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Brasília, quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
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| Opinião |
Visão do cORREIO Proposta belicista
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Não se pode acolher como configuração de um compromisso a declaração do secretário de Estado, Colin Powell, de que os Estados Unidos fariam investimentos pesados para combater a pobreza no mundo. No mesmo dia em que a fala do representante norte-americano ecoou no Fórum Econômico Mundial, em Nova York, o presidente George W.Bush enviava ao Congresso, para vigência em 2003, o maior orçamento militar pós-guerra fria. Para privilegiar os gastos com o aparelho de guerra, foi necessário cortar receitas destinadas à assistência aos idosos, à preservação do meio ambiente, à pesquisa e aos transportes.
Se, para cobrir o aumento com os encargos na área bélica, a Casa Branca reduziu investimentos em setores críticos, sem excluir sequer a velhice desamparada, seria rematada tolice acreditar que executaria programas de ajuda às nações carentes. Não é, porém, a hipocrisia da política assistencial admitida no Fórum o que mais se revela no projeto orçamentário de Bush. A peça contempla proposta belicista situada em perspectiva delirante.
Tende a aumentar a tensão mundial. Eleva ao extremo o receio de que novas frentes de guerra serão abertas. Torna problemático o esforço universal em busca da estabilidade econômica, cuja conquista depende de clima isento de eletricidade política. Não há outras expectativas diante de orçamento militar que, fundado em recursos da ordem de US$ 379 bilhões este ano, cresceu nada menos de US$ 48 bilhões.
Não há dúvida de que se desenha no horizonte panorama de apreensões. O próprio Bush não faz reserva quanto aos objetivos dos Estados Unidos.‘‘É um plano para enfrentar uma guerra que não buscamos, mas uma guerra que estamos determinados a vencer’’, advertiu. Com certeza, o presidente inclui aí guerra futura, ou guerras, porque a atual, contra o Afeganistão, já foi vencida.
Cabe, também, deplorar a decisão do presidente de elevar em 12,5% a ajuda militar a alguns países ditos aliados. Paquistão, Israel e Índia figuram como principais beneficiários da agenda solidária. São três nações no controle de gigantescos paióis, equipadas até com arsenais nucleares. Fortalecê-las com acesso a novos engenhos de destruição é, no mínimo, aumentar a insegurança no Oriente Médio e na Ásia Menor.
Não se pense que o orçamento de Bush pode significar apenas forma de intimidação. No Brasil, a lei orçamentária tem caráter autorizativo. Não é imperativo legal executá-la na totalidade. Nos Estados Unidos, trata-se de verdadeiro programa de governo, que deve ser implementado. É possível, todavia, que o Senado e a Câmara de Representantes reduzam as intenções belicosas da Casa Branca. Pelo menos, é o que recomenda o bom senso.
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Ponto para Lula Sr. redator Charge / Oscar Notícias
do mundo Escravistas eleitos
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