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Prato principal
Alimento delicioso e muito saudável, o peixe é a refeição tradicional da Semana Santa. Mas é preciso observar alguns cuidados para comprar um produto de boa qualidade
Liana Sabo
Da equipe do Correio
| Fotos: Nehil Hamilton |
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Rico em cálcio, iodo, vitamina B6, proteínas, baixo teor de gorduras, além de ínfimas calorias, o peixe é indispensável para a nossa saúde. Em determinadas espécies, como a cavala e o salmão, a concentração maior de gorduras polinsaturadas, como o Ômega 3, tem sido associada à diminuição do colesterol. Este fato até levou a American Heart Association (Associação Americana do Coração) a recomendar o consumo de duas porções de peixe por semana. Apesar disso, come-se pouco, a não ser nesta época do ano, quando a oferta triplica e a procura explode.
É na Semana Santa que o peixe — um dos alimentos mais antigos da humanidade — tem o maior ibope. Por motivos religiosos, ele passou a freqüentar a mesa especialmente em ocasiões festivas. Ao contrário de outros alimentos que podem ser guardados, o peixe só vale fresco (com exceção do bacalhau, que é salgado). Por isso a escolha do peixe é tão importante.
Verifique, em primeiro lugar, se os olhos estão claros e brilhantes e a pele úmida. As guelras devem ser vermelho-rosadas e as escamas, difíceis de remover. Quando pressionada, a carne deve voltar facilmente. Quanto ao odor, o peixe deve cheirar bem e estar limpo. Isto vale também para a escolha de filés e postas. Uma dica: se o filé tornar-se levemente sem vigor na volta das compras, reavive-o como os pescadores fazem. Adicione uma colher de sopa de sal a um litro de água gelada numa tigela. Mergulhe o filé nessa mistura por cerca de 15 minutos.
Limpar o peixe não é tarefa difícil. Comece deixando-o de molho em água fria para facilitar a descamação. Em seguida, corte as nadadeiras, depois segure-o pela cauda e, com a faca, raspe as escamas no sentido da cauda à cabeça. Corte a barriga, retire as vísceras e guelras e raspe o interior com a ponta da faca. Lave bem em água corrente.
Papel alumínio O céu é o limite na escolha das receitas que podem ser preparadas com peixe. Assados, cozidos, musses, fritos inteiros ou em bolinhos, peixes com temperos diversos, peixes simples e sofisticados, de água salgada e de água doce — cada grupo étnico tem suas preferências. O Guia selecionou duas das mais criativas: sardinhas recheadas do chef Benito Agati, que comandou a cozinha do restaurante Satyricon, do Rio de Janeiro, e salmão na massa folhada de Lúcia Nascimento e Edir Nascimento e Silva, dupla de patroa e empregada que publicou o livro de receitas O Banquete dos Sentidos.
Se você quiser simplificar o preparo, poderá optar pelo peixe assado inteiro em camadas de sal grosso e enrolado em folha de papel alumínio para evitar a dispersão dos aromas e destacar o sabor dos temperos. Sobre esta técnica há uma curiosidade: numa matéria na revista de domingo do The New York Times, o crítico de restaurantes Craig Claiborne disse que a idéia de cozinhar peixes envoltos no papel pode ter surgido no começo do século na Louisiana, no Antoine, famoso restaurante de New Orleans, que serviu um prato enrolado em papel na forma de um balão em homenagem a um bastante conhecido balonista brasileiro: Alberto Santos Dumont. A história é lembrada por Saul Galvão, no prefácio do livro A essência do sabor, cozinhando com papel-alumínio, onde reconhece que Santos Dumont merece também essa homenagem.
