Ele é um dos escritores mais conhecidos de histórias para crianças e jovens. Aos 60 anos recém-completos, Pedro comemora a marca de mais de 8,5 milhões de livros vendidos. O escritor — que também já trabalhou como ator e jornalista — conversou com a gente.
Uma dor de cabeça impulsionou você a criar a história de A droga da obediência e, com ela, a turma dos Karas. O que te levou a continuar criando aventuras com esses personagens?
O primeiro livro foi um grande sucesso e muitas cartas de adolescentes impulsionaram a continuação das aventuras. Mas, de alguma forma, desde o início eu sabia que a série aconteceria. Eu me lembro do que gostava de ler quando tinha 12 anos; assim, foi só escrever um livro que eu gostaria de ler se ainda tivesse 12 anos: aventura, valentia, suspense, generosidade, um pouco de humor, todo mundo apaixonado por todo mundo...
Por várias vezes a sua obra abordou a questão das drogas. Em Pântano de sangue, um dos personagens chega a afirmar que ‘‘é mais fácil para os governantes manipular a juventude quando ela está usando drogas do que ter de enfrentar jovens questionadores, de cabeça limpa’’. Por expor idéias fortes como essa você já teve algum tipo de reação negativa, por parte do governo, ou do próprio público?
Nunca tive reações contrárias quanto a isso, talvez porque eu nunca tenha feito palestras para os traficantes... O uso de drogas é uma das minhas grandes preocupações. Ainda tenho perto de mim este problema: um filho fortemente dependente.
Que características suas estão presentes em cada um dos Karas? Ou, pelo contrário, os Karas refletem um pouco de características que você admira e busca desenvolver?
Os cinco Karas, juntos, são um sonho meu. Gostaria que os futuros adultos que me lêem tivessem, ao mesmo tempo, a seriedade e a liderança do Miguel, a beleza do Calu, a inteligência do Crânio, o humor do Chumbinho, a coragem e o charme da Magrí.
Que leituras você recomenda para os leitores adolescentes e jovens?
Leiam Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Walcyr Carrasco, Marcia Kupstas, Júlio Emílio Braz, e os meus, é claro! Mas leiam, leiam muito, escolham o que querem ler, encontrem seu próprio caminho. Não fiquem sem sonhar com as histórias dos livros. Quem não lê fica seco por dentro.