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Brasília, quarta-feira,
06 de fevereiro de 2002
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EPIDEMIA
Distrito Federal tem 42 casos de dengue

Número de infectados mais do que duplicou nos últimos dias. Vírus do temido tipo 3 chegou à cidade, trazido por um morador do Guará
Guaíra Flor
Da equipe do Correio
Com agências


Carlos Moura 14.1.00
Os 415 agentes de saúde receberão a ajuda de 350 soldados do Exército para verificar criadouros do mosquito e espalhar larvicida

O número de casos confirmados de dengue no Distrito Federal aumentou em mais de duas vezes nos últimos cinco dias. Na sexta-feira eram 19 casos. Ontem, 42. Só fazem parte da lista pacientes infectados aqui mesmo na capital (casos autóctones). Mas existem dezenas de outros doentes na cidade. Moradores da região do Entorno contaminados em outros estados, são ignorados pelas estatísticas da Secretaria de Saúde, apesar de também carregarem o vírus da dengue.
  Um desses doentes trouxe para a cidade o temido vírus tipo 3 — encontrado até agora somente no Rio de Janeiro e em Roraima. Ele é capaz de provocar dengue hemorrágica logo na primeira infecção, embora isso ocorra raramente. Já os tipos 1 e 2 só evoluem para a versão mais grave da doença se a pessoa for infectada mais de uma vez.
  ‘‘É o primeiro registro deste tipo de vírus no DF’’, informa José Ricardo Lobo, diretor da Vigilância Ambiental. O paciente, morador do Guará I, contraiu dengue em Niterói, no Rio de Janeiro. Mas só há perigo de o vírus se espalhar pela cidade se ele — ou outra pessoa infectada pelo tipo 3 — for picado pelo mosquito transmissor da doença (Aedes aegypti). Para evitar que isso aconteça, a Secretária de Saúde intensificará o combate ao mosquito em todo o DF. Além disso, agentes de saúde visitaram o Guará para acabar com focos do Aedes.
  A partir do dia 18, o Exército também ajudará no combate ao mosquito. A Secretaria de Saúde pediu reforço de cerca de 350 soldados, que verificarão criadouros do mosquito e espalharão larvicida. Hoje, 415 dos 600 agentes de saúde trabalham no controle da dengue. Segundo José Ricardo Lobo, o número é insuficiente para cobrir todo o Distrito Federal. ‘‘Algumas áreas novas, como os condomínios do Lago Sul, ainda não receberam a visita da vigilância’’, afirma.
  Depois do carnaval, devem surgir novos casos de dengue tipo 3 no DF e em outros estados. Como muitas pessoas viajam nessa época, a chance de importar a infecção é maior. Principalmente para quem passar o feriadão no Rio de Janeiro, onde há uma epidemia da doença. Por isso, na hora de fazer as malas vale a pena reservar espaço para repelentes. O creme tem de ser usado durante o dia, período em que o Aedes ataca. Além disso, é preciso acabar com os focos do mosquito (leia quadro).
O tipo 3 do vírus da dengue também pode ter chegado a Minas Gerais. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) analisa quatro casos (três em Belo Horizonte e um em Contagem) suspeitos. A informação é do presidente da Funasa, Mauro Costa, que está no Rio de Janeiro participando de uma megaoperação para tentar conter a epidemia de dengue. O esforço conta com uma força-tarefa especial composta por 1.044 agentes de saúde de outros estados.
  No Rio, o vírus tipo 3 é o responsável pela explosão da doença nos primeiros 36 dias do ano. Ele foi identificado na cidade pela primeira vez no ano passado. Ontem foi confirmada a sexta morte por dengue hemorrágica na capital fluminense. Somente esse ano, foram registrados mais de cinco mil casos da doença, sendo 108 hemorrágicos.
  Em Brasília, a Secretaria de Saúde investiga duas mortes com sintomas parecidos com o dengue hemorrágica. Os resultados dos exames ficam prontos até o fim do mês. Até ontem, foram notificados 608 casos suspeitos de dengue no DF. A maioria em São Sebastião.
  A boa notícia é que o medo da doença tem levado a população a se prevenir contra os focos de Aedes aegypti. Até mesmo os índices de rejeição às visitas dos agentes de saúde vêm caindo. ‘‘Tem agente sendo convidado a entrar na casa das pessoas quando passa na rua’’, comemora o diretor da Vigilância Ambiental. Fora da época de chuva, cerca de 10% dos moradores não aceita a vistoria do pessoal da Funasa. Nos Lagos Sul e Norte o índice é duas vezes maior.

CICLOS
A dengue foi erradicada do país na década de 50, mas voltou em Boa Vista (Roraima), em 1982. Em 1986, foi registrada uma epidemia no Rio de Janeiro e a doença se espalhou por todo o Brasil. Até 2001, só havia casos de dengue dos vírus tipos 1 e 2 no território nacional. Com o aparecimento do tipo 3, o número de casos voltou a crescer.


Tira-dúvidas / Dengue

Ernesto Carrião
Larvas do mosquito foram encontradas ontem, em Volta Redonda (Rj)

Quantos tipos de dengue existem?
Dois: o clássico e o hemorrágico. O primeiro deles não mata, apenas provoca dores pelo corpo, febre alta, enjôo e desconforto nos olhos. Sintomas parecidos com uma forte gripe. A diferença é ausência de tosse e coriza. Já a versão hemorrágica da doença é mais perigosa. A infecção afeta a capacidade de coagulação do sangue provocando hemorragias pela pele, nariz, boca, fezes ou urina. Por isso, o funcionamento de alguns órgãos — como cérebro, fígado e rins — fica prejudicado podendo, inclusive, levar à morte.

O que causa a doença?
Quatro tipos diferentes de vírus. No Brasil, só existem os três primeiros. Os tipos 1 e 2 infectam a pessoa com a dengue clássica. Somente se o paciente for picado uma segunda vez, corre o risco de apresentar a variação hemorrágica da doença. Já com o vírus 3 em circulação, aumentam as chances de uma nova infecção por dengue. Conseqüentemente, também é maior o risco da dengue hemorrágica se espalhar. Até o momento só existem vírus tipo 3. em larga escala, no Rio de Janeiro e Goiânia.

Como a dengue é transmitida?
A doença é transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. A contaminação ocorre quando o inseto pica uma pessoa doente e depois pica alguém sadio.

Como é o tratamento?
Geralmente, com analgésicos e antitérmicos. Não se deve usar ácido acetil-salicílico (princípio ativo da Aspirina) porque ele pode aumentar o risco de hemorragias. Os sintomas duram de cinco a dez dias. No caso da dengue hemorrágica, o tratamento consiste em terapia intensiva, medicamentos e reposição de sangue, entre outros.

Como se prevenir contra a doença?
Verifique no quintal se existem possíveis criadouros do Aedes aegypti. Não deixe a água ficar parada em garrafas, tampinhas, latas, bacias, baldes, caixas, pneus, saquinhos plásticos ou qualquer outro objeto que acumule água. Se desconfiar da presença do mosquito, chame a Vigilância Ambiental. Telefone: 226-9336, ramal 224 ou 231

Como identificar o Aedes aegypti?
  O mosquito transmissor da dengue é um pouco maior que as muriçocas comuns. E, ao contrário delas, ataca durante o dia. Além disso, ele possui manchas brancas no corpo.


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