Cuidados com o peixe
AO ESCOLHER
Os peixes frescos têm de estar conservados em gelo. O consumidor deve verificar a aparência do peixe, observando se a barriga está firme à pressão dos dedos, os olhos brilhantes e salientes e as escamas bem presas ao corpo — peixes de couro devem ter pele viscosa e úmida, sem ferimentos. Só devem ter o odor de mar ou de rio, que não pode ser desagradável
O consumidor deve evitar comprar pescados em postas ou filés, pois nestas condições não é possível avaliar as características necessárias para a boa qualidade do produto. No supermercado, os peixes devem estar em balcão frigorífico. Já na feira, é necessário ter gelo picado por cima, estar exposto em balcão de aço inox inclinado e protegido do sol e insetos
No caso do peixe congelado e vendido embalado, o balcão onde ele estiver armazenado não pode estar superlotado. Isso impede a circulação do ar frio e compromete sua qualidade. A presença de gelo indica que o balcão foi desligado ou teve sua temperatura reduzida temporariamente. O produto congelado deve estar conservado sempre abaixo de 18 graus e o resfriado, abaixo de zero grau
O consumidor deve observar se o rótulo possui o registro no órgão de fiscalização competente, indicação de temperatura para conservação, data de acondicionamento e prazo de validade
A presença de manchas avermelhadas ou pintas pretas no dorso do bacalhau são sinais que indicam a presença de bolor ou deterioração do pescado
Caso identifique algum alimento estragado ou fora dos padrões citados, o consumidor pode denunciar no Núcleo de Inspeção de Brasília: 345-8426
AO LIMPAR
Peixes de escama
1. Deixe de molho em água fria por 15 minutos para facilitar a descamação
2. Corte as nadadeiras laterais e dorsais com uma tesoura ou faca bem afiada
3. Segure o peixe pela cauda e, com a faca, raspe as escamas no sentido da cauda à cabeça
4. Corte a barriga no sentido longitudinal, da cauda à cabeça. Retire vísceras e guelras e raspe o interior com a ponta da faca. Lave bem em água corrente, removendo todo o sangue
Peixes de couro roliços
Corte a pele junto à cabeça, em toda a volta, e puxe-a de uma só vez, em um único movimento em direção à cauda
Peixes de couro chatos
Corte a pele junto à cauda e puxe-a, com um único movimento, em direção à cabeça
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Sugestões de receitas
SARDINHAS RECHEADAS À MODA DO BENITO
Ingredientes
16 sardinhas limpas e abertas 2 sardinhas picadas 100 g de mortadela picada 100 g de farinha de rosca 50 g de queijo parmesão ralado 3 ovos 1 dente de alho picado 8 folhas de manjerona picada 1 colher (sopa) de salsa picada 1 cl (sopa) de farinha de trigo Sal e pimenta-do-reino Óleo para fritar
Preparo
Amasse bem as duas sardinhas picadas com a mortadela, o queijo parmesão, os ovos, os temperos e duas colheres de sopa de farinha de rosca. Espalhe sobre uma tábua a farinha de trigo e a seguir cubra com o restante da farinha de rosca
Abra a massa com 1 cm de altura sobre a tábua. Abra as sardinhas, retire as espinhas e coloque-as com a pele para cima, sobre a massa. Aperte um pouco para a massa aderir ao recheio. Recorte com uma faca o contorno das sardinhas, com o recheio para baixo, no óleo bem quente. Frite cada lado por 2 minutos, sirva com uma salada de tomates e cebolas
SALMÃO NA MASSA FOLHADA
Ingredientes
1 pacote de massa folhada 2 kg de salmão fresco 1 cl (sopa) de salsinha 1 cl (sopa) de dill picado 2 cls (sopa) de azeite de oliva Sal e pimenta a gosto 1 ovo
Para o molho
6 maracujás 1 cl (sopa) de dill picado 1 cl (sopa) de salsa picada 200 ml de maionese 1/2 copo de creme de leite fresco Sal e pimenta a gosto
Preparo
Retire a pele do salmão e tempere com sal, pimenta, azeite, dill e salsinha. Deixe marinar por 2 horas. Abra a massa bem fina em uma mesa polvilhada com farinha e corte-a em duas partes iguais
Coloque em uma assadeira untada uma parte da massa, faça furos com um garfo e leve ao forno pré-aquecido a 180º por 10 minutos. Reserve. Coloque o salmão em cima da massa semi-assada. Pincele as bordas com o ovo batido
Cubra com a segunda parte da massa, ainda crua. Faça 4 pequenos cortes e pincele toda a massa com o ovo batido. Enfeite como quiser. Leve ao forno, reduza um pouco a temperatura e asse até a massa ficar morena
Bata os maracujás do molho no liquidificador e reserve algumas sementes para decorar. Passe na peneira e bata novamente com o dill, a salsa, a maionese, o creme de leite, sal e pimenta a gosto. Esquente em banho-maria
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