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carteira de habilitação Teste de nervos Instrutores de auto-escolas e Detran dizem quais os erros mais comuns dos futuros motoristas na hora da prova prática de volante Da Redação
Segundo José Flávio dos Santos, 27 anos, instrutor do Centro de Formação de Condutores (auto-escola) Globo, o que mais pesa para os novos motoristas na hora de fazer o teste prático é mesmo o nervosismo. ‘‘Eles ainda não estão com os reflexos apurados e não sabem se virar em uma situação extrema, como uma fechada, por exemplo’’, afirma o instrutor. Ele também diz que apesar da nova legislação de trânsito ter estabelecido o mínimo de 15 horas/aula para tirar a carteira, esse número ainda é insuficiente para uma pessoa que nunca esteve sentada no banco de motorista. ‘‘Como instrutor, reconheço que é muito pouco. As aulas acabam funcionando apenas como uma preparação para o teste; não deixam o motorista apto a encarar o trânsito. O ideal seriam umas 40 horas/aula’’, sugere. O carro da auto-escola também pode atrapalhar os novos motoristas. Se dirigir automóveis antigos e que vivem falhando é difícil para quem tem experiência, imagine para quem é aprendiz. Receber aulas em um carro e pegar outro na hora da prova é um fato que também pode acontecer. Para evitar casos assim, o novo Código de Trânsito estabeleceu que os carros de auto-escola não podem ter mais de oito anos de uso. ‘‘Exige-se muito mais de um carro desses, por isso o desgaste é maior’’, afirma Flávio. O instrutor do Centro de Formação Bahia, Carlos Mota da Gama, acha que as dificuldades variam de pessoa para pessoa e que os novos motoristas não devem nunca fazer o teste prático sem estar devidamente preparados. ‘‘Eles não devem se importar com a opinião dos amigos. Mas, a pressão realmente é muito grande’’, afirma. Ele diz, ainda, que pessoas com mais de 40 anos geralmente têm uma dificuldade maior de assimilar as lições de trânsito, quando comparadas às mais novas. Pode parecer preconceito, mas a verdade é que quem está com mais de 40 anos e nunca pegou em um volante, geralmente, terá dificuldade em se adaptar à novidade. ‘‘Fiz 35 aulas, mas não me sentia preparada nem para fazer o teste’’ conta a servidora pública, Olga Ediléia. Atualmente com 47 anos, lembra que em meados de 1996 comprou um Fiat Uno. Cansada de ter de incomodar o filho toda vez que queria ir para algum lugar, resolveu tirar a carteira. Depois de umas aulas foi tentar dar uma voltinha na rua. Resultado: acabou batendo em outro carro. Olga diz que depois disso ainda tentou tirar a carteira. Inútil. ‘‘Foi uma batida leve, mas extremamente traumática. Tive várias aulas, mas não conseguia me concentrar de jeito nenhum’’, recorda. O filho casou, o carro foi vendido e Olga desistiu de tirar a CNH. ‘‘Isso não me incomoda’’, afirma. Versão Oficial Em relação aos erros mais comuns na hora de dirigir, Neuber diz que isso é muito relativo. ‘‘A questão emocional não pode ser levada como desculpa, pois o trânsito brasiliense no dia-a-dia é muito estressante. Tem que saber lidar com isso’’, afirma. O diretor de habilitação também acha que se a pessoa não aprender a dirigir em 15 aulas, não é com 20 ou 25 que o novo motorista vai estar apto para o teste prático. ‘‘Quem não a-prende a dirigir em 15 aulas, com certeza fatores externos estão envolvidos. O número de aulas previsto como mínimo para se tirar a CNH é mais que suficiente’’, afirma. Segundo Neuber, são ao todo 260 examinadores, renovados em 2/3 a cada três meses. Todos fazem curso de instrutor e depois recebem formação de examinador. ‘‘Eles também são obrigados a fazer reciclagens periódicas’’. Tirar uma carteira hoje custa, em média, R$ 350,00, com todos os serviços incluídos. No entanto, se a pessoa for reprovada — além de ter de esperar 15 dias — terá de desembolsar mais R$ 16,90 por um novo teste. Para quem quer tirar a CNH, uma dica é ir primeiro a clínica para fazer o exame psicotécnico e de sanidade física e mental, e não aos Centros de Formação de Condutores. Vale lembrar que o Detran proíbe tanto as clínicas como os Centros de Formação de indicarem um ao outro.
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