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Vários
O Mestre Leo Peracchi...
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O artista
O músico Eduardo Gudim teve a idéia e coordenou o projeto de recriar os arranjos que o maestro paulista Leo Peracchi fez para músicas de Vinícius de Moraes e Tom Jobim — que o considerava um mestre. A Jazz Sinfônica executa as partituras e os vocais foram entregues às cantoras Ná Ozzetti, Mônica Salmaso, Vânia Bastos, Tetê Espíndola, Jane Duboc, Céline Imbert e Myriam Peracchi.
O disco
O único defeito deste disco é a qualidade de gravação que, feita ao vivo, às vezes impede uma audição perfeita. Mas é também a gravação diante de platéia que proporciona interpretações comovidas e comoventes como as de Tetê Espíndola para Valsa de Eurídice e de Mônica Salmaso para As Praias Desertas — bastariam essas duas faixas para fazer valer o disco. (R.R.)
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Vários
Christina Saraiva & Parceiros
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O artista
Christina Saraiva contraria as afirmações de alguns intérpretes de que faltam novos compositores na música popular brasileira. A letrista apresenta neste disco uma coletânea de suas parcerias, com Simone Guimarães, Maurício Maestro, Jaime Além e Jorge Vercillo, entre outros. Mas só canta uma das faixas, Sem Despertar.
O disco
O lirismo que povoou por muito tempo a música mineira — de Milton Nascimento a Paulinho Pedra Azul — talvez pareça anacrônico para alguns hoje em dia, mas serve de inspiração para Christina Saraiva e parceiros. Apesar da falta de originalidade, Christina é letrista eficiente e interpretações como as de Giselle Martine (Imagem) e Márcia Tauil (Fábula do Riacho) valorizam as canções. (R.R.)
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Spek
Don’t Sweat The Small Stuff
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O artista
Nascido em Montreal, o rapper Spek começou a carreira no grupo Blizzards of Poetry. Aos 17 anos, conseguiu entrar no Dream Warriors, com o qual gravou dois álbuns entre 1994 e 1997 até sair em carreira solo. Nesse álbum, ele diz ter se inspirado em músicos bem diferentes entre sim como Joni Mitchell, Soundgarden, Simon & Garfunkel, Radiohead e De La Soul. Atualmente, Spek faz turnê pela Inglaterra com o saxofonista Courtney Pine.
O disco
Agradável surpresa a estréia de Spek. Malemolente e malicioso, ele encharca o seu hip hop com pitadas certeiras de soul, reggae e rock, na linha dos sumidos Fun Lovin’ Criminals e De La Soul. I’m a Hippie e Smell The Coffee são os pontos altos do disco, que só peca pelo número excessivo de faixas: 16, e pela enésima citação a Walk on The Wild Side logo na abertura, Looking For An Answer.
(Carlos Marcelo)
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Nando Reis
Infernal
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o artista
Nos anos 80, Nando Reis era considerado a porção reggae dos Titãs. Quando deixou a barba e o cabelo crescerem, porém, assustou criancinhas e virou compositor de mão cheia, gravado por gente fina da MPB e do rock como Marisa Monte e Cássia Eller. Esse disco, gravado ao vivo em estúdio, é uma coletânea do versátil e prolífico trabalho de Nando, dentro e fora de sua banda.
O disco
As letras confessionais e as melodias envolventes são o forte de Nando Reis. Seu ponto fraco ainda é a voz pequena e desafinada, mas a interpretação em tom pungente de sucessos em vozes alheias como O Segundo Sol e Onde Você Mora? supera as evidentes limitações. De quebra, para os fãs dos Titãs, recriações de sucessos como Marvin e Cegos do Castelo. (C.M)
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Selo de qualidade
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Rosualdo Rodrigues
Da equipe do Correio
O selo discográfico da Rádio MEC, inaugurado em setembro de 2000 com discos de Hermeto Paschoal (Eu e Eles) e Sérgio Ricardo (Estórias de João-Joana), vai ganhar fôlego este ano com uma série de lançamentos — entre eles, dos grupos Água de Moringa, Sincronia Carioca e Chapéu de Palha; dos instrumentistas Tomás Improta, João de Aquino e João Carlos Assis Brasil e da cantora Telma Tavares. Mas já estão nas lojas dois discos que dão idéia do padrão de qualidade pretendido pelos idealizadores do selo (distribuído pela Rob Digital): Flores em Vida, do sambista Nelson Sargento, e o instrumental Tudo Coreto, de Carlos Malta e Coreto Urbano.
