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06 de fevereiro de 2002
Esportes
Desesperar, jamais

Bandeirante, Gama e Brasiliense estréiam na Copa do Brasil com a missão de evitar os tradicionais fiascos candangos no torneio
Roberto Naves
Da equipe do Correio


Acácio Pinheiro 25.01.02
O atacante Giovani está ansioso para enfrentar o Cruzeiro, hoje: ‘‘Desde o começo da semana, só penso nesse jogo’’

O emergente futebol do Distrito Federal entra na disputa da 14ª Copa do Brasil com mais chances de melhorar — ou de piorar — seu retrospecto no torneio. Com o recorde de três representantes na segunda competição nacional mais importante, o trio Gama, Brasiliense e Bandeirante estréia hoje na tradicional arena de vexames dos times do DF.
  Três anos depois da escalada vitoriosa do Gama rumo à elite do Campeonato Brasileiro, o futebol candango ainda cumpre uma triste sina de eliminações precoces e goleadas humilhantes. Com um cartel de sete vitórias, cinco empates e 22 derrotas em 34 jogos, ocupa o medíocre 16º lugar entre 27 unidades federativas, atrás de potências como Acre, Amazonas e Mato Grosso.
  O maior risco de tragédia esportiva, agora, está nos pés do modesto Bandeirante. Depois de trocar a vaga de 2001 pela deste ano, em controvertido acordo político, o pobre alvinegro encara o tradicional e milionário Cruzeiro, dono de uma folha salarial 50 vezes maior (R$ 2 milhões x R$ 40 mil). ‘‘Teoricamente, o Bandeirante não tem condições de passar, mas no futebol nem sempre vence o melhor’’, sonha o homem-forte do clube candango, o presidente de honra Carlinhos de Andrade.
  O duelo começa hoje, às 21h45, no Serejão, em Taguatinga, com transmissão ao vivo somente para Minas Gerais. Carlinhos garante que a cota de TV não foi definida. A estimativa, porém, varia de R$ 10 mil a R$ 30 mil apenas pela primeira fase. ‘‘Podemos até não passar para a outra fase, mas vergonha o Bandeirante não vai fazer’’, promete o técnico Pereira.
  Por via das dúvidas, o treinador armou um esquema fechado, com o zagueiro Jéfferson de líbero num 5-3-2. ‘‘O primeiro item no futebol é não tomar gol. Nós somos o azarão. Quem tem que se preocupar com o resultado são eles’’, filosofa. As queixas, por sinal, ficam por conta das dimensões do Serejão maiores que as do estadinho da Metropolitana, o que dificulta a retranca.
  Como prevê o regulamento, vitória dos visitantes por mais de um gol de diferença encerra o confronto sem necessidade da partida de volta, na próxima quarta-feira, em Belo Horizonte. ‘‘A gente vai procurar fazer o máximo para alcançar nosso objetivo, que é fazer o segundo jogo. Está o nome de cada um em jogo. Levar de cinco, de sete está fora de questão’’, promete o veterano zagueiro Lira, de 32 anos.
  
Vergonha
Até agora, o maior fiasco candango na competição foi do Guará, nos 7 x 0 do Internacional, em 1997, em pleno Mané Garrincha. ‘‘A situação do Bandeirante está mais delicada ainda que a do Guará naquela época’’, aposta o treinador Déo de Carvalho, comandante da equipe na ocasião. De volta ao Guará, Déo enfrentou o alvinegro, em amistoso há duas semanas, na Metropolitana, com derrota apertada por 1 x 0. Em pouco mais de três semanas de preparação, o Bandeirante não fez nenhuma partida oficial. Perdeu por 2 x 0 do Formosa, da segunda divisão goiana, e, no único teste válido, vencia o Gama por 1 x 0, com gol de pênalti do meia Toni, mas o jogo-treino acabou cedo, com quatro expulsões.
  Apesar do esquema fechado, o técnico Pereira aposta na força ofensiva, com a veloz dupla Bispo e Giovani. ‘‘Vamos fazer gol. Nosso ataque é rápido e a defesa deles é lenta’’, prevê o ex-goleiro do Atlético-MG. O baixinho Bispo ficou famoso com os gols do Bandeirante na vitória por 2 x 1 sobre o Sobradinho, na última rodada do torneio doméstico do ano passado.Uma derrota tiraria o Gama do caminho do penta. Giovani, por sua vez, chega por empréstimo do Luziânia com o cartel de artilheiro da segundona candanga — fez 19 gols.
  Na chuva de gols do coletivo de ontem, no Serejão, Giovani fez os dois primeiros gols da vitória dos titulares por 4 x 3. Bispo e Toni fizeram os outros. ‘‘Vou tratar de fazer de tudo e os gols que costumo fazer’’, avisa o goleador de 20 anos.
  Em busca da sétima vitória em sete partidas na temporada, o tricampeão Cruzeiro (1993, 1996 e 2000) tem três desfalques. Com o zagueiro Cris e o atacante Edílson na Seleção, Marcelo Batatais e Leonardo entram no time. Os grandes destaques são o lateral Sorín, titular da Seleção Argentina, e o atacante Fábio Júnior.

BANDEIRANTE
André; Clein, Flávio, Jéfferson, Lira e Branco; Tiago, Carlos Eduardo e Toni; Giovani e Bispo
Técnico: Pereira

CRUZEIRO
Jéfferson; Maicon, Marcelo Batatais, Luisão e Sorín; Augusto Recife, Ricardinho, Vânder e Jussiê; Leonardo e Fábio Júnior
Técnico: Marco Aurélio

Local: Serejão (Taguatinga)
Horário: 21h45
Árbitro: Tadeu Bosco da Cruz (SP)
Ingressos: R$ 5,00 (arquibancadas atrás dos gols), R$ 10,00 (arquibancadas laterais) e R$ 20,00 (cadeiras)
* As rádios Jovem Pan AM (750Khz), Capital AM (1080Khz) e OK FM (104,1Mhz) anunciam a transmissão


Rotina de vexames

Ano / Jogo

1989 Corinthians 5 x 0 Tiradentes
1991 Sport 3 x 0 Gama
1993 Taguatinga 1 x 4 Sport
1993 Sport 3 x 0 Taguatinga
1995 Flamengo 3 x 0 Gama
1997 Guará 0 x 7 Internacional
1999 Guará 1 x 5 Juventude
Palmeiras 5 x 0 Gama
2000 Ponte Preta 4 x 0 Dom Pedro II
Cruzeiro 4 x 1 Gama

Obs.: Jogos válidos pela Copa do Brasil


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