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X-Tudo/Garagem/perfil
Militante da eletrônica
Ex-líder de uma banda de rock alternativo, Giulliano Fernandez, o Hopper, trocou a guitarra pelas pick-ups e hoje é um dos DJs mais requisitados de Brasília
Da Redação
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A cada mês, Giulliano toca em uma média de dez festas e gasta quase R$ 2 mil em discos: “Adoro ver as pessoas sorrindo na pista, reagindo a cada música”
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Se existisse uma ONG da música eletrônica, Giulliano Fernandez poderia perfeitamente ser o presidente. Aos 29 anos, sob o codinome Hopper, ele é hoje um dos DJs mais requisitados de Brasília. ‘‘A música eletrônica é a minha vida’’, confessa, desculpando-se por soar um pouco piegas. Quem já teve a oportunidade de conferir sua performance de perto, sabe que ele não está mentindo.
Aphex Twin. Esse é o nome do responsável por despertar o interesse de Giulliano para o admirável mundo novo da música eletrônica. ‘‘Aquilo deu um nó na minha cabeça, era o absurdo da vanguarda’’, conta, lembrando da primeira vez em que ouviu essa espécie de papa do experimentalismo eletrônico. À época, Giulliano vestia a camisa do rock alternativo, liderando o Low Dream. Tocava guitarra e se encarregava de sussurrar canções melancólicas cantadas em inglês. O grupo, criado em 1992, foi contemporâneo de nomes como Raimundos, Maskavo Roots e Oz.
Paralelo à paixão pelo rock, o interesse pela eletrônica começou a se intensificar. No verão de 1996, Giulliano fez sua primeira viagem a Londres, onde participou de um workshop de DJ. Lá tomou as primeiras aulas e aprendeu lições básicas para domar uma pick-up. Quando voltou ao Brasil passou a treinar por até 12 horas seguidas a arte da mixagem. Foi levando os dois trabalhos paralelamente, até que, no final de 1997, com dois álbuns nas costas, a Low Dream (foto) acabou.
‘‘Não estava cansado do rock, mas estava cansado de ter uma banda’’, explica. Uma crise interna acabou sendo o estopim para dar fim ao grupo, formado pelo irmão e baterista Giovanni Fernandez, o baixista Samuel Lobo e o guitarrista Luiz Eduardo Menezes. ‘‘Foi um processo natural, era muito desgastante batalhar pelas coisas e não receber retorno ’’, conta Samuel.
Sozinho, Giu, como é chamado pelos amigos mais próximos, pôde, enfim, dedicar-se exclusivamente à música eletrônica. Aos poucos, consolidou o nome na cena local. Hoje, Hopper toca em pelo menos dez festas por mês e seu cachê para animar uma balada sai por R$ 400,00. Chega a tocar em dois lugares diferentes na mesma noite.
Adepto da ala underground da música eletrônica, Hopper é especialista em tech-house e tem como ídolo os DJs Mr.C e Plastikman. Nos últimos seis meses, se deu ao luxo de viver exclusivamente de seu trabalho como DJ. Pediu demissão da empresa em que trabalhava como jornalista e passou a se dedicar ao seu mais novo projeto, uma loja de roupas multimarcas: a Megatribe. ‘‘A música eletrônica está muito ligada com a moda, a arte, o design. Os adolescentes de hoje já nasceram de piercing e tatuagem’’, justifica. A loja, inaugurada há um mês, foi estrategicamente instalada no Conic, templo da cultura underground.
A namorada Letícia Soares, 21 anos, é quem dá uma força para tocar o empreendimento, passando boa parte do dia por lá. ‘‘Admiro muito o esforço dele e estou realizada em poder trabalhar em prol de um negócio que é nosso’’, orgulha-se Letícia. Os dois estão juntos há dois anos. Apesar de já ter passado pela experiência de morar sozinho, Giulliano atualmente vive com a mãe. E ele avisa que só deixa o apartamento de dona Yolanda para casar.
‘‘Estou muito feliz com a minha carreira e acredito que só fiz outras coisas na vida até descobrir o que era ser um DJ.’’ Para manter-se sempre atualizado, todo mês gasta, em média, a bagatela de R$ 2 mil com novos discos. Para ele, é um investimento necessário para continuar cumprindo a missão de informar musicalmente as pessoas. ‘‘Adoro ver a pessoas sorrindo na pista, levantando as mãos, reagindo a cada música.’’
Amor pela cidade Desde 1984 em Brasília, Giulliano se diz um apaixonado pela cidade. A vinda para a capital federal aconteceu depois da separação dos pais, quando a mãe decidiu deixar para trás a cidade paraense de Santarém. ‘‘Não deixo Brasília por lugar nenhum no mundo e é por isso que me esforço para fazer dela uma cidade melhor.’’
Os planos para o futuro consistem em ampliar o projeto Megatribe. O próximo passo é montar uma agência de DJs, no mesmo esquema de uma agência de modelos, com um profissional encarregada de marcar datas e acertar o valor do pagamento de cachês.
O sonho maior, no entanto, é conquistar cada vez mais seu espaço como DJ. ‘‘Quero muito tocar na Europa, nos Estados Unidos. A vantagem da música eletrônica é que não há o impedimento da língua.’’