O disco de Nelson Sargento, 77 anos, é uma pequena obra-prima, uma mostra de como o samba tradicional pode evitar clichês ou aspectos folclóricos e se atualizar, sem perder as características essenciais ao gênero. A produção é do violonista João de Aquino, mas Nelson reina absoluto. Ele evita as costumeiras participações especiais — há somente uma, de Emílio Santiago, no samba-canção Labirinto de Dor — e assina todas as faixas — quatro delas em parcerias.
O carisma e a inteligência natural do compositor estão refletidos na forma como ele aborda temas caros ao samba — o arrependimento no amor (O Remorso Vai Atrás, Quando Eu te Vejo Passar), o sentimento não correspondido (Mentia), a ilusão do carnaval (A Mesma Fantasia) e a busca da felicidade (Fé em Deus), por exemplo. E um detalhe que parece irrelevante mas chama atenção em Flores em Vida: as fotografias da capa e encarte, feitas por Marco Antônio Rezende, que revelam toda a expressividade da figura de Nelson Sargento.
Tudo Coreto é produto do esforço de uma equipe liderada pelo versátil Carlos Malta. Além de arranjador e diretor musical, ele toca flauta, flautim e saxofones soprano, alto, tenor e barítono nas dez faixas do disco. Acompanhado por outros seis instrumentistas de sopro e um trio de percussionista, Malta apresenta quatro composições próprias e recria com muita inventividade músicas de Gilberto Gil, Noel Rosa, Caetano Veloso, Guinga e Pixinguinha.
O nome da banda — Coreto Urbano — define de antemão a proposta do grupo: é como se uma bandinha do interior cruzasse a cidade grande e fosse assimilando em seu som as informações da metrópole. Carlos Malta e trupe dão mais uma prova do vigor da música instrumental brasileira atual, passando da retreta ao jazz, liqüidificando ritmos nacionais e soando inusitado, sem modernices mas também sem reverências — e justamente aí definindo a personalidade de seu som. Salva dos 21 é a melhor síntese dos objetivos musicais do Coreto Urbano: alegre e cheia de citações, chega ao ápice num explosivo funk.
| SERVIÇO
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FLORES EM VIDA Disco do sambista Nelson Sargento. Doze faixas, produzidas por João de Aquino. Lançamento Selo MEC/Rob Digital. Preço médio: R$ 20,00
TUDO CORETO Disco do grupo instrumental Coreto Urbano. Dez faixas, produzidas por Carlos Malta. Lançamento Selo MEC/Rob Digital. Preço médio: R$ 20,00
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Outros lançamentos
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O titã Charles Gavin continua revirando os arquivos da Warner. Em meio à poeira dos anos 80, encontrou duas faixas gravadas em oito canais pelo Kid Abelha em 1984. As duas foram incluídas na edição remasterizada de Seu Espião, que contém os hits Como Eu Quero e Nada Tanto Assim Do Ira!, além da obra-prima Psicoacústica, reaparece o subestimado Clandestino, que envelheceu bem e contém rocks furiosos como Efeito Bumerangue e até um sambinha, Cabeças Quentes. Mas nada de faixas-bônus l Bem mais generosa é a edição de Entre e Ouça, início do processo de enciclopedização de Ed Motta, com cinco faixas-bônus. Também sai em CD o disco Heróis da Resistência, da banda carioca liderada por Leoni. Os oitentistas crônicos vão remexer as ombreiras com Nosferatu (em duas versões) e Esse Outro Mundo, mas é tudo muito datado. (C.M)
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