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FRANÇA Estranhos candidatos à Presidência Da Reuters
A menos que aconteça uma surpresa de proporções sísmicas, nenhum dos candidatos considerados nanicos passará ao segundo turno das eleições, marcado para 5 de maio. No entanto, analistas políticos entendem que a grande quantidade de candidatos reflete uma profunda desilusão entre os eleitores franceses. ‘‘As pessoas estão descontentes com os principais candidatos’’, disse Jean-Luc Parodi, diretor do Centro de Estudos da Vida Política Francesa. O primeiro-ministro francês, o socialista Lionel Jospin, espera bater seu principal adversário, o atual presidente Jacques Chirac, conservador. Mas o fato é que tanto Jospin como Chirac perderam simpatizantes nos cinco anos em que governam a França, num processo que os franceses chamam de co-habitação. ‘‘Já que os dois principais candidatos estão no poder, as pessoas que estão fartas da situação procuram outra opção’’, explica Parodi. Uma França mais sexy? Cindy Lee, que tem 29 anos, espera animar o país com a implementação de um serviço de emergência grátis, uma espécie de ‘‘médico do amor’’, para atender as pessoas solitárias e promover lições de sedução para os jovens e estender o direito ao prazer para todos. Parece pouco provável que a candidata consiga até as 500 assinaturas necessárias para concorrer às eleições. Os mais céticos afirmam que ela só se lançou candidata para se autopromover. O cachorrinho chamado Salsicha também deverá fracassar como candidato à Presidência, depois de sobreviver como isca nas brigas de cães. Salsicha, que já tem uma certa experiência na vida política — obteve 4% dos votos nas eleições municipais de Marselha no ano passado — é um exemplo de que os eleitores estão cansados de um sistema político centrado no enfrentamento, segundo seu dono, Serge Scotto. ‘‘Salsicha está advertindo os políticos que, a menos que melhores, os cidadãos preferem votar num cachorro do que neles’’, disse Scotto. Parodi se mostra bem mais cético que Scotto. ‘‘Nenhum desses candidatos insólitos tem condições de chegar ao segundo turno. Eles se limitam a desfrutar de uma certa fama para depois voltar ao anonimato político’’, afirma. Com Jacques Chirac e Lionel Jospin protagonizando campanhas semelhantes com promessas de redução de impostos e luta contra a criminalidade, os candidatos pequenos têm pouco a fazer. Olivier Besancenot, um carteiro de 27 anos que trabalha numa das regiões mais elegantes de Paris, tem como carro-chefe de campanha a redução para quatro dias da semana de trabalho e a legalização da maconha. |
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