O Governo do Distrito Federal conseguiu autorização da Câmara Legislativa para retirar R$ 40 milhões reservados no orçamento deste ano para obras de saneamento e utilizar o dinheiro na conclusão da terceira ponte do Lago Sul.
Quinze deputados distritais que apóiam o governador Joaquim Roriz aprovaram ontem à noite a proposta que transfere recursos da área de Saúde para a Secretaria de Obras. O objetivo da mudança é garantir a inauguração da ponte ainda este ano. Com a aprovação do projeto, o preço estimado da ponte chega a R$ 159 milhões, quase o dobro da previsão inicial do governo, de R$ 78 milhões.
Os R$ 40 milhões transferidos para a conclusão da ponte deixarão de ser utilizados no programa de Saneamento Básico do governo. O programa prevê a aplicação de recursos do Distrito Federal e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A verba não tinha destinação específica. Serviria para custear parte das obras previstas no programa de saneamento, como a construção das estações de tratamento de esgotos do Gama e Melchior, entre Taguatinga e Ceilândia, conclusão da segunda etapa da Barragem do Pipiripau, em Planaltina, e urbanização em Recanto das Emas, Riacho Fundo, Santa Maria e Samambaia.
Justificativas
Para garantir a aprovação do projeto, os secretários de Obras, Tadeu Filippelli, e da Fazenda, Valdivino de Oliveira, se reuniram com os distritais da base do governo. Na reunião, eles tentaram convencer os deputados de que as obras de saneamento não serão prejudicadas.
Segundo Valdivino, os R$ 40 milhões transferidos do programa de saneamento para a ponte serão compensados com recursos da Companhia de Saneamento do DF (Caesb). ‘‘Nós colocamos os R$ 40 milhões no programa de saneamento porque existia a preocupação de que a Caesb não teria recursos para pagar a contrapartida exigida do BID’’, disse. ‘‘Ocorre que a Caesb conseguiu levantar recursos próprios e liberou o governo para utilizar os R$ 40 milhões do tesouro em outras áreas’’ acrescentou.
O secretário de Obras, por sua vez, atribuiu a necessidade de mais dinheiro a ‘‘imprevistos’’ que ocorreram na obra, como alagamentos inesperados nas pistas e o aumento do tamanho das estacadas, de 17 metros para 60 metros.
Ele admitiu, entretanto, que parte do aumento dos custos ocorreu por causa do próprio projeto arquitetônico da ponte. ‘‘A ponte tem três arcos de cada lado e demandou muitos recursos mantê-los fixados. Além disso, aumentamos o número de faixas de quatro para seis’’, justificou.