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Brasília, domingo, 10 de fevereiro de 2002
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pesquisa otimista Futuro com mais conhecimento
Estudo desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que as políticas educacionais implantadas no país nos últimos dez anos só serão percebidas a partir de 2025. Até lá, todos os brasileiros terão concluído, pelo menos, o nível médio de ensino
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Guaíra Flor e Gabriela Prado
Da equipe do Correio
O pequeno Ruan Mateus ainda não aprendeu a andar, mas parte de seu futuro está traçado. Ele irá à escola, terminará os ensinos fundamental e médio e, se for um bom aluno, entrará na universidade. Tanto ele quanto o resto das crianças nascidas depois do ano 2000. E daqui a 23 anos, quando estiver crescida, a nova geração dirá com orgulho: moramos em um país onde todos concluem o ensino médio.
Essa perspectiva é resultado de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que avaliou o crescimento da escolaridade dos brasileiros. A principal constatação é que as políticas educacionais implantadas nos últimos dez anos só serão sentidas em 2025. O mérito não é apenas dos dois últimos presidentes, mas também da conscientização do povo sobre a importância do ensino.
A média educacional dos brasileiros, hoje, não passa de 6,6 anos de estudo. Menos do mínimo estabelecido na Constituição, que dá a todo cidadão o direito de concluir a 8º série. ‘‘Isso é reflexo da péssima escolaridade das pessoas nascidas entre 1910 e 1950, que influem nesse cálculo’’, explica Serguei Soares, autor da pesquisa. Naquele tempo, estudar era luxo de uma minoria que vivia nas cidades. A maior parte dos brasileiros morava no campo e nem ao menos sabia assinar o nome.
A partir da década de 80, mudou-se a visão de educação no país. O mundo globalizado e a sociedade da informação exigem cada vez mais conhecimento. Não basta falar português, é preciso saber inglês. Não basta ter diploma, é preciso ter inteligência emocional. Pressionados a resolver o problema, os governantes acharam maneiras de aumentar rapidamente a escolaridade dos brasileiros.
A repetência escolar foi extinta e criaram-se mecanismos para manter as criança estudando, como a Bolsa-Escola. Assim, caiu a evasão escolar. Praticamente 100% dos meninos e meninas entre 7 e 14 anos estão nas salas de aula. Só tem um problema: eles recebem, muitas vezes, um ensino sem qualidade.
Para Romualdo Portela, professor de História da Educação na Universidade de São Paulo (USP), a única forma de resolver o problema é investir mais na formação de professores. ‘‘O país gasta cerca de 3,9% do PIB (Produto Interno Bruto) com educação’’, afirma. Os tigres asiáticos, por exemplo, destinavam pelo menos 9% do seu PIB para educação quando estavam em desenvolvimento. Hoje, gastam menos porque o sistema educacional está estabelecido.
A média de escolaridade dos brasileiros entre 18 e 24 anos gira em torno de 8,9 anos. Portanto, nem todos podem competir por uma vaga no vestibular. Mesmo assim, as universidades não têm capacidade de absorver todos os estudantes que concluem o ensino médio. Apenas 12% dos nossos jovens estão no ensino superior.
Em 2025, com a universalização do ensino médio, a procura aumentará. ‘‘Apesar disso, as verbas para o ensino superior continuam escassas’’, reclama Michelangelo Trigueiro, da Universidade de Brasília (UnB). Prova de que os desafios em educação estão apenas começando. E como os resultados demoram décadas para se tornar visíveis, é preciso investir agora para não amargar a derrota depois.
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Como era e como é a educação para quem nasceu...
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...Entre 1900 e 1910
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No início do século XX, educação era luxo. As pessoas aprendiam a ler e escrever o básico em casa. O suficiente para a costureira anotar os centímetros da fita métrica e o padeiro voltar o troco para o cliente. ‘‘Na minha época, quase ninguém tinha oportunidade de estudar’’, conta a piauiense Luiza Figueiredo, 97 anos. ‘‘Só ia à escola quem não precisava ajudar os pais na roça.’’ Luíza, que hoje vive em um asilo na Ceilândia, nunca pisou em uma sala de aula. Aprendeu a escrever aos 12 anos para tirar a identidade. Mesmo assim, limitou-se a desenhar o próprio nome.
Tempo médio de escolaridade: 1,78 anos
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...Entre 1940 e 1950
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A população começa a migrar do campo para cidade. Ler é necessidade, mas concluir os estudos continua privilégio de poucos. O diploma de quarta série era bastante valorizado na época. Com ele, a mineira Maria Abadia Estácio, 54 anos, até dava aulas de costura em Unaí. Ao completar 11 anos, largou os estudos para ajudar no sustento da família. ‘‘Se tivesse continuado na escola, estaria em melhores condições hoje’’, conta. Moradora de São Sebatião, Abadia mandou os seis rebentos (entre 16 e 33 anos de idade) para a escola.‘‘Só vence na vida quem tem diploma’’.
Tempo médio de escolaridade: 3,78 anos
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...Entre 1980 e 1990
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Quando a brasiliense Mariana Arrabal nasceu, em 1983, só se via computadores em grandes empresas ou na casa de pessoas com muita grana. Passados 18 anos, ter um microcomputador em casa é comum. O diploma da 4ª série já não vale muito. Exige-se a conclusão do ensino fundamental (8ª série). Além disso, a criação de programas como a Bolsa-Escola segurou muitas crianças em sala de aula. Por isso, a escolaridade dessa geração melhorou. A garotada, em geral, fica na escola pelo menos oito anos. ‘‘Eu quero o diploma universitário’’, diz Mariana.
Tempo médio de escolaridade: 8,95 anos
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...A partir do ano 2000
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O brasiliense Ruan Mateus de Souza, 1 ano, entrará em breve na escolinha. A mãe, a universitária Carla Oliveira, 22 anos, faz questão de vê-lo estudar. E não é para menos. Daqui a 25 anos a maioria dos brasileiros completará o ensino médio e, portanto, a disputa por uma vaga no ensino superior será intensa. A menos que se invista pesado na expansão do ensino superior, poucos desses jovens conseguirão entrar na universidade. As exigências do mercado de trabalho tendem a aumentar. Por isso, se Ruan não der o melhor de si, não encontrará seu lugar ao sol.
Tempo médio de escolaridade: se o ritmo de crescimento for mantido, 12,3 anos
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