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marketing Para relaxar Laboratório de análises clínicas da cidade utiliza música ao vivo como forma de acalmar os pacientes enquanto eles esperam a hora de fazer os exames Everton Venâncio Da equipe do Correio
Sensação semelhante sentiu a secretária executiva Estela Morgado, 30 anos. A poucos dias do seu casamento, Estela resolveu fazer alguns ‘‘exames de rotina’’ com seu futuro marido e acabou se surpreendendo ao chegar ao local dos exames. ‘‘Adorei a idéia. O momento de coleta de sangue é muito tenso e essa música acaba sendo uma forma de distração e relaxamento para os pacientes’’, aprovava. Assim estava o clima, conferido de perto pela reportagem do Correio, num dos laboratórios de exames do Distrito Federal na última semana. A empresa resolveu quebrar a tradicional imagem de hostilidade de um laboratório e criou o projeto Música por todo o Sabin, onde seis músicos se revezam pelas unidades da empresa acalmando e distraindo os pacientes com repertórios variados e tocados ao vivo no violão. No repertório, desde sucessos da MPB, passando pela música clássica e sucessos da Bossa Nova, até desembarcar no blues americano. Aprovado A criatividade pegou de surpresa até mesmo os músicos que participam do projeto. Lindomar Corrêa, 32 anos, músico há mais de dez, é um deles. Acostumado a tocar em bares e em bandas na noite gaúcha, Lindomar resolveu vir para Brasília e acabou dividindo seu talento entre a boemia e as manhãs de música no laboratório. ‘‘Foi muito estranho começar a tocar num ambiente sóbrio como esse. Estava acostumado a ver cerveja, copos, rodas de amigos e muito barulho’’, conta. ‘‘Hoje, no entanto, descobri como é gratificante realizar esse trabalho de tocar para essas pessoas. Na verdade isso se tornou uma terapia para mim e garanto que para eles também’’, diz Corrêa, que agora só toca em bares e bandas durante os fins de semana. Entre as histórias que marcaram o trabalho de Lindomar, desde que chegou ao laboratório, há dois anos, está o choro de uma senhora de meia idade. Segundo Lindomar, ela se emocionou ao ouvir o rapaz tocar um clássico da Bossa Nova e até o convidou para tocar numa festa que faria em sua casa. ‘‘E é justamente por causa desse carisma todo que esse trabalho se tornou algo muito diferente e especial para mim’’, confessa. E os funcionários o que acharam da idéia? ‘‘O dia que os músicos não aparecem a gente sente muita falta’’, responde a atendente Juliane Carvalho de Paula, 25 anos. Juliane trabalha há seis meses no local e garante que a música alivia o estresse dos pacientes, mas também ajuda ‘‘e muito’’ no trabalho cotidiano dos funcionários. ‘‘Trabalhamos muito mais tranqüilos. Quando chega a hora do músico ir embora parece até dar um vazio aqui no nosso ambiente de trabalho’’, confessa. A música, segundo a diretora Sandra, foi uma iniciativa de sucesso e está tranqüilizando os clientes que cada vez mais passam a aprovar a idéia. ‘‘Ainda mais para quem vai tirar sangue e acaba com medo da agulha’’, concorda a paciente Ana Maria. A idéia de contratar músicos para alegrar e descontrair o ambiente surgiu, segundo Sandra, numa das reuniões da diretoria da empresa, onde as cores e a estrutura das flores também tiveram que ser mudadas. Além disso, uma brinquedoteca, montada num dos espaços do laboratório, foi criada para as crianças de divertirem enquanto não chega a vez de realizarem os exames. ‘‘Tudo para relaxar o paciente. Independentemente da idade. Essa foi nossa preocupação desde o momento de formular todas essas idéias a hora de colocá-las em prática’’, diz Sandra. O projeto começou com dois músicos e hoje já conta com seis, que se revezam em escalas para visitar todas as unidades do laboratório. O horário de trabalho desses artistas vai de 7h e 11h diariamente e aos sábados, os profissionais da música laboratorial fazem ‘‘serenatas’’ para as pessoas que precisam esperar, em repouso, por até duas horas para estarem aptas a realizar alguns tipos de exames. O número de brinquedotecas também cresceu desde o início do projeto: já chega a duas, uma na unidade da 914 Sul e outra em Taguatinga Norte. ‘‘Um iniciativa simples, no mínimo criativa, e que está conseguindo ganhar a aprovação da grande maioria dos pacientes’’, conclui a diretora. |
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