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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Segurança
Comércio ilegal

Atalho para delinqüência

O uso abusivo da merla estimula o envolvimento do jovem com a delinqüência. A conclusão é da pesquisadora Silvana Baumkarten, doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). ‘‘O abuso de qualquer droga facilita o envolvimento com atos infracionais. Mas o abuso da merla parece levar inevitavelmente a este caminho, aumentando ainda mais o risco de envolvimento com a polícia e a justiça’’. A pesquisadora entrevistou 13 adolescentes usuários de merla e os familiares de sete deles. A tese defendida por ela em dezembro de 2001 não faz uma análise quantitativa do problema da merla no DF. A abordagem é qualitativa — parte de depoimentos dos entrevistados para esboçar o cenário em que estão inseridos os usuários.


Produção está na fronteira

O delegado-chefe da Divisão de Prevenção e Repressão a Entorpecentes (DRF) da PF, Getúlio Bezerra Santos, explica que — apesar do grande volume de apreensões realizadas em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — os mercados consumidores de maconha no Brasil não estão na fronteira com o Paraguai. ‘‘Estas áreas são zonas de produção e distribuição da droga. Em algumas propriedades a mão de obra é de brasiguaios. Mas em alguma delas há mão de obra totalmente brasileira’’. A DRF instaurou 2.210 inquéritos policiais relativos ao narcotráfico em 2001. As ações da instituição no ano passado resultaram a prisão de 2.420 traficantes e 275 usuários.

A FRASE

‘‘A maconha entra no DF pela BR-020. A distribuição da erva começa em Planaltina. A cocaína e a merla entram pela BR-040 e são repassadas em Goiânia. De lá, seguem por Luziânia e Ceilândia até chegar ao Guará e ao Plano Piloto.’’

José Moraes Cardoso,
delegado-chefe da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes II, da Polícia Civil


Civil prendeu 381 traficantes

As duas Delegacias de Tóxicos e Entorpecentes (DTEs) da Polícia Civil instauraram 379 inquéritos para apurar casos de compra e venda de drogas no ano passado. Foram presos 381 traficantes e 224 usuários no período. O delegado-chefe da DTE II, José Moraes Cardoso, afirma que a BR-020 e a 040 são as principais vias de ingresso da droga no Distrito Federal.


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