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10 de fevereiro de 2002
Correio do Brasiliense


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Matar resolve?
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Cruzeiro Novo


Por se tratar de um tema polêmico, vale a pena reproduzir a carta do sr. Walter Lúcio, publicada na coluna Sr. Redator, de 16/1/2001: ‘‘O Brasil a cada dia torna-se um país mais violento, a vida humana perdeu seu valor. O cidadão que paga tudo que aparece com nome de imposto é o mais sacrificado. Está na hora de o povo brasileiro dar um basta nisso e exigir dos administradores de impostos mais segurança, mais liberdade para ir e vir. Gostaria de reabrir a polêmica sobre a pena de morte para esses bandidos irrecuperáveis. O trabalhador honesto ganha salário mísero e ainda tem que bancar todo tipo de bandido nos presídios brasileiros. Vejo como a única saída para diminuir ou acabar a violência a pena de morte’’. Pergunto aos adeptos da pena de morte como o sr. Walter: matar resolve? O Estado tem o direito de executar um criminoso? Mesmo admitindo que sim, a pena de morte é eficaz para conter os crimes? O sujeito que mata perde, com isso, o direito à própria vida?
  ‘‘A pena capital é o mais premeditado dos assassínios’’, disse o escritor argelino Albert Camus, opositor intransigente do Estado que mata. Camus, como outros intelectuais do século XX, enxergava na pena de morte um elemento de sadismo oficial inigualado por criminoso algum. Pois o Estado emprega um número de pessoas e uma determinada soma de seus fundos apenas para executar um de seus cidadãos. O escritor húngaro Arthur Koestler, em Reflexões sobre a Forca, anotou que a ‘‘forca (entenda-se, também, outras formas de pena capital) é o denominador comum entre a barbárie primitiva, o fanatismo medieval e o totalitarismo moderno’’.
  A pena de morte geralmente é um ato de vingança da sociedade. O que sinalizaria um paradoxo: o papel do Estado não é o de verdugo. Criminosos devem ser julgados com o rigor da lei. A justiça nasce contra a vingança, isto é, contra a idéia de que alguém cobre olho por olho, dente por dente de outro alguém. Quer dizer: para punir uma morte com outra o Estado não é necessário. Ele existe exatamente para regular, com base na lei, esse tipo de julgamento, evitando que um crime gere outro ad infinitum.
  No livro Vigiar e Punir, o pensador francês Michel Foucault mostra que a condenação à morte é uma mistura de fascínio pelo mal e regozijado alívio pela punição de quem ultrapassou os limites. Ou seja, é uma válvula de escape para os instintos agressivos de grande parcela da população. Sigmund Freud, no ensaio O Mal-Estar na Civilização, analisa a violência na cultura ocidental. O pai da psicanálise mostra que, além do desejo sexual, as pessoas tentam satisfazer outros instintos, como a sede de violência, de forma muitas vezes escamoteada. As execuções seriam uma forma de a comunidade manter um grau de harmonia em meio à violência praticada — ou apenas desejada — por todos.


Sem o salário
Deywison Borges Rodrigues
Taguatinga Norte


Sou professor efetivo e contratado da Fundação Educacional, trabalho os três turnos (matutino, vespertino e noturno) por necessidade, pois sem reajuste salarial durante sete anos e promessas de 28% e de tíquete-alimentação não cumpridas, sou forçado a essa situação. Estou escrevendo não para lamentar a minha situação, pois essa é uma realidade muito comum dos professores de Brasília, e sim para denunciar mais um descaso deste governo com os professores. São comuns os erros de pagamento na Fundação Educacional, desta vez foi comigo. Já não bastasse o constante atraso no pagamento do vale-transporte, agora foi o meu salário do contrato de dezembro que deveria ser pago no 5º dia útil do mês de janeiro e até hoje nada. Inclusive nem recebi o contracheque deste mês. Já fui à Gerência Regional de Ensino de Brazlândia e à escola para solicitar o Repag, que é um procedimento para erros de pagamento, só que leva muitas vezes até dois meses. Só que eles esquecem que nós temos compromissos com cada centavo do nosso dinheiro. Eu estou atrasado com o condomínio do meu prédio (10% de multa), com a conta telefônica e sem falar o juro do cheque especial. A melhor perspectiva que a GRE me deu foi no pagamento de fevereiro — talvez junto com o acerto do contrato —, disse o responsável do SRH, professor Lourenço, da GRE de Brazlândia. Só que, para minha infelicidade, não saiu nada! Nem pagamento, nem resposta do Repag, contracheque e muito menos respeito.
  Já não sei mais a quem apelar. Procurei diretamente a sede da Secretaria (607 Norte) na sala 114, e nada! Telefonei para o Financeiro (348- 5149) e recebi a mesma resposta — problema não é nosso, e sim da Secretaria de Fazenda —, disse a servidora que se identificou como Neila, que obteve a resposta do chefe do Financeiro, Josué, que complementou: vai sair em folha complementar, mas sem previsão de data. E, enquanto isso, pago juros, juros e mais juros... por mais um descaso deste governo com os professores.


Mestrado de novo
Cícero Pereira da Silva
Setor Comercial Sul


A resposta do sr. Luís Mário Gouveia, integrante da Comissão de Seleção do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (Mestrado, a resposta, dia 7 último), apenas vem comprovar o que afirmamos em nossa reclamação contra a bibliografia quase secreta exigida aos candidatos ao mestrado ali. Segundo o professor, dos 12 livros indicados apenas oito estão na Biblioteca Central da UnB. Não existem em nenhuma outra de Brasília. Explique o professor como é que todos os candidatos vão estudar em um só exemplar do livro, na Biblioteca da UnB, já que ela não empresta nem permite, por força de lei, que sejam tiradas cópias dos livros? Logo, quem tiver essas obras em casa está sendo privilegiado. Os demais que se danem. Parece jogo de cartas marcadas. Não seria mais democrático e menos suspeito indicar uma bibliografia acessível a todos os candidatos?


Síndrome do crioulo doido?
Liz Weingartner
Asa Sul


O governador Roriz parece que convive, ainda, com a lembrança de um episódio ocorrido com ele, em 1994. Faltavam duas semanas para a primeira eleição direta de governador no DF quando S. Exa., em campanha para tentar eleger Walmir Campelo, inventou de inaugurar a iluminação da SQS 208. Lá pelas tantas, um morador da quadra, crioulo, pediu a palavra, e quando menos esperava Roriz o ouviu dizer que, ali, ninguém estava atrás de lote, que ele parasse com aquela parafernália e deixasse as crianças dormir. Perplexo, o governador encerrou o comício e não participou mais da campanha da Walmir. Foi eleito Cristovam Buarque. É claro que o rapaz moreno, crioulo, não era nada de doido, nem do PT. Muita gente se lembra desse episódio, sobretudo os moradores da 208. O rapaz mudou-se de Brasília, tendo prestado esse serviço à cidade.


Aumento nas contas
Edivan Batista Carvalho
Asa Sul


Pela incompetência da falta de investimentos e pelo modo atabalhoado e duvidoso das privatizações no setor elétrico, o povo já pagou com o medo do apagão que resultou no racionamento. Agora, exigir uma contribuição mensal, compulsória, a todos os contribuintes e consumidores é o fim da picada.
  Por que o grande capital que pode tudo não faz os investimentos necessários na geração e transmissão? E até podem ganhar mais dinheiro, aumentar os lucros. Ou será que vão continuar mamando nas tetas do governo, via BNDES, FCO e contas de energia do povo já tão sacrificado?


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