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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Esportes
Adversário extra

Cansaço pela longa viagem deve ser o principal adversário da Seleção Brasileira, hoje, diante da Arábia Saudita
Das Agências Estado e Folha

Riad — O sono pode ser o grande obstáculo para o Brasil no amistoso de hoje com a Arábia Saudita, às 15h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo pela TV Globo. A equipe de Luiz Felipe Scolari entra em campo, no Estádio Rei Fahd, desgastada por viagem mais demorada do que o normal.
  A delegação saiu de São Paulo na noite de domingo, chegou a Madri no começo da tarde de segunda-feira, mas embarcou para a capital árabe só na madrugada de terça-feira. Houve atraso de pelo menos sete horas do avião reservado à delegação pelos organizadores do jogo. Mesmo assim, o treinador fez questão de levar os jogadores para exercício no estádio,
  O percurso longo e os contratempos fizeram Scolari chegar à conclusão de que o melhor é não arriscar. Por isso, optou por confirmar como titulares os 11 atletas que iniciaram o teste com a Bolívia, na quarta-feira passada, em Goiânia. Os 6 x 0 finais o animaram a apostar na empolgação de seu time experimental. Isso significa que Djalminha, o 19º convocado, único estrangeiro do grupo, fica no banco. Ele deverá ser aproveitado no segundo tempo. ‘‘Este não é o jogo da minha vida, mas é um passo importante para garantir uma vaga na Copa’’, afirmou Djalminha.
  O deslocamento atribulado não parece ter afetado o estado de espírito do técnico. ‘‘É lógico que estamos todos cansados e que o atraso pode influir em nosso desempenho’’, reconheceu. ‘‘Mas é uma boa oportunidade para verificar o poder de superação deste grupo’’, adiantou. ‘‘Quem deseja disputar uma Copa do Mundo precisa estar preparado para superar adversidades e enfrentar situações inesperadas.’’
  Scolari foi diplomático, também, ao analisar o adversário, freguês de carteirinha da Seleção. O técnico brasileiro tratou logo de lembrar que a Arábia não é a Bolívia. ‘‘A equipe árabe está classificada para o Mundial e mostrou qualidades para tanto’’, elogiou. ‘‘Além disso, conquistou a Copa do Golfo, dias atrás, porque tem bons jogadores.’’
  Se a Seleção Brasileira afirma não ter problemas, os sauditas, extenuados por uma série de jogos, que culminaram com o título da Copa do Golfo, têm muitas dúvidas. Cinco titulares estão machucados e não deverão atuar hoje.
  
Escrita
Pela primeira vez, desde que o treinador gaúcho assumiu o cargo, no meio do ano passado, o Brasil jogará fora da América do Sul e contra uma equipe que não é latino-americana. Em Riad, a Seleção tenta uma façanha. Nos três jogos que fez como visitante sob o comando de Scolari, o Brasil só perdeu.
  A história de desafios contra a Arábia Saudita é favorável ao Brasil. As duas seleções se encontraram nos Jogos de Los Angeles, em 30 de julho de 1984, e na Taça do Bicentenário da Austrália, em 13 de julho de 1988. Na primeira, o time brasileiro venceu por 3 x 1. Na segunda, goleou por 4 x 1. Os dois último confrontos foram mais recentes. Em 12 de dezembro de 1997, o Brasil marcou 3 x 0, pela Copa das Confederações, em Riad. Dois anos depois, em 1º de agosto, goleou por 8 x 2, em Guadalajara, México. Os dois jogos valeram pela Copa das Confederações.


ARÁBIA SAUDITA

Mohamed Daeya; Salem Sagri, Ahmed Khalil e Abdulah Soleyman; Abmed Dukre, Ibrahim Mattar, Khanis Owairan, Al Uaket e Mohamed Noor; Jami Jaber e Abdulah Gmaan
Técnico: Naser Al Johar

BRASIL

Dida; Juan, Anderson Polga e Cris; Belletti, Gilberto Silva, Kleberson, Juninho e Paulo César; Edílson e Luizão
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Local: Estádio King Fahd
Horário: 15h30, de Brasília (Globo)
Árbitro: Omar Almhan (Fifa)


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