1° CADERNO - Guerra
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06 de fevereiro de 2002
Guerra
especial / guerra americana
Os dez dias que abalaram o mundo

Desde o primeiro momento depois dos ataques de 11 de setembro, George W. Bush tinha uma idéia clara do tipo de guerra que queria deflagrar contra o terrorismo. Hoje, diz que não se arrepende das medidas que tomou, não tem a menor dúvida de que está no caminho certo e espera o julgamento da História. Seus assessores no governo são unânimes em creditar ao presidente a maneira não-convencional de pensar a resposta aos ataques terroristas. Na oitava e última reportagem do jornal The Washington Post sobre os bastidores do governo norte-americano nos 10 dias que se seguiram aos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono — republicada pelo Correio desde o dia 30 de janeiro — eles relatam como Bush monitora todos os detalhes da campanha internacional antiterror. A série, de incontestável importância histórica, foi resultado de um trabalho minucioso de reportagem coordenado pelos jornalistas Bob Woodward e Dan Balz.




AP 25.9.01
Soldados da Grã-Bretanha, aliada dos Estados Unidos, fazem exercícios militares nos desertos de Omã antes de serem enviados à ofensiva antiterror

  O presidente George W. Bush estava no meio de uma frase durante uma entrevista no Salão Oval, em dezembro, quando fez sinal a um de seus assistentes para pegar algo na primeira gaveta da escrivaninha. O funcionário entregou-lhe três folhas de papel com pequenas fotos coloridas e biografias resumidas dos cerca de 12 mais importantes líderes da rede terrorista de Osama Bin Laden, a Al-Qaeda.
  ‘‘Algum tempo atrás, eu disse: ‘Sou fã de beisebol. Quero ter um placar’’, Bush explicou. ‘‘Entendi que quando você está lutando contra um inimigo como a Al-Qaeda, as pessoas — inclusive eu — não têm noção de contra quem estão lutando. E fiz uma tabela.’’
  Bush havia falado muitas vezes em acompanhar o placar da guerra contra o terrorismo, mas as folhas em sua escrivaninha revelaram que não era uma mera figura de linguagem. Ele apontou para uma foto de Mohamed Atef, que serviu como chefe militar de Bin Laden e foi o principal planejador dos ataques de 11 de setembro.
  ‘‘Tem um X bem aqui,’’ Bush disse. Atef foi morto durante os pesados bombardeios norte-americanos ao Afeganistão em novembro. Em cima da foto de Ayman Al-Zawahiri, o segundo na organização de Bin Laden, um X tinha sido apagado, mas ainda estava levemente visível, depois que relatórios sobre a morte de Zawahiri foram considerados incorretos.
  ‘‘Nós pensávamos que tínhamos pegado Al-Zawahiri,’’ o presidente explicou. O placar de Bush sugere o grau de seu envolvimento pessoal na guerra contra o terrorismo e confirma o depoimento de seus conselheiros mais próximos de que ele está monitorando de perto o trabalho. Mas as folhas em cima da escrivaninha de Bush também revelam o quanto ainda falta realizar até que se possa declarar a guerra global contra o terrorismo um sucesso. O melhor cálculo disponível mostra que 16 dos 22 líderes mais importantes da Al-Qaeda — inclusive o próprio Bin Laden — ainda estão livres. E também o está o líder do Talibã, Mohamed Omar.
  O fracasso em achá-los, segundo um alto funcionário do governo, reflete uma dura verdade. ‘‘A cúpula da Al-Qaeda ainda não foi desbaratada.’’
  Quando o presidente discursou na sessão conjunta do Congresso em 20 de setembro para esboçar a política que iria levar o país à guerra três semanas depois, ele estabeleceu um objetivo ambicioso com uma simples promessa ao povo norte-americano e ao mundo. ‘‘Quer levemos nossos inimigos à Justiça ou a Justiça a nossos inimigos, Justiça será feita,’’ ele disse.
  A retórica apaixonada foi coerente com seu estilo de liderança nos primeiros dias da crise: direta e incisiva. Mas as implicações não são nada simples. Ele comprometeu sua administração e a nação com uma campanha complexa e perigosa de alcance e duração indefinidos, exatamente como fez na noite de 11 de setembro, quando disse que os Estados Unidos não fariam distinção entre terroristas e os países que os abrigassem.
