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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Mundo
ESTADOS UNIDOS
Democratas atacam orçamento
Da Redação
Com agências


  O orçamento de US$ 2,13 trilhões apresentado pelo presidente George W. Bush ao Congresso norte-americano na segunda-feira foi alvo de críticas dos democratas ontem. O presidente da Comissão de Orçamentos do Senado, o democrata Kent Conrad, chegou a comparar as contas de Bush com as da falida Enron, antiga gigante do setor elétrico nos Estados Unidos: ‘‘A Enron encobriu parte de suas dívidas, e é isso o que o governo está fazendo.’’
  Conrad argumentou que o orçamento de Bush pode provocar problemas financeiros a longo prazo, pois prevê a aplicação de superávits projetados em US$ 2 bilhões na próxima década em outros programas do governo. Além disso, lembrou que o presidente conseguiu no ano passado o corte de US$ 1,3 bilhão nos impostos. ‘‘Uma pessoa prudente que propusesse um orçamento este ano decidiria não afundar ainda mais no poço’’, disse Conrad.
  Outro democrata, Thomas Khan, da Comissão de Orçamentos da Câmara, disse que as projeções orçamentárias prevêem um rombo de US$ 1,5 bilhões em uma década nos recursos da seguridade social. Como candidatos à Presidência, Bush e seu rival, Al Gore, prometeram não tirar um dólar desse caixa. Mas o presidente considera que a situação é extraordinária e justifica a quebra de sua promessa.
  As grandes vedetes do orçamento norte-americano para 2003 são as áreas de defesa e de segurança interna, que terá seus recursos aumentados em 111% caso o Congresso aprove sem modificações a proposta do presidente. Para o ano fiscal que começa em 1º de outubro, o orçamento proposto por Bush acrescentará US$ 48 bilhões à verba destinada ao Pentágono.
  É um aumento de 14%, que vai elevar a US$ 379 bilhões os recursos à disposição dos oficiais. Para se ter uma idéia desse orçamento gigante, os US$ 379 bilhões equivalem a mais de seis vezes o orçamento total da Rússia. E Bush quer mais: pretende aumentar paulatinamente a verba dos militares, chegando a US$ 451 bilhões em 2007.
  Diante das críticas sobre o aumento dos gastos militares em 2003, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, explicou a necessidade de maiores investimentos no setor para enfrentar os desafios bélicos do futuro. Ele argumentou que, ‘‘quando terminou a Guerra Fria, houve um declínio nos gastos com defesa que foi longe demais’’.

Três missões
Rumsfeld afirmou que o Pentágono precisa de uma reestruturação depois de ‘‘uma década de uso excessivo e fundos insuficientes’’. Para justificar seu orçamento gordo em 2003, o secretário explicitou três missões difíceis do Departamento de Defesa: ganhar a guerra mundial contra o terrorismo; restabelecer as forças com investimentos a longo prazo em armas, pessoal militar e instalações; além de transformar o aparato bélico para adequá-lo às guerras do século 21.
  ‘‘Nossos adversários estão observando o que fazemos, estão estudando como fomos atacados com sucesso, como estamos respondendo e como poderíamos ser vulneráveis no futuro’’, explicou Rumsfeld. ‘‘Corremos um risco se ficarmos de braços cruzados.’’
  O Pentágono acredita que o aumento de seus recursos — o maior desde que o ex-presidente Ronald Reagan decidiu investir ao máximo na Guerra Fria, no começo da década de 80 — dará aos Estados Unidos uma superioridade militar impressionante sobre outros países. Apenas o aumento de US$ 48 bilhões no orçamento de Defesa para o ano que vem já é maior que qualquer outro orçamento militar do mundo. O do Japão, onde os gastos anuais com defesa chegam a US$ 45,6 bilhões, é o mais próximo, segundo John Issacs, do Conselho por um Mundo mais Tolerável, grupo que apóia a redução das verbas militares.
  Os gastos militares da Rússia, antiga adversária dos norte-americanos na Guerra Fria, ficam ainda mais miniaturizados se comparados aos dos Estados Unidos. Todo o orçamento russo destinado à Defesa em 2002 representa, com US$ 9,5 bilhões, mais ou menos o que o governo Bush vai dedicar apenas à ciência e tecnologia militar em 2003.


   Mais dois dias de feriado bancário  
   Por Aí  

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