DENISE ROTHENBURG
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Uma comparação de performance dos candidatos em meio aos fóruns mundiais econômico e social mostra que quem ganhou foi o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Ele usou um discurso moderado em seu pronunciamento em Porto Alegre e, em Nova York, obteve um garoto-propaganda de peso, o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). Tasso, em vez de tentar ganhar pontos para o candidato do seu partido, o ministro da Saúde, José Serra, elogiou Lula e os programas petistas.
Lula tinha tudo para sair arranhado do fórum econômico. Até porque recusou convite para participar do encontro para não melindrar as bases de seu partido. Ora, para alguém que quer ser presidente, deixar de ir a um importante encontro mundial com medo da reação de seus militantes soa, no mínimo, esquisito.
Mas Tasso salvou Lula perante os investidores estrangeiros, irritou o PSDB e mostrou-se um pote até aqui de mágoas em relação ao amigo José Serra, com quem nos bons tempos esticava conversas até a madrugada em Brasília. Ficou transparente que Tasso não está muito interessado em se aproximar de Serra, pelo menos por enquanto.
Serra era um dos poucos candidatos que não precisavam do fórum para aparecer bem perante os investidores. As agências internacionais que calculam os riscos do Brasil têm feito esse papel. Algumas dizem que Serra tem o apoio do empresariado, não fará grandes mexidas no mercado e herdará votos do presidente Fernando Henrique Cardoso com quem é para lá de afinado. Tratam do ministro como o candidato do presidente, o que é verdade.
Mas o jogo contra de Tasso deixou a cúpula tucana meio decepcionada. Nos jornais, roubou espaço que Serra esperava conquistar ao chamar a juíza Denise Frossard para compor o seu programa de combate à violência. Isso sem falar na resposta do ministro ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O’Neil, aquele que atribuiu os juros altos do Brasil à corrupção. O ministro respondeu que, quem tem um escândalo como a Enron, que respingou no governo norte-americano, deveria cuidar do seu quintal antes de falar dos outros.
Ontem, o PSDB se reuniu justamente para tratar de como levar as propostas de Serra à população e empolgar os militantes do PSDB. Primeiro, precisam fazer o time jogar unido. O episódio dos fóruns só mostrou que, enquanto os tucanos brigam, alguém ganha. No caso, foi ponto para Lula.
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