  A campanha militar inicial libertou o Afeganistão do regime repressivo dos talibãs. Mas em sua entrevista, Bush previu uma longa permanência das forças norte-americanas no país. ‘‘Não quero fixar prazos’’, ele disse, ‘‘mas vamos ficar no Afeganistão, no meu jeito de ver, ao longo do próximo verão... (do hemisfério Norte). Aliás, não tenho pressa.’’
  Mais tarde, durante a entrevista, ele se explicou. ‘‘Odeio fixar um prazo porque eu não sei. Com certeza, se eu disser seis meses a partir de agora, serão 16 meses a partir de agora. Mas teremos uma operação forte por lá até que os apanhemos, um de cada vez.’’
  Além da caça às lideranças do Talibã e da Al-Qaeda, os Estados Unidos enfrentam outros desafios no Afeganistão. Um novo e frágil governo foi formado, mas é uma tarefa pesada tentar levar paz e estabilidade a um país com uma história de conflitos e lutas internas. Reconstruir o Afeganistão depois de duas décadas de guerras e alimentar a população castigada pela desnutrição e exausta pelas lutas sem fim vai custar caro, e testará a resolução de um governo que chegou ao poder descartando a idéia de construir nações.
  Além disso, como esta série relatou, Bush aprovou operações clandestinas da CIA (Agência Central de Informações) em 80 países no mundo inteiro para bloquear e atacar o terrorismo global. Os resultados e os progressos dessas operações secretas, freqüentemente em conjunto com os serviços de espionagem estrangeiros e com polícias locais, são na maior parte invisíveis, embora a prisão recente de 13 supostos membros da Al-Qaeda em Cingapura seja prova que a campanha está indo adiante.
  Bush disse em seu discurso ao Congresso em setembro que iria eliminar as redes terroristas de alcance global. Na entrevista de dezembro, ele descreveu, em termos ainda mais ambiciosos, o que queria dizer por vencer a guerra contra o terrorismo.
  ‘‘Minha atitude é de que ‘vencer a guerra’ significa que as pessoas podem dormir seguras, sabendo que os Estados Unidos não estarão sendo atacados por pessoas que não temem a nós ou à nossa coalizão. Que desbaratamos o terror onde quer que ele exista.’’
  E talvez seja por isso que o presidente utilizou seu discurso sobre o estado da nação, no dia 29, para advertir sobre novos perigos e reagrupar o país mais uma vez.
  Como foi esboçado naquele discurso, a rede mundial da Al-Qaeda continua sendo uma ameaça, assim como outras organizações terroristas. Milhares de terroristas treinados nos campos de Bin Laden espalharam-se para outras nações, onde eles podem estar tramando novos ataques contra os Estados Unidos, o presidente advertiu.
  Além dos terroristas, há os Estados terroristas. Bush fez uma advertência ao Iraque, ao Irã e à Coréia do Norte: se continuarem tentando obter ou desenvolver armas biológicas, químicas ou nucleares, os Estados Unidos estão preparados para agir de forma preventiva — política que acarreta riscos diplomáticos e militares.
  Desde o discurso sobre o estado da nação, o presidente e outras autoridades têm procurado esclarecer o que ele quis dizer sobre o Iraque, o Irã e a Coréia do Norte. Mas a declaração do presidente de que os três países formam um ‘‘eixo do mal’’ levantou muitas questões sobre as intenções da Casa Branca e sobre a capacidade do presidente em manter a campanha em foco e outros países alinhados com a política norte-americana.
 Bush decidiu, no ano passado, concentrar a ofensiva militar inicialmente no Afeganistão, acreditando que o sucesso lá tornaria mais fáceis outros elementos da campanha. Mas a escolha também serviu para manter o mundo unido. Muitos aliados norte-americanos na Europa e no Oriente Médio, que apoiaram a ação militar no Afeganistão, ainda não endossaram os objetivos mais amplos do presidente, particularmente se eles incluírem ataques militares a outros países.
  Internamente, de acordo com autoridades da Casa Branca, o país permanece vulnerável a novos ataques. Como disse o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, numa entrevista para esta série: ‘‘Você não pode se defender em todos os lugares e em todos os momentos contra todas as técnicas. Você simplesmente não pode fazer isso porque eles continuam mudando as estratégias e os momentos e você tem que correr atrás deles.’’
