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Brasília, quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
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| Política |
sucessão Tasso causa mal-estar para Serra no PSDB
Tensão marca a primeira reunião tucana depois das declarações do governador do Ceará em Nova York, quando defendeu Lula e sugeriu aliança com o PFL
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Denise Rothenburg
Da equipe do Correio
| Carlos Moura |
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| Serra deixa reunião em que definiu agenda de campanha nos estados |
O PSDB bem que tentou, mas não conseguiu esconder a tensão provocada pelas declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati, com elogios ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e a defesa da aliança ainda no primeiro turno para derrotá-lo, mesmo que não seja com o seu partido na cabeça de chapa. ‘‘Aí eu tenho uma diferença com o Tasso. Nosso candidato é José Serra na pré-convenção, na convenção, na campanha, na eleição e na posse’’, afirmou o presidente do PSDB, deputado José Aníbal, logo depois da primeira reunião de cúpula do partido com Serra candidato, ontem em Brasília.
Ministros, governadores e dirigentes do partido mostraram-se divididos em relação à declaração do governador. ‘‘Eu entendo o Tasso. Ele quer unidade’’, defendeu o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Tassista, Azeredo é contra a realização de pré-convenções em fevereiro. ‘‘Ele (Tasso) disse que se o Serra não subir até junho é dor de cabeça. Só se for dele. Para o partido não é’’, comentou o deputado Alberto Goldmann (PSDB-SP), do grupo serrista. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, mostrou que não há hipótese do PSDB abrir mão da candidatura Serra para apoiar Roseana Sarney (PFL). ‘‘A base comporta duas candidaturas. Nas urnas, o eleitor decide quem vai para o segundo turno’’, comentou ele.
Embora alguns temam que Serra não apresente boa performance nas pesquisas pré-eleitorais, os presentes ao encontro disseram-se dispostos a trabalhar pela candidatura dele, organizando reuniões políticas em todos os estados. Até junho, Serra deve percorrer as 300 cidades, com os maiores colégios eleitorais do país, para apresentar sua plataforma política em reuniões com empresários, associações de bairro e políticos do PSDB. A romaria começa depois do dia 24 de fevereiro, data da pré-convenção do partido, quando Serra já terá deixado o Ministério da Saúde para dedicar tempo integral à campanha para presidente da República.
‘‘A partir da pré-convenção é mergulhar na campanha. Infelizmente, a campanha foi antecipada e não há nada que possamos fazer em relação a isso, a não ser trabalhar’’, disse Serra. Mesmo sem comentar diretamente as declarações de Tasso, Serra mandou um recado ao governador: ‘‘Temos que tirar a campanha do ti-ti-ti político para discutir questões relevantes. O candidatos precisam apresentar suas idéias”, afirmou Serra.
O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), confirmou na noite de ontem que será mesmo no dia 24, em Brasília, a pré-convenção nacional do partido que oficializará a candidatura de Serra a presidente. Mas disse que não haverá um processo de votação, apenas a aclamação. Aníbal acrescentou que, a partir do dia 24, a campanha do ministro da Saúde será direcionada para a sociedade. Mas, por enquanto, o partido vai manter os eventos políticos como partidários – Serra irá apenas a reuniõesfechadas até oficializar sua saída do Ministério da Saúde.
TASSO REAFIRMA ELOGIO A LULA
O governador do Ceará, Tasso Jereissati, reafirmou que sem a manutenção da aliança entre PSDB, PMDB e PFL será difícil ao candidato governista vencer a eleição presidencial. ‘‘Com a aliança, temos uma possibilidade enorme de ganhar a eleição’’, disse. ‘‘Sem a aliança, é muito mais difícil.’’ Ele negou preferir a candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), em lugar da de José Serra, ministro da Saúde. Mas defendeu a negociação com o PFL até o limite de apresentação de candidaturas, em junho. Como já havia feito em sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Nova York, Tasso elogiou o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Nenhum empresário, nenhum investidor do Brasil teme o Lula’’, disse. ‘‘Vivemos numa sociedade muito mais madura. E o Lula mudou, o Brasil mudou.’’ (Da Agência Folha)
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O candidato na TV
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Durante a reunião da cúpula do PSDB, realizada ontem em Brasília, o ministro da Saúde, José Serra, recebeu dos presidentes do partido a cessão de parte das 463 inserções de televisão do PSDB neste ano. O primeiro teste será hoje, no Paraná. O programa tratará Serra como um político empreendedor e experiente, tendo seido ministro do Planejamento e da Saúde e relator de temas importantes no Congresso Constituinte no final da década de 80. O bordão será ‘‘quem fez pela saúde, pode fazer mais pelo Brasil’’.
As inserções do PSDB estão concentradas principalmente nos meses de abril , maio e junho, o que é uma vantagem para o partido, uma vez que o PFL de Roseana Sarney já teve o seu período de inserções e tem apenas mais quatro programas em abril. O partido acredita que as aparições na TV, somadas à extensa agenda de viagens do candidato nesses três meses darão novo fôlego a Serra na corrida eleitoral. O encontro serviu também para apaziguar o partido. O ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, por exemplo, recebeu de Serra a garantia de que não irá a Minas Gerais atrás do apoio do governador Itamar Franco, do PMDB e adversário de Azeredo. A assessoria de Serra também desmentiu que Serra e Itamar tenham encontro marcado.
Bola-fora
Durante a reunião de ontem, Serra só cometeu um deslize, que irritou o representante de Santa Catarina, Jorginho Mello, vice-presidente do PSDB estadual. Serra comentara que, em vários estados, o PSDB deveria buscar alianças e, como exemplo, citou Santa Catarina, onde a cúpula do partido pretende fazer uma coligação com o candidato do PMDB, o prefeito de Joinville, Luiz Henrique. Serra não sabia que Mello, antes de sua chegada, havia defendido o nome do prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSDB), para disputar o governo estadual. Irritado, Mello deixou a reunião sem se despedir de Serra. ‘‘Ele tem que saber que lá nos temos candidato. Vamos de Pavan’’, reclamou.
O exemplo de Santa Catarina, segundo alguns políticos do PSDB, mostra que Serra terá dificuldades em engajar todo o partido em sua campanha. Para aparar arestas, Serra irá ao Ceará, estado pólo do PSDB no Nordeste, mas somente depois de resolver suas diferenças com Tasso. Enquanto a reaproximação não se confirmar, dizem alguns analistas do partido, a tensão continuará e o PSDB não conseguirá passar a idéia de que dedica força total à campanha de Serra. (DR)
PROJETO DE SEGURANÇA
José Serra discutiu ontem com a juíza Denise Frossard a formulação do projeto de segurança pública que pretende apresentar no dia 24, na pré-convenção do PSDB em Brasília. Frossard defende, entre outras coisas, a unificação das políciais civil e militar sob o comando do Ministério Público. Apesar da preocupação de Serra com o tema, o presidente do PSDB, José Aníbal, não acredita que a segurança será o assunto central da campanha. ‘‘Segurança nunca elegeu e nem derrotou ninguém. O principal é o conjunto da proposta que será apresentada ao eleitor”, sustentou Aníbal. (DR)
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Palanque
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