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01 de março de 2002
Política
DÍVIDA
Estevão cobrado na marra

Luxuosa mansão do empresário, avaliada em R$ 2 milhões, será leiloada para saldar débito de R$ 70 mil com dois ex-clientes do Grupo OK. Ele afirma que evitará a venda do imóvel e continuará discutindo na Justiça
Anamaria Rossi, Leonardo Cavalcanti e Paulo Silva Pinto
Da equipe do Correio


Zuleika de Souza 22.3.93
Mansão de três andares do ex-senador estevão no lago sul: 15 mil metros quadrados e coleção de arte no valor de R$ 5 milhões

A casa com pilastras de madeira nobre com mais de seis metros, onde mora o senador cassado e empresário Luiz Estevão de Oliveira, será leiloada às 14h do próximo dia 11. Localizada num dos endereços mais caros de Brasília, o Lago Sul, a residência foi penhorada pela Justiça e servirá para pagamento de um processo de indenização movido por ex-clientes do Grupo OK.
  Houve uma primeira tentativa de leilão na última terça-feira, mas ninguém apareceu para arrematar o imóvel de 15 mil metros quadrados. Assim, a residência será oferecida novamente em praça pública. O edital, publicado no último dia 16, convida interessados a comparecer, no dia 11, ao pátio interno do edifício Fórum de Brasília, bloco B, Praça do Buriti.
  A casa tem três andares servidos por elevador e é cercada por um vasto jardim com piscina. Dá abrigo a uma coleção de obras de arte avaliada em mais de R$ 5 milhões. Na sala de pé direito altíssimo, cujos pilares são troncos de árvores, estão espalhadas telas de Portinari, Pancetti, Djanira e Siron Franco. As obras, naturalmente, não serão leiloadas.
  No dia 26, quem aparecesse para arrematar a casa não poderia oferecer nenhum valor abaixo do preço mínimo — os R$ 2 milhões apontados pela avaliação de 18 de setembro de 2000. Na segunda tentativa de leilão, não existe preço mínimo. Leva quem der mais. A compra deve ser feita à vista ou com cheque-caução pelo prazo de três dias.
  O leilão da casa do senador cassado é um dos últimos passos de uma pendenga judicial que começou em 1994. Os irmãos Beatriz e Fábio Pinheiro resolveram cobrar judicialmente do Grupo OK o prejuízo pelo atraso de 18 meses na entrega de dois apartamentos no Edifício Ilha de Capri, na SQN 215. Calcularam o valor da causa com base nos meses de aluguel que deixaram de receber no período em que deveriam ter a posse dos imóveis.
  O prejuízo dos irmãos Pinheiro foi inicialmente avaliado em R$ 13 mil. Atualizado, o valor pode chegar a R$ 70 mil. A primeira oferta dos advogados do Grupo OK para resolver a pendenga foi uma sala comercial. Os irmãos descobriram, no entanto, que o imóvel já estava penhorado em garantia de outra dívida. As negociações não prosperaram e o processo desembocou no leilão da mansão no Lago Sul.
  Se no próximo dia 11 algum interessado aparecer para comprar a casa, e ela for vendida por R$ 1,5 milhão, por exemplo, os irmãos Pinheiro receberão apenas o valor que for dado à causa. A diferença será devolvida ao Grupo OK. ‘‘Mas esse leilão não vai acontecer’’, brada o senador cassado. ‘‘É uma dívida tão irrelevante que já deve estar até liqüidada. Se não estiver, nós depositamos o valor em juízo no dia do leilão e continuamos discutindo na Justiça.’’
  Consultado pelo Correio, o advogado José Gerardo Grossi, disse que nesses casos, o devedor costuma quitar a dívida. O leilão funciona como instrumento para forçá-lo a pagar o que deve.
  
Fazenda Santa Prisca
Não é a primeira vez que o senador cassado tem um bem leiloado. No dia 6 de setembro de 2001, a fazenda Santa Prisca, que fica próxima a São Sebastião, foi a leilão do Tribunal de Justiça para o pagamento de uma dívida de R$ 700 mil com o Banco do Brasil. A fazenda foi arrematada por R$ 17 milhões por Shilrey Telles, funcionário da OK Automóveis.
  Estevão admitiu na época que estava por trás da operação. ‘‘Vou liqüidar essa dívida que é uma merreca.’’ O cheque entregue por Shilrey para o pagamento do leilão, entretanto, não tinha fundos e o leilão acabou sendo anulado. A cobrança da dívida ainda se arrasta na Justiça.


   Enquadrado por sonegação fiscal  

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