Brasília, quinta-feira, 28 de março de 2002
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Causa nobre

Por Fernando Calmon
fernandocalmon@usa.net

Nos últimos trinta dias, quatro dos principais executivos da indústria automobilística mundial estiveram, coincidentemente, no Brasil. É uma demonstração inequívoca de que, apesar dos problemas originados da queda do mercado iniciados em 1998, continuamos na rota dos investimentos e no centro de decisões estratégicas. Ferdinand Piech, da Volkswagen, veio para inaugurar a modernização da mais antiga fábrica de automóveis brasileira e a linha de montagem do Polo. Depois, Jean-Martin Folz, da Peugeot-Citroën, esteve em Porto Real, RJ, onde o grupo francês construiu uma planta de motores que consolida sua presença no país.

  Mais recentemente, Richard Wagoner, da General Motors, participou da convenção de lançamento para as concessionárias do novo Corsa. E agora, Mauro Pesquero, representando Paolo Cantarella, da Fiat, concluiu uma missão pouco expressiva comercialmente, porém importante: criação de Centros de Mobilidade. A empresa italiana e o Banco Real ABN doaram três simuladores de direção de última geração aos Detrans de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. E a fábrica doará, ainda, três automóveis adaptados para que portadores de deficiência — ou limitação física, como preferem alguns — possam realizar provas práticas e receber carteira de habilitação.

  Carros modificados formam um mercado de nicho, estimado em no máximo 4 mil unidades/ano, embora existam no Brasil algo como 17 milhões de limitados fisicamente. Apesar disso, os fabricantes vêm procurando atendê-los melhor. A Volkswagen iniciou, semana passada, um programa que envolve 180 concessionárias. A Fiat dispõe de 101 lojas com assistência especializada, mas seu envolvimento é mais amplo, tendo começado em 1996 e na Itália, em 1994.

  A idéia dos Centros de Mobilidade está bem difundida na Europa, com 28 instalações. A fábrica mineira propõe começar com três centros que, para se tornarem operacionais, necessitam da pista de testes de habilitação. Brasília terá a primeira. Esse e outros assuntos foram discutidos num seminário, em São Paulo, SP, com a presença do ministro da Justiça e presidente do Contran, Aloysio Ferreira. Ainda falta muito para a sociedade remover obstáculos físicos e admistrativos a favor de quem enfrenta dificuldades de locomoção.

  A experiência italiana envolve desde estímulos fiscais diretos na compra de automóveis adaptados, deduções no imposto de renda dos juros pagos e até direito para adquirir um veículo convencional com incentivos e outra pessoa conduzir. O diretor de Inovação Tecnológica da Fiat, em Turim, Alessandro Coda, é um grande exemplo. Ele continua a dirigir, após mais de meio milhão de quilômetros rodados, sem utilizar os braços e sem um único acidente. Coda disse a esta coluna que 24% da população, na Itália; 20%, nos EUA; e 7%, no Brasil têm mais de 60 anos de idade.

  Muitas destas pessoas querem permanecer dirigindo, mas progessivamente encontrarão dificuldades físicas semelhantes a quem já as enfrenta por doença ou acidente. Daí a importância crescente dos simuladores dos Centros de Mobilidade. Com ajuda de recursos eletrônicos, óticos, sonoros e mecânicos analisa os dados e imprime um atestado. Torna-se o melhor indicativo das modificações necessárias para guiar com segurança. A causa é nobre.


Roda viva

Taxa básica
Novas rodadas de quedas homeopáticas da taxa básica de juros, na base de 0,25% ao mês, não influenciarão muito na ponta final de financiamento ao consumidor. As prestações devem cair pouco — mais influenciadas pelas taxas de juros no mercado futuro —, mas estimulam negócios em geral e as vendas de automóveis em particular.

Descontos
Mercado continua com oferta bem maior que demanda. Por isso, descontos médios chegaram a 9% no mês passado, segundo pesquisa da Agência AutoInforme. Trata-se do nível mais favorável de preços praticados, em relação às tabelas oficais sugeridas pelos fabricantes, nos últimos 12 meses.

Surpresas
Algumas surpresas nas estatísticas de vendas efetivas (emplacamentos nacionais) no primeiro bimestre. Picasso colou no Scénic, deixando Zafira para trás. Até Doblò, modelo que não chega a concorrer diretamente, está bem perto do monovolume da GMB. Vendas do Marea despencaram em fevereiro para menos da metade (363 unidades), se comparadas aos meses do ano passado, pós-reestilização traseira.

Aviso prévio
Falência repentina de fornecedor de componentes de borracha obrigou Volkswagen a encostar muitas unidades incompletas nos pátios. Relações tensas entre fabricantes e fornecedores por questão de preços podem levar a prejuízos ainda maiores. Quem discorda pode parar de fornecer; outros ‘‘quebram’’ sem aviso prévio.

Informações
Leitor Eduardo Kull, de Ribeirão Preto, SP, observa: alguns dispositivos luminosos de segurança do novo Corsa hatch foram suprimidos. Versão européia tem terceira luz de freio (apesar das lanternas altas) e luzes repetidoras laterais. Queixa-se também de falta de informações mais completas sobre este modelo no site da empresa na Internet, após lançamento oficial.

 
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