  O governo Bush, sob o secretário de Segurança Interna, Tom Ridge, deu passos no sentido de reforçar as defesas para diminuir as ameaças. Mas o fato de Bush ter pedido ao Congresso para duplicar os recursos para esse setor em seu novo orçamento revela as lacunas que ainda permanecem na proteção da população contra futuros ataques terroristas.
  O histórico do governo, até agora, é dúbio. Apesar das insistentes informações de espionagem apontando para um grande ataque da Al-Qaeda durante o verão (do hemisfério Norte), espiões norte-americanos não conseguiram determinar com antecedência hora, local ou método do atentado de 11 de setembro. Mais tarde, quando os primeiros casos de antraz apareceram, em outubro, a resposta inicial do governo foi considerada confusa e inadequada. As autoridades de saúde pública aprenderam muito a partir daquela experiência, mas não há como dizer o quanto estão preparados para um ataque bioterrorista de um tipo completamente diferente.
  Mais recentemente, funcionários do governo enviaram sinais conflitantes em relação aos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City. Depois de visitar a cidade no mês passado, Ridge anunciou que seria ‘‘um dos lugares mais seguros do mundo’’ durante os jogos. Mas o secretário de Justiça, John Ashcroft, depois de uma visita de quatro dias por conta própria, ordenou melhorias na segurança dos Jogos.
  O que torna a guerra contra o terrorismo única é sua clandestinidade sem precedentes. O Pentágono não revelou detalhes operacionais de boa parte da ação militar no Afeganistão. Bush disse desde o início que alguns episódios da guerra pareceriam familiares — os primeiros mísseis de cruzeiro e os bombardeios sobre o Afeganistão —, mas que muita coisa nunca seria vista. Diferentemente da Guerra do Golfo, repórteres e câmeras não acompanham as forças norte-americanas em sua missões no Afeganistão.
  Dadas as técnicas e a crueldade dos terroristas, há razões compreensíveis para manter a guerra em sigilo. Mas isso torna muito mais difícil que o povo norte-americano ou o Congresso levantem questões sobre a política do governo ou julguem sua eficácia. Pode levar anos até que mais detalhes sejam divulgados. Por enquanto, a única medida do sucesso será a inexistência de atos de terrorismo dentro do país.
  Bush aborda a guerra com a mentalidade do ‘‘custe o que custar’’. Seja dinheiro para a reconstrução de Nova York, armas requisitadas pelo Pentágono ou cerca de US$ 1 bilhão a mais para a CIA, principalmente para operações clandestinas, ele prometeu tudo o que fosse preciso. Bush encorajou seus assessores a pensar de forma abrangente e não-convencional, a assumir riscos.
  O presidente chegou ao Salão Oval, há um ano, com a reputação de concentrar-se nos grandes temas, estabelecendo as linhas-mestras e delegando a seus assessores a autoridade para definir os detalhes. Ele trabalhou assim durante os primeiros 10 dias de crise, depois de 11 de setembro, quando foram tomadas as decisões básicas sobre o tipo de resposta a ser dada.
 Continua a ser assim, mas seus conselheiros dizem que há um novo elemento no estilo gerencial de Bush desde 11 de setembro. Ele exige responsabilidade. Tornou-se quase obsessivo por resultados. Os assessores dizem que ele trabalha diariamente para assegurar a si mesmo que as agências do governo federal estão fazendo tudo o que podem para caçar a liderança da Al-Qaeda, para investigar todas as pistas sobre atividades terroristas dentro dos Estados Unidos e no exterior, para cobrar de outras nações ajuda na luta e na prevenção de futuros ataques.
  ‘‘Você tem que tomar cuidado com o que diz a ele (Bush), porque no dia seguinte ele vai perguntá-lo sobre isso’’, diz um funcionário da administração.
  O presidente pediu ao Departamento de Estado para elaborar o que ficou conhecido como a lista ‘‘do que esperamos’’. A lista chegou ao tamanho de um catálogo telefônico, listando pedidos específicos a cerca de 100 países. ‘‘Você pode abrir na seção do Iêmen e lá estará que nós esperamos as seguintes coisas’’, disse Bush numa entrevista. ‘‘Isso é para ser atualizado e para ser monitorado.’’
