombros, as ombreiras, almofadinhas usadas em blusas, ternos e blazers, fizeram sucesso nos anos 30, foram item obrigatório em 80 e voltaram há dois anos.

Punk
Roupas rasgadas, desestruturadas, com tachas, pinos e alfinetes encravados e estampas pichadas. Reconheceu? Essa mesma moda que hoje está nas vitrines das lojas nasceu do movimento punk, de 1970.

Bata
A blusa solta, geralmente de algodão, é fashion desde a Idade Média. No final do século 19, surgiram os vestidos-batas, em Londres. Foi adotada pelos hippies em 1960 e 1970 e agora voltam a cobrir os troncos, principalmente acompanhadas de estampas indianas.

Bolsa a tiracolo
Essa tem cara de anos 60, mas na verdade surgiu logo depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje, homens e mulheres usam e abusam da bolsa a tiracolo, principalmente nas versões lona e crochê.

Estampas
Atualmente usa-se de tudo: étnicas (descobertas por estilistas nos anos 70), florais (em voga desde o século 19), psicodélicas (populares em 1960) e com grafismos (inspiradas da pop-art dos anos 60).

Biquíni comportado
O maiô de duas peças nasceu na França, em 1946. Apenas na década de 60 foi bem aceito na América. Depois da tanga, febre dos anos 70, foi só diminuindo de tamanho, até virar o fio-dental de 1985. Agora, o tamanho aumentou, está mais comportado. E, como nos anos 70, a cor do sutiã não precisa acompanhar a da calcinha.


MAIS SAUDOSISMO

O inverno de 2002 também vai abusar das releituras, incluindo novas épocas nas coleções. Nos desfiles da São Paulo Fashion Week, os estilistas embarcaram na máquina do tempo, recuperando peças que vão desde o estilo vitoriano aos já desgastados anos 80. O que vai ser visto por aí:

Roupas vitorianas
Veludo, laços, rendas, bordados, capas, paletós curtos com gola alta, calças curtas e até cartolas (será que pega?) foram as propostas de Gloria Coelho e Renato Loureiro. Peças recuperadas do século 19, quando o estilo vitoriano era quem definia o vaivém das tesouras. M.Officer e Ellus também apostaram no veludo cotelê, misturado a materiais tecnológicos.

Lingerie de oncinha
Aquela mesma, dos anos 70, voltou pelas mãos do estilista Fause Haten, que desenhou a coleção de lingerie para a rede Riachuelo.

Pata-de-elefante
Na Zoomp, as calças de boca bem aberta (anos 70) dividirão as araras com as cigarretes da década de 50. A proposta da Ellus também dá lugar às calças mais largas.

Plumas e penas
Carlos Miele, da M.Officer, encheu a passarela de plumas e penas. Moda no final do século 19 e nos anos 30, os acessórios também fizeram sucesso em 1970.

Biquínis e sungas comportadas
O fio-dental some das praias, dando lugar aos modelitos estilo anos 60. Já os homens ficam duas décadas atrás: as sungas estão tão grandes quanto as usadas nos anos 40.


Fotos
Para ver a página, é preciso ter instalado em seu computador o Acrobat Reader (programa para leitura de arquivos em formato .pdf)



   Sonho de consumo  
   Filmes que o Brasil não viu  
   Aventuras de um andarilho  
   Madonna: um exemplo até para os conservadores   
   Divórcio faz bem   
   Contracepção comprometida   

  © Copyright CorreioWeb Fale com a gente Publicidade


.