Da Redação
Com agências
| Ali Burafi/AFP |
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| Grupo de desempregados protesta em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e da Suprema Corte |
O ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, prorrogou o feriado bancário parcial por mais dois dias. Assim, a população só poderá usufruir as novas regras, menos rígidas, para sacar dinheiro dos bancos na próxima sexta-feira. Até lá, as instituições financeiras poderão realizar apenas algumas operações, entre elas o pagamento de salários e aposentadorias, a cobrança de impostos e tarifas. Nesses dias, as retiradas continuarão limitadas a um máximo de 1.500 pesos mensais nas contas-salários e a 1.200 pesos mensais nas demais contas.
Lenicov tomou a decisão depois de se reunir, por mais de uma hora, com o presidente do Banco Central argentino, Mario Blejer. Eles não deram detalhes do que se falou. Explicaram apenas que precisam de mais tempo para redigir as circulares, resoluções e decretos que tornarão o curralzinho (como a população chama o bloqueio das contas-correntes) menos indigesto. O Banco Central deve também limitar a venda de dólares pelos bancos.
A verdade é que as autoridades estavam preocupadíssimas com a possibilidade de a população avançar sobre as reservas bancárias, depois da expansão dos limites de saques. A manchete do diário Página 12, jornal popular de Buenos Aires, dizia que funcionários do Ministério da Economia e do Banco Central tiveram insônia nervosa entre segunda-feira e ontem. Tudo por causa da ansiedade com que esperam as mudanças no curralzinho.
Para azedar o espírito nacional, o Indec (instituto semelhante ao IBGE) divulgou o índice de inflação de janeiro. Segundo ele, os preços avançaram 2,3% no país. Foi o maior da última década. Apenas em janeiro de 1992, no início do Plano de Conversibilidade do ex-ministro Domingo Cavallo, a inflação atingira 3%.
O detalhe é que a economia argentina está em recessão há 43 meses. Ou seja, o ambiente é hostil a qualquer elevação de preços. O que faz os varejistas desafiarem a teoria econômica é a confiança dos argentinos na moeda nacional, o peso, que é igual a zero. Os lojistas simplesmente congelaram seus preços em dólares, mesmo impossibilitados de receber a moeda norte-americana como meio de pagamento. Por isso, os preços sobem um degrau a cada vez que o peso perde valor.
Desnorteada com a economia, a população não se cansa de protestar. Um grupo de desempregados e integrantes das assembléias de bairros se aglomerou na frente do Ministério do Trabalho e da Suprema Corte gritando refrões contra a corrupção.
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