  Funcionários do Departamento de Estado criaram uma matriz de três colunas. Coluna um: o que o país está fazendo agora para ajudar na guerra contra o terrorismo? Coluna dois: O que queremos que eles façam no futuro? Coluna três: O que estamos fazendo para que eles ajam dessa forma e quem é o responsável por conseguir que o façam ?
  No mínimo, a lista oferecia uma indicação de como andava a diplomacia em relação a cada país, mas logo transformou-se numa lista de desejos. Tornou-se tão detalhada que designava, por exemplo, quais os países que permitiriam pousos para reabastecimento de aviões norte-americanos e até o nível de segurança nas fronteiras. A lista cresceu tanto e ficou tão complexa que funcionários do Departamento de Estado a chamam agora de ‘‘a mãe de todas as matrizes’’.
  Várias vezes na semana, o presidente interroga Ashcroft e o diretor do FBI (a polícia federal norte-americana), Robert Müller, sobre o andamento de suas investigações, pedindo atualizações de dados que tinham sido passados a ele. ‘‘Nosso trabalho é tanto estar certos de que eles não vão nos atacar de novo quanto vencer a guerra’’, disse Bush. ‘‘É uma parte igualmente significativa da operação. sE eu pergunto ao Bob (Müller) todo dia: ‘O que você tem feito em relação ao Mohamed Fulano, ou algum outro cara que você está seguindo?’’’
  Quando Müller volta para seu gabinete, disse Bush, ele ‘‘tem de se esforçar para descobrir por que o escritório de Houston, ou o escritório de Dallas, ou outro escritório qualquer não respondeu às perguntas ou à FISA’’.
  A FISA (sigla em inglês para Lei de Informações sobre Estrangeiros) é a legislação que estabelece os procedimentos para se fazer grampos nas linhas telefônicas de suspeitos de terrorismo dentro dos Estados Unidos.
  O presidente afirmou que seus questionamentos ‘‘ajudaram a mudar a cultura do FBI’’, e os agentes concordam. Tudo, desde a contratação de novos agentes, o treinamento dos funcionários veteranos e novatos até os computadores e seus programas — mesmo o perfil de 90 anos que fala de como deve ser um agente do FBI — está sendo revisado e submetido a mudanças.
  A alteração básica visa a enfatizar a prevenção do terrorismo, no lugar da preocupação com levar os criminosos à Justiça. Qualquer que seja o ganho na prevenção de futuros ataques, também terá produzido uma mudança significativa no foco da prevenção ao crime dentro do território norte-americano, que levantou dúvidas sobre o equilíbrio entre o combate aos terroristas e a proteção das liberdades civis. Dado o que ocorreu no dia 11 de setembro, o Congresso até o momento tem apoiado amplamente o governo, aprovando a Lei Patriótica de outubro.
  Os principais assessores de segurança nacional de Bush creditam ao presidente a condução e os parâmetros da resposta ao 11 de setembro nas primeiras horas depois do ataque.
  ‘‘O mais importante foi seu instinto imediato do que deveria ser feito, o fato de que não iríamos hesitar e estudar até a morte, nem faríamos muitas reuniões, mas iríamos desbaratar esta rede’’, afirma um funcionário de alto escalão. ‘‘Faremos o que for preciso para levar a cabo o trabalho. Você agora tem tanta autoridade quanto precisa; venha cá e me diga o que vai fazer’’.
  Bush pensou em uma guerra de absolutos: o bem contra o mal, conosco ou contra nós. Ele trouxe uma lógica de tudo ou nada para essa campanha que, pelo menos por ora, conseguiu angariar um imenso apoio popular.
  Depois do mais hediondo e devastador ataque terrorista da história dos Estados Unidos, a guerra de algum modo era obrigatória, inevitável. O golpe contra a Fortaleza América, os milhares de mortos, a ferida na auto-imagem da única superpotência e sua suposta invencibilidade exigiam a guerra.
  Um importante assessor do primeiro escalão disse de Bush: ‘‘Eu não acredito que houvesse muita auto-análise’’. Do ponto de vista desse assessor, Bush na verdade disse: ‘‘Este é um enorme, hediondo ato que foi perpetrado em meu país e eu vou cuidar disso. E qualquer um que queira ser amigo do meu país estará do meu lado’. Assim simples, certo? Sem muitas nuances. Sem muita teoria geopolítica e tudo o que isso significa’’.