A pista de Hopper
Artista - Música Tiga & Mateo Mufphy - Night Train Mr.C - Click Gaetano Parisio - Chapter 5 Christian Smith & John Selway - Luminor Tom Parris & People on Process - Watch This Haris - Party Zan Dub Masa - Basscharger (Purveyors of Fine Funk remix) Sharpside - Space Cruising Comminoto - Trouble Pure Science - Speak to God
Cena em ebulição
O caldeirão da música eletrônica ferve cada vez mais em Brasília. Em um fim de semana qualquer, o público tem pelo menos três opções de agitos para chacoalhar o esqueleto. Estrelas do quilate do brasileiro Marky, o rei do drum’n’bass, são figurinhas constantes nas festas da cidade. Música eletrônica deixou de ser sinônimo de gueto por aqui.
‘‘Temos hoje a segunda cena do país. Ficamos atrás apenas de São Paulo’’, garante Giulliano Fernandez, o DJ Hopper. Promoters acostumados a promover baladas para o grande público — leia-se patricinhas e mauricinhos — descobriram nas raves um grande filão de mercado. Hoje, um agito do gênero chega a reunir duas mil pessoas. O trance, uma das vertentes mais digeríveis da música eletrônica, é normalmente o som que embala esses agitos. Óculos escuros, apitos e pirulitos compõem o kit rave dos arrumadinhos-descolados.
A proliferação de DJs é um fenômeno cada vez mais freqüente. Surgem aos montes e tocam de tudo: house, techno, eletro, tech-house, drum’n’bass e, principalmente, trance. Algumas festas já são tradicionais na cidade e acontecem com certa periodicidade. Alguns DJs, como Hopper e Oblongui, têm até residência fixa em algumas casas, como Gate’s Pub e Sollarium Blues. A prática, muito comum em cidades como São Paulo, começa timidamente a ser aplicada em Brasília.
‘‘Não somos mais a capital do rock. A terceira geração de Brasília é a da música eletrônica’’, aposta Hopper. Na próxima sexta-feira, um grande evento do gênero acontece por aqui, com direito a DJ Marky e tudo. O palco da balada será um templo da elite brasiliense, a Academia de Tênis. Prova de que a cidade entrou definitivamente na rota nacional do tuntistun.
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Fuzzbox
Depois do metal finlandês do Sonata Arctica, que tocou no sábado, Brasília receberá mais um show gringo esta semana: a banda canadense Figure Four promete detonar seu crossover de hardcore e metal na quinta-feira, na Espetácullus Hall (SIA, trecho 2), a partir das 19h.
Formado na cidade de Winnipeg (a mesma que sediou os Jogos Pan-Americanos de 1999), o Figure Four tem dois discos gravados, No Weapon Formed Against Us (2000) e When It’s All Said and Done (2001). A turnê, que começou na última sexta-feira, em Diadema (SP), passará por 16 cidades brasileiras até 14 de abril.
O show brasiliense terá abertura das bandas locais Macakongs 2099, Arcanjo e Radical Sem Dó e da paulista Sangue Inocente. Ingressos a R$ 8,00, mais um 1kg de alimento não-perecível.
O selo brasiliense Prótons comemora um ano de atividades com festival nos próximos dias 6 e 7, que marcará a reabertura para shows do Auditório do Sesc (913 Sul). A programação terá Dance of Days (SP), Gramofocas, Noção de Nada (RJ), Pulso, Rockacola e Vernon Walters (no dia 6); Garage Fuzz (SP), Pelebrói Não Sei (PR), Prot(o), Bois de Gerião, Jack Fluster e Spectroman (no dia 7). Mais informações no site www.protons.com.br
Já estão à venda os ingressos para o show do Krisiun, no dia 13 de abril, na Espetácullus Hall. Antecipados a R$ 10,00, na Berlin Discos (Conic) e Porão 666 (Taguatinga, perto do Alameda Shopping).
Também no dia 13, vai ter O Rappa na tenda comunitária da UnB, com direito à festa eletrônica depois do show.
Começam hoje as inscrições para o Porão do Rock 2002. Os interessados em participar do festival, inicialmente previsto para os dias 13 e 14 de julho, devem enviar três cópias de CD, demo ou independente, e release para o escritório da G4 Produções — SCLN 207, Bloco A, sala 210/211, CEP: 70.852-510. Quem já se inscreveu no ano passado e não gravou mais nada desde então, basta enviar apenas uma cópia do CD com release. Mais informações pelos telefones 3032-1801 e 3032-1802.
Duas baixas do rock alternativo: a banda gaúcha Video Hits e a brasiliense Divine anunciaram o fim de suas atividades.
Por outro lado, a goiana MQN está lançando, finalmente, o primeiro CD, Hellburst. Mais novidades pelo site da Monstro Discos: www.monstrodiscos.com.br
A Rádio Câmara FM (96,9MHz) alterou o dia de exibição do Marco Zero, dedicado aos lançamentos do pop/rock internacional. O programa mudou para as terças-feiras, às 23h. Na edição de amanhã, dois discos do Gorky’s Zygotic Minci — How I Long to Feel that Summer in My Heart e o EP The Blue Trees —, um bloco com Jay Farrar — nas bandas Uncle Tupelo e Son Volt e em sua estréia solo — e uma homenagem ao Oscar, com Cameron Diaz soltando a voz na trilha de Vanilla Sky e Nicole Kidman em dueto com Robbie Williams.
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