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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
Cidades
ELEIÇÕES NO DF
PT tenta manter alianças

Na tentativa de isolar a pré-candidatura de Rodrigo Rollemberg, petistas apressam a definição de chapa majoritária da Frente Brasília Popular para garantir o apoio do PPS
Samanta Sallum
Da equipe do Correio


Sérgio Amaral
Rollemberg rebate críticas do candidato petista ao Buriti, Geraldo Magela: ‘‘Ele precisa resolver a rejeição que tem dentro do próprio partido’’

Atordoado com o anúncio da pré-candidatura do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) ao governo do Distrito Federal, o PT corre agora atrás do prejuízo. Lutará pela manutenção da aliança com PPS e PC do B para apoiar o deputado federal Geraldo Magela (PT) na corrida ao Palácio do Buriti. Com mais um concorrente de esquerda no páreo, a estratégia dos petistas é apressar o anúncio da composição de sua chapa majoritária. Assim, tentará lançar de vez os outros partidos de oposição, que agora são alvo de forte assédio de Rollemberg.
  O PT tratou logo de marcar reunião para amanhã, às 9h30, com os partidos que, pelo menos por enquanto, dizem estar com o pé dentro da Frente Brasília Popular. O bloco, liderado pelos petistas, apóia Magela. A divulgação oficial da chapa pode ser feita no encontro, que será na sede do PC do B, no Conic. Lá estarão representantes do PDT, PPS ,PCB, PMN, PHS e PC do B.
  O ex-deputado distrital Carlos Alberto Torres do PPS deve ser confirmado como vice na chapa de Magela. O senador Lauro Campos (PDT) será o segundo candidato ao Senado da Frente. O que ainda não foi definido é o nome para ocupar a vaga de suplente do ex-governador Cristovam Buarque (PT), o outro pré-candidato ao Senado. O próprio PT já está de olho no espaço.
  ‘‘Já temos uma aliança construída e vamos mantê-la mesmo sem o PSB. A esquerda no Distrito Federal só tem um candidato e a referência é o PT. A candidatura de Rollemberg não contribui em nada para a derrota de Roriz’’, destacou Wilmar Lacerda, presidente regional do PT.
  O dia ontem foi de ressaca para alguns partidos de oposição. Momento de digerir a repentina decisão Rollemberg anunciada na segunda-feira e que rachou o bloco de esquerda. ‘‘É claro que a candidatura de Rollemberg divide os votos da esquerda. Agora deveria ser a hora de unir. Com todos os partidos de oposição juntos, já seria difícil derrotar uma possível candidatura de Roriz. Separados, o cenário é favorável ao governador’’, analisa o cientista político David Fleischer.
  Fleischer aponta que a candidatura de Rollemberg só é positiva para o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que entrou na disputa presidencial. ‘‘Como estratégia de Garotinho, a decisão é acertada para fortalecer o PSB nacional’’, comenta Fleischer.
  O PC do B também avaliou com preocupação a entrada de mais um concorrente de esquerda na sucessão local. ‘‘Devemos continuar lutando pela unidade. Estamos surpresos. Agora é hora de conversar e tentar retomar o caminho da união, só esse nos levará a vitória’’, comentou o deputado federal Agnelo Queiroz (PC do B).
  O PPS elogiou a candidatura de Rollemberg, entretanto, demonstra estar mais disposto a fechar aliança com o PT. ‘‘Nosso partido não pode andar em zigue-zague. Já temos um compromisso prévio com a Frente’’, esclarece Amauri Pessoa, presidente regional do PPS. ‘‘Cumprimentamos Rollemberg pela coragem de encarar o desafio. É o deputado mais atuante na Câmara Legislativa e esperamos estar juntos no segundo turno’’, completou Pessoa.
  Alguns petistas debocham da candidatura de Rollemberg. ‘‘Isso é uma aventura. Um invenção do Garotinho, que inventou sua candidatura à presidência, dividindo também a esquerda no plano nacional. Rollemberg não tem chances de ganhar’’, aposta o ex-deputado federal Chico Vigilante (PT). Mas existem fiéis colaboradores do governo Cristovam Buarque que acreditam no crescimento de Rollemberg. Um deles é o ex-secretário de Comunicação do Governo do Distrito Federal, Luiz Gonzaga Motta, que esteve presente ao anúncio de Rollemberg.
  ‘‘A campanha de Rollemberg me empolga. Até agora não estava entusiasmado a participar desse processo. Agora estou. Essa candidatura não é sectária. Veio arejar a disputa, para conquistar um eleitorado que está no limbo’’, disse.


entrevista / RODRIGO ROLLEMBERG
Magela teme minha vitória no 1º turno

‘‘Tenho mais legitimidade para ser herdeiro dos votos de Cristovam do que Magela’’

CORREIO BRAZILIENSE — Qual a sua resposta aos partidos de oposição que o acusam de dividir a esquerda, tornando mais difícil a disputa com o governador Roriz (PMDB)?
RODRIGO ROLLEMBERG
- Minha candidatura é irreversível e veio para somar. Quem semeia o discurso da divisão é o candidato que, no íntimo, tem medo de que eu tenha mais votos do que ele no primeiro turno. Magela sofre rejeição dentro do próprio PT.

CORREIO — Sua candidatura pode ser classificada como de terceira via??
ROLLEMBERG
— Não é bem assim. Eu vou lutar pelo voto de todos. Eu tenho mais legitimidade para disputar o legado do governo Cristovam Buarque do que Magela. Fui muito mais leal a Cristovam do que ele. Eu somei, participando do governo do PT. Sempre coloquei o interesse coletivo acima do individual.

CORREIO — Mesmo rompido com o PT, apoiará Cristovam para o Senado?
Rollemberg
- Sim. Eu defendo que o PSB não apresente outro candidato ao Senado além de Reginaldo de Castro, para não concorrer com Cristovam. Assim podemos eleger os dois.

CORREIO — Qual será o próximo passo, depois de lançada a sua candidatura?
ROLLEMBERG
— Agora vamos buscar alianças. Quero muito conseguir o apoio do PPS, do PC do B, PL, PMN, PHS e PV. Os partidos só estavam fechando aliança com o PT por falta de opção. Não estavam empolgados.

CORREIO — Com apoio de Garotinho, espera agora tornar-se um
candidato do evangélico?
ROLLEMBERG
— Não confundo política com religião. Não farei distinção do eleitorado. Quero o voto de todos, independentemente da religião que praticam. Não sou evangélico, mas temos lideranças no partido, como Peniel Pacheco, que são. Isso é claro que ajuda.

CORREIO — Qual será a essência de seu programa de governo?
ROLLEMBERG
— Dar prioridade à educação, cultura, esporte e lazer. E estimular o desenvolvimento econômico da capital sem ir contra a sua vocação natural para o setor de serviços.


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