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Brasília, quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
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Saúde pública Atendimento especializado, só em Goiás
Goiânia e Anápolis são as cidades vizinhas com hospitais de referência nacional no tratamento de tumores malignos. As filas duram, no máximo, uma semana. Todos os anos, pelo menos 600 pacientes de Brasília procuram os centros capacitados
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| Wanderlei Pozzembom |
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| A radioterapia do hospital de Goiânia é a terceira melhor do país |
Se a capital do país não tem hospital de câncer, Goiânia tem. Foi-se o tempo em o estado goiano era conhecido apenas pelo arroz com pequi e a música sertaneja. Hoje, o estado é referência nacional no tratamento de tumores malignos. A radioterapia do Hospital Araújo Jorge é a terceira melhor do país. As máquinas são de última geração e atendem todo tipo de câncer. Rapidamente. Basta ter o laudo da doença para começar a jornada em busca da cura. As filas duram, no máximo, uma semana. Os pacientes são distribuídos entre a sede — em Goiânia — e a Unidade Oncológica de Anápolis.
Todos os anos, pelo menos 600 doentes do Distrito Federal procuram os serviços dessas duas instituições. A maioria absoluta passou pelo Hospital de Base, mas não pôde ficar. A fila da radioterapia estava longa. Ou, pior, tinha alguma máquina quebrada. Sem previsão para voltar a funcionar.
Lourdes Neves, 60 anos, enfrentou os dois problemas. Em setembro do ano passado, descobriu um câncer na mama. Por isso, saiu do Piauí para Brasília — onde mora um dos filhos. Na capital federal, fez a cirurgia para retirada do tumor. Mas faltava completar o tratamento com sessões de quimio e radioterapia. ‘‘Depois de um mês na fila do Hospital de Base, os médicos avisaram que a máquina para matar câncer tinha quebrado’’, conta. ‘‘Aí, todo o medo de morrer voltou para minha cabeça.’’
Lourdes foi encaminhada para Anápolis no mesmo dia. Assim que chegou, começou o tratamento. ‘‘Graças a Deus, porque se não tivesse feito tudo certinho o câncer podia voltar’’, explica. No próximo dia 20, a dona de casa piauiense faz a última sessão de radioterapia e volta para Brasília. Só não faz questão de pisar no Hospital de Base. ‘‘Os médicos de lá são bons, mas falta máquina para tratar da gente.’’
No Hospital Araújo Jorge a situação é bem diferente. Existem três máquinas de radioterapia de última geração. Um dos aceleradores lineares emite sete tipos diferentes de energia, por isso equivale a sete equipamentos separados.
Tanto o hospital de Goiânia quanto a Unidade Oncológica de Anápolis são ligadas a Associação de Combate ao Câncer de Goiás, uma entidade sem fins lucrativos. As instituições sobrevivem de doações e do pagamento das consultas e tratamento. Cerca de 80% dos pacientes pertencem à rede pública. O restante é atendido por convênio.
Somente em 2000, o Araújo Jorge atendeu cerca de 600 pacientes do DF. A maioria foi encaminhada pela Associação Brasiliense de Apoio ao Paciente com Câncer (ABAC). A organização dá passagem para os doentes carentes saírem da capital, comprarem remédios e começarem o tratamento. Em Goiânia e Anápolis existem abrigos para recebê-los de graça. A comida está inclusa. ‘‘O apartamento é novinho e tem até fogão e geladeira’’, diz Lourdes. Se tivesse ficado em Brasília, Lourdes teria de desembolsar entre R$ 1 mil e R$ 8 mil para fazer o tratamento em uma clínica particular. (Guaíra Flor)
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Raio-x do hospital de base
No Hospital de Base (HBDF) existem quatro aparelhos radioterápicos. A maioria tem problemas de funcionamento. Cerca de 60% dos casos de câncer têm de ser tratados com radioterapia — isoladamente ou aliada à quimioterapia e/ou cirurgia para retirada do tumor. Ela consiste, basicamente, na destruição das células cancerígenas via radiação. Conheça, a seguir, cada um dos equipamentos:
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Bomba de cobalto
Equipamento com fonte de radiação incorporada. Emite radiação a distância. Serve principalmente para tratamento de tumores de cabeça, pescoço, mama e pele
Efeito Colateral:
queimação da pele e mucosas
Situação no hospital:
o aparelho é antigo e está mal calibrado. Por isso, a radiação pode atingir células saudáveis, além das cancerígenas
Raio-X terapêutico
Serve para localizar tumores e garantir eficácia na tentativa de cura. Também utilizado para reforçar o tratamento de tumores de pouca profundidade, como pele e mama
Efeito Colateral:
queimação da pele e mucosas
Situação no hospital:
o aparelho está quebrado. Por isso, os exames são feitos nas outras máquinas de raio-X do hospital. Lá, as filas são maiores e os resultados demoram mais a ficar prontos, atrasando o tratamento
Acelerador linear
Equipamento que emite radiação por meio de elétrons. Utilizado em cânceres mais profundos, como de útero ou pulmões. Se mal calibrada, pode expor o paciente a uma dose de radiação maior que a recomendada pelo médico. Nesse caso há o risco de vida. Se a dose for inferior, o tratamento é inútil
Efeito Colateral:
queimação na pele
Situação no hospital:
a máquina quebra com freqüência. Ela passou mais de três meses parada no último ano e só voltou a funcionar em janeiro. O maior problema é o superaquecimento
Braquiterapia
A fonte de radiação (em vários formatos, inclusive o de agulha) é colocada dentro do corpo do paciente, direto no tumor. Muito usado em câncer de colo de útero, cérebro e pâncreas
Efeito Colateral:
infecção urinária e desconforto
Situação no hospital:
as fontes de braquiterapia são de césio. Por causa da baixa atividade da fonte, um paciente pode ficar em tratamento por até cinco dias, com a fonte de radiação dentro do próprio corpo. Em hospitais modernos, utilizam-se fontes de irídio cuja aplicação dura de 10 a 30 minutos, com o mesmo efeito. A braquiterapia do Hospital de Base é utilizada para câncer de colo de útero
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Tratamento maligno Radiação descontrolada
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