  Rumsfeld, em uma entrevista, descreveu as ações do presidente de forma mais direta. ‘‘Ele tomou a decisão imediata de que iria partir para a guerra’’, afirmou.
  A Assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, disse que Bush entendeu imediatamente que ‘‘uma resposta limitada não se adequava a este crime’’. Ela acrescentou: ‘‘A outra coisa é que o presidente realmente tinha a noção de que este era um momento histórico, que havia sido escalado em um momento histórico’’.
  Esses instintos, disseram outros membros do gabinete de guerra, evitaram que o governo Bush se desviasse de seu curso nos primeiros dias após o ataque e garantiram que não haveria adiamentos.
  Um assessor do alto escalão escreveu uma longa lista de possíveis cursos de ação que, se tivessem sido seguidos, teriam adiado uma resposta forçosa e clara. O governo poderia ter esperado por alguém assumisse a responsabilidade pelos ataques, poderia ter esperado por as provas fossem mais sólidas, poderia ter enviado autoridades para consultas em outras capitais. Eles poderiam ter pensado em uma guerra convencional, poderiam ter esperado até que a Aliança do Norte estivesse mais bem treinada, poderiam não ter colocado as equipes paramilitares da CIA e Forças Especiais na região tão rápido.
  ‘‘Foram riscos que ele estava disposto a correr’’, afirmou o assessor.
  Mas o estilo pessoal do presidente teria afunilado as decisões internas, reprimido dissidências em potencial, fechado caminhos? Seus assessores argumentam que, dada a escala dos ataques do dia 11 de setembro, não havia realmente outra escolha que não o caminho tomado. Muitos anos podem passar até que alguém possa julgar com objetividade e distanciamento se esse foi o caso.
  Um funcionário de alto escalão, que pediu anonimato, deu esta advertência: ‘‘O presidente descobre o que quer saber. Mas não necessariamente descobre o que precisaria saber’’.
  Acontecimentos futuros e avaliações de historiadores podem sugerir, algum dia, a existência de outras opções que ficaram sem discussão nos dez dias que se seguiram ao 11 de setembro, devido à preferência e à insistência do presidente a uma ação imediata.
  Durante a entrevista, Bush foi indagado se, em algum momento, no chuveiro ou quando rezava, teve algum dúvida sobre a guerra e suas decisões.
  ‘‘Sei que é difícil de acreditar, mas não duvidei sobre o que estávamos fazendo’’, afirmou o presidente quase ao fim de uma entrevista de 90 minutos. ‘‘Eu lamento por aqueles que perderam a vida. Por outro lado, não tenho dúvidas de que estamos fazendo a coisa certa. Dúvida alguma’’.
  O assessor da Casa Branca, Karl Rove, que conhece Bush desde o início dos anos 70 e é seu assessor político mais próximo, disse que o presidente separou o que ele pode controlar daquilo que ele não pode.
  ‘‘Eu acredito que dentro de 35 anos, quando tudo estiver explicado para o público’’, disse Rove em uma entrevista, ‘‘a sensação de fatalismo irá surgir. Essa opinião, a sensação de que se existem mais deles (terroristas) e eles estão vindo atrás de mim, eles estão vindo atrás de mim. E se eles quiserem usar X, se eles quiserem usar armas biológicas na Casa Branca, não importa o que as pessoas digam, não importa as medidas que forem tomadas, eles poderão fazê-lo’’.
  ‘‘Mas nunca haverá um momento de agonia. Não haverá um momento de ‘Oh, meu Deus...’ Nunca haverá um momento de tremedeira originada por falta de confiança. Nunca houve dúvidas sobre o rumo a tomar. E não haverá’’.
  Rove disse que o presidente fala constantemente sobre resultados e sua crença de que sua administração será julgada pelos resultados da guerra.
  ‘‘Tudo é medido pelos resultados’’, disse Rove. ‘‘O vitorioso está sempre certo. A história assinala ao vitorioso qualidades que podem ou não realmente existir nele. E o mesmo vale para o derrotado’’.



2002 The Washington Post Company



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