Brasília, quinta-feira, 28 de março de 2002
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A greve e sua razão


 
Talvez a paralisação dos professores da rede pública no DF não seja total, mas certamente é apoiada por todos os professores. Mesmo aqueles que estão nas salas de aula, motivados por problemas de cunho pessoal (em sua grande maioria causados pelos nossos salários miseráveis), apóiam a greve. Por quê? O desrespeito do GDF para conosco ultrapassa todos os limites.

  Além dos salários defasados, nem sequer podemos contar com nossos parcos vencimentos, pois o governo constantemente atrasa o vale-transporte, as férias, o 13º salário. Falar da miséria financeira em que vivemos é desnecessário.

  Após dez anos de magistério, cinco deles na rede pública; e após formar-me em Pedagogia e estar prestes a concluir o curso de Mestrado em Educação na UnB, meus vencimentos são de R$ 211,10. O restante do meu salário são ‘‘gratificações’’, penduricalhos que se avolumam em nossos contracheques. Mas isso não é o pior. Desgastante são as condições de trabalho.

  Onde leciono atualmente, uma turma de 1ªPeríodo da Educação Infantil, com 30 crianças, a minha sala de aula é assim: não tem banheiro; a iluminação é inadequada; não tem boa acústica e, até pouco tempo atrás, não tinha parte de uma das paredes. O banheiro utilizado pelos pequenos alunos fica ao lado do portão da escola; tem dois vasos sanitários que são usados por 180 crianças de 4 anos de idade.

  A escola não dispõe de material pedagógico ou de consumo. Os jogos e brinquedos pedagógicos que meus alunos utilizam foram comprados com meu miserável salário, ou foram criados e confeccionados pelas minhas próprias mãos (com material que comprei). Até mesmo a massinha de modelar que as crianças usam é caseira, feita pela professora. Fazendo as contas, no fim do mês, estou pagando para trabalhar, porque compro material e pago vale-transporte com meu dinheiro.

  O governo nunca manda material para as escolas públicas; quando o faz o material é de baixíssima qualidade. Somente quando ingressei na carreira do magistério público descobri que existe cola que não cola, giz de cera que não pinta, lápis que não escreve, fita adesiva que não prega... Pior: esse material é comprado sem licitação, em grande quantidade, e com dinheiro público.

  A merenda oferecida às crianças é um verdadeiro desrespeito. Veja o ‘‘cardápio’’: quatro biscoitos salgados (quebradiços e sem gosto) com 200ml de leite ralo; ou arroz seco com sardinha malcheirosa; ou um copo de sucrilhos e 200ml de leite em pó; ou arroz seco e almôndegas enlatadas insalubres... E assim vai a semana toda.

  Enquanto isso, quando chegamos em casa, cansados de um dia estafante de trabalho, ligamos a TV e vemos a propaganda do GDF, que nos chama de ‘‘irresponsáveis’’ porque a greve está impedindo crianças ‘‘carentes’’, de receberem a ‘‘nutrição’’ da merenda escolar. E nos perguntamos: que ‘‘nutrição’’ tem essa merenda? E será que a função da escola pública é servir de ‘‘restaurante popular’’?

  Chega! Por não suportarmos mais tais acintes, contra nós mesmos e contra a população, nós, educadores, estamos em greve. Para garantir o direito das crianças no DF a uma escola pública de qualidade. A greve dos professores nunca foi contra a população, como quer fazer crer o sr. governador, por meio da sua propaganda enganosa. A greve é contra um governo que prefere gastar na construção de viadutos e pontes a investir na educação das novas gerações. Não podemos ficar calados, pois na educação está o futuro do nosso país. Monteiro Lobato já dizia sabiamente: ‘‘Um país se constrói com homens e livros’’. Nós perguntamos: quem forma o homem, e o ensina a ler, se não o professor?


Conveniência

Anésio de Oliveira Lima
Taguatinga

Sr. ACM, a hora certa para falar (denunciar), era naquele momento, mas falar ‘‘naquele momento’’ era conveniente para o sr.???


Base impede

Wilson Lima
Brasília

Os deputados da base governista estão fazendo de tudo para que o Plano de Cargos e Salários dos servidores do Poder Judiciário não seja aprovado. Nós, servidores daquele poder, não estamos pedindo nada demais, haja vista o novo Plano de Cargos da Câmara dos Deputados, aprovado recentemente.

  De duas uma: ou aprova o nosso plano ou não vai haver eleição dia 3 de outubro. Para isso, estamos articulando com os servidores do TSE e TRE-DF para se rebelarem. E mais, não queremos que tirem uma vírgula do que está lá.


Dia de cão

Edilson Ricardo
Taguatinga

Terça, dia de cão, tudo aconteceu. A cidade parou em Taguatinga, Ceilândia, Brazlândia, Vicente Pires, Águas Lindas etc. Um engarrafamento de pelo menos 25 quilômetros. As pessoas levaram em média duas horas para chegar ao destino. Normalmente levam quarenta minutos para chegar ao Plano. Desta vez foi um exagero. Interditaram uma das vias de acesso, sobrecarregando o tráfego na Estrutural, os carros estavam transitando de primeira marcha, vários não agüentaram e ficaram pelo caminho.

  Por quê? Alguns falavam de engavetamento com seis automóveis, uns diziam ter presenciado uma tentativa de linchamento e outros de atropelamento com vítima fatal. O que ficou claro é que a cidade está cada dia mais violenta e o trânsito cada dia pior. Por que não aumentam aquela via para seis pistas? Como resolver o problema de violência na cidade? Agora usam a Estrutural para assaltar ônibus. Garoto de 13 anos provoca uma confusão dessa numa manhã de terça-feira para assaltar um ônibus lotado. Isso é coisas de cinema.


Desvio

Cláudio Magalhães
Taguatinga

É uma vergonha o desvio que foi colocado no sentido Taguatinga—Ceilândia, onde se fez necessário desviar o trânsito para continuidade de obra. Porém o desvio que foi feito está esburacado, causando danos aos veículos, a curva se estreita causando colisões, e não há sinalização suficiente, como placas e faixas pintadas no desvio.

  Peço que interfiram junto à empresa que está realizando a obra para que melhore esse desvio, para que não seja tão oneroso para a população a caminho de casa.


Vítimas

Marcos Souza
Asa Norte

Autores de crimes hediondos podem tornar-se mais violentos? A certeza está em que as vítimas são cada vez mais vítimas.



Dispensa

Antônio Marcos de Paulo
Núcleo Bandeirante

Eleitor, você pensa que pensa? Pensa mal! Quem pensa por você é a propaganda eleitoral!



Atenção

Valmir Carvalho Curvina
Asa Norte

Senhores da CPMF: o equilíbrio orçamentário também pode ser atingido reduzindo-se despesas.



Palhaços

Jorge Corrêa
Asa Norte

Estão nos fazendo de palhaços. Para diminuir o preço da gasolina na bomba, leva pelo menos 3 dias. Para aumentar...três minutos e... já aumentou! Não é brinquedo, não! O governo já descobriu de onde tirar mais dinheiro. O BC pensa em taxar a poupança em 20%. Era só o que faltava.


 
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