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Erva das cinco Inglaterra estuda manutenção da pena de simples advertência para quem for flagrado com maconha. A idéia é mobilizar policiais para ocorrências mais graves Jader de Oliveira Correspondente
A experiência começou em julho do ano passado no bairro central de Lambeth, em Londres, conhecido não apenas como uma área de consumo e tráfico da erva, mas também por abrigar a sede episcopal da religião anglicana — a fé oficial do país. Logo depois do seu início, o ministro do interior, David Blunkett, declarou que estava recolhendo provas técnicas e científicas, a fim de propor uma mudança da lei que pune viciados com o propósito de tirar a maconha de circulação. Até a adoção do plano piloto, a polícia queixava-se do longo tempo dedicado ao combate de um crime de importância questionável, prejudicando o seu trabalho em outras áreas que requeriam uma atuação mais firme. Prender alguém que fosse flagrado com maconha no bolso envolvia longas horas de burocracia, na preparação dos documentos que o levasse à Justiça. Com isto, eram negligenciadas operações mais importantes na luta para reduzir a escala crescente da criminalidade em Londres. Lambeth é um laboratório ideal para a experiência, porque ali vivem, em grandes proporções, brancos, negros e descendentes de indianos e paquistaneses. Esta variação pode vir a oferecer um consenso à polícia: recentes sondagens locais indicaram que uma proporção maior de moradores brancos apóia a a experiência, o que é um detalhe positivo. ‘‘Muita gente achou que se tratava da legalização de drogas’’, disse o assistente do chefe de polícia, Mike Duller. A maconha continua sendo apreendida, depois que a advertência é ignorada. Aumento do consumo Há um longo tempo que o terreno vem sendo preparado a fim de que a maconha deixe de figurar como crime no sistema de leis da Grã-Bretanha. O exemplo da Holanda, onde é possível comprá-la sem estorvos legais em cafés de Amsterdã, e opiniões que absolvem a erva de conseqüências graves para os consumidores foram a base de apoio do projeto que, visto do seu lado mais prático, economizou para a polícia nada menos de 1.350 horas de trabalho, que foram utilizadas na resolução de crimes mais sérios. O medo freqüentemente manifestado pelos que se opõem à descriminação da maconha está na possibilidade de o consumidor passar para drogas reconhecidamente perigosas — as chamadas drogas da classe A, como cocaína, heroína e LSD. No que se refere à saúde de quem faz uso da maconha, uma comissão de cientistas do governo britânico informou no último dia 14 que não há maiores riscos — seja para o viciado ou para a sociedade. Os cientistas responsáveis pelo estudo ressaltaram, porém, não ter sido possível constatar se pessoas que fumam maconha são mais vulneráveis ao consumo de outras drogas. Mas eles não têm dúvidas de que a maconha é a menos prejudicial das drogas colocadas na categoria B, como as anfetaminas, usadas em regimes para emagrecer. Ao mesmo tempo, o valor terapêutico da maconha está sendo explorado pela GW Pharmaceuticals, que experimenta no momento um remédio que criou para reduzir a dor dos cancerosos. Mais de 100 enfermos estão sendo utilizados nestas provas. As pesquisas da GWP envolvem também outras ‘‘utilidades’’ da maconha, como um remédio para o tratamento de esclerose múltipla. Com a droga colocada no patamar das benesses da natureza, o passo inicial seria legalizar o seu uso para fins medicinais. Todos os experimentos são louvados por organizações que ajudam enfermos. E os seus resultados serão decisivos na atitude do governo.
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