Nas conversas com dirigentes do PL e do PMDB, o candidato do PT a presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, costuma apresentar duas razões para o interesse do partido em buscar alianças. A primeira, imediata, é vencer as eleições. A segunda, de longo prazo, garantir a governabilidade. Ou seja, o PT prepara, desde já, o terreno político para a possibilidade de chegar ao poder. Não quer correr o risco de, vencendo, não ter condições de governar por falta de apoio no Congresso. No partido, há várias estratégias em curso movidas por essa preocupação.
Uma delas é ter uma campanha específica para candidatos a deputado, como forma de aumentar a bancada parlamentar no Congresso. ‘‘Teremos programas específicos para mostrar o trabalho dos nossos parlamentares’’, diz o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). Nas campanhas eleitorais para presidente, a disputa para o Congresso é o patinho feio. A maior parte dos recursos financeiros e de marketing acaba sendo usada apenas em favor do candidato a presidente. Os candidatos a deputado viram-se como podem. Este ano, o PT vai procurar equilibrar esse jogo desigual.
‘‘Queremos colar uma eleição na outra’’, afirma o líder do partido na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA). Pelas contas de José Dirceu, a oposição, o que inclui outros partidos além do PT, precisa ter 200 deputados e 30 senadores se quiser ter algum poder de decisão no Congresso — hoje, são 125 deputados e 17 senadores. ‘‘Se ganharmos, precisaremos de uma boa base parlamentar. Se perdermos, precisaremos ter um bloco de oposição capaz de fazer a nossa própria política’’, explica Walter Pinheiro.
A idéia, segundo o deputado, é utilizar o próprio PT, uma marca forte, como ‘‘puxador de votos’’. Na prática, significa estimular o eleitor a, pelo menos, votar na legenda. ‘‘Queremos evitar que o eleitor vote no Lula e escolha um nome qualquer, de última hora, para a Câmara’’, conta. O partido vai mostrar os projetos apresentados pelos seus parlamentares, votações importantes, tudo o que o partido chama de produção legislativa. ‘‘Vamos divulgar o jeito petista de legislar’’, diz José Dirceu.
Ao mesmo tempo, o partido prepara uma proposta de reforma política para ser apresentada ao Congresso. Algumas delas já estão em tramitação na Casa, mas o PT espera ter fôlego para modificar com profundidade a relação de forças parlamentares, caso vença as eleições. ‘‘Queremos mudar as regras de financiamento eleitoral, de suplência de senador e da proporcionalidade’’, explica ele. Temas polêmicos, difíceis de alcançarem o consenso sem uma bancada numerosa e coesa politicamente.
Até o primeiro turno, conta José Dirceu, a prioridade é buscar alianças que ampliem a perspectiva eleitoral do partido. Trata-se de um atrativo considerável para partidos menores, como o PL, que precisam garantir 5% de votos se quiserem continuar existindo. Isso não quer dizer descuidar do segundo turno. O partido faz campanha olhando para o futuro.
O PT e Lula, em especial, têm sido bastante cuidadosos no tratamento dado aos concorrentes que, no futuro, venham a ser aliados, como o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), e Ciro Gomes, do PPS. ‘‘Reconhecemos o direito desses partidos apresentarem candidaturas próprias’’, diz Dirceu. Os adversários são a governadora Roseana Sarney, do PFL, e José Serra, do PSDB.
A propaganda do PT no rádio e na televisão só vai ao ar entre abril e maio deste ano. Deve ser o último dos partidos a estar na telinha antes da Copa do Mundo e das convenções que definirão os candidatos. José Dirceu acredita que será uma vantagem. ‘‘Quem ri por último ri melhor’’, brinca.
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