Brasília, quinta-feira, 28 de março de 2002
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Entre para a turma dos Karas

Série de livros de suspense conquista os adolescentes. O autor, Pedro Bandeira, é um sessentão que faz questão de tratar de assuntos polêmicos, sem constrangimentos

Da Redação


 
Quem nunca se imaginou vivendo uma grande aventura, dessas que envolvem resolver crimes e mistérios, ao lado de amigos que topam qualquer parada? A turma dos Karas, criada pelo escritor Pedro Bandeira em 1984, deixa vários leitores mirins com os olhos grudados em livros como A Droga da Obediência e Pântano de Sangue. Tem até grupo de discussão na Internet para lembrar cada detalhe das tramas. E as histórias dessa galerinha são discutidas até por pessoas que há muito tempo não são mais crianças.

  A turma dos Karas é formada por cinco jovens que moram em São Paulo e têm qualidades muito especiais: Miguel, o líder do grupo; Crânio, o gênio da galera; Calu, um excelente ator; Magrí, que é a única menina da turma e uma esportista bonita e corajosa; Chumbinho, que é um menino um pouco mais novo, engraçadinho e fã de fliperama. Em A droga da obediência, primeiro livro a contar as façanhas da turma, os meninos investigam o desaparecimento de estudantes de várias escolas de São Paulo. O mistério começa quando o pessoal descobre que, antes de sumir, as vítimas passam a agir de uma forma muito estranha. Até o valentão do colégio se transforma em uma pessoa calminha, calminha.

  A história dos Karas fez o maior sucesso e inspirou outras. Pântano de Sangue (1987) veio logo depois, seguida de O Anjo da Morte (1988) e A droga do amor (1995). E não foi pouca gente que curtiu os Karas. Juntos, os três primeiros livros da série dos Karas — que são os mais conhecidos — venderam mais de 1 milhão e meio de exemplares. Pedro Bandeira, que escreveu esses livros, adianta que já está mandando ver o próximo livro, que vai se chamar... ‘‘Ah, é muito cedo para entregar o ouro!’’, brincou ele, em entrevista ao Correio.


ENTREVISTA
Pedro Bandeira

 

Ele é um dos escritores mais conhecidos de histórias para crianças e jovens. Aos 60 anos recém-completos, Pedro comemora a marca de mais de 8,5 milhões de livros vendidos. O escritor — que também já trabalhou como ator e jornalista — conversou com a gente.

  Uma dor de cabeça impulsionou você a criar a história de A droga da obediência e, com ela, a turma dos Karas. O que te levou a continuar criando aventuras com esses personagens?

  O primeiro livro foi um grande sucesso e muitas cartas de adolescentes impulsionaram a continuação das aventuras. Mas, de alguma forma, desde o início eu sabia que a série aconteceria. Eu me lembro do que gostava de ler quando tinha 12 anos; assim, foi só escrever um livro que eu gostaria de ler se ainda tivesse 12 anos: aventura, valentia, suspense, generosidade, um pouco de humor, todo mundo apaixonado por todo mundo...

  Por várias vezes a sua obra abordou a questão das drogas. Em Pântano de sangue, um dos personagens chega a afirmar que ‘‘é mais fácil para os governantes manipular a juventude quando ela está usando drogas do que ter de enfrentar jovens questionadores, de cabeça limpa’’. Por expor idéias fortes como essa você já teve algum tipo de reação negativa, por parte do governo, ou do próprio público?

Nunca tive reações contrárias quanto a isso, talvez porque eu nunca tenha feito palestras para os traficantes... O uso de drogas é uma das minhas grandes preocupações. Ainda tenho perto de mim este problema: um filho fortemente dependente.

Que características suas estão presentes em cada um dos Karas? Ou, pelo contrário, os Karas refletem um pouco de características que você admira e busca desenvolver?

Os cinco Karas, juntos, são um sonho meu. Gostaria que os futuros adultos que me lêem tivessem, ao mesmo tempo, a seriedade e a liderança do Miguel, a beleza do Calu, a inteligência do Crânio, o humor do Chumbinho, a coragem e o charme da Magrí.

Que leituras você recomenda para os leitores adolescentes e jovens?

Leiam Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Walcyr Carrasco, Marcia Kupstas, Júlio Emílio Braz, e os meus, é claro! Mas leiam, leiam muito, escolham o que querem ler, encontrem seu próprio caminho. Não fiquem sem sonhar com as histórias dos livros. Quem não lê fica seco por dentro.

 
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