Critico proprietários de veículos de lotação. Como se não bastasse a inconveniência e a irresponsabilidade de alguns condutores no trânsito, eu, como usuário do sistema, observo o quanto a maioria é mal educada, fazendo das vans um território de desrespeito com seus passageiros, que, devido a incompetência dos transportes públicos oficiais em atender a todos com dignidade, são obrigados a pegar tais conduções.
Uso quase diariamente o transporte, pois Águas Claras é de difícil acesso para quem não tem carro. Os cobradores já chegam nas paradas aos berros, pulando das vans em disparada em direção aos passageiros, esbarram nas pessoas, gritam o itinerário em competição incessante.
Na linha que sai de Taguatinga/Guará, todos, sem exceção, são de uma inconveniência absurda. Quando são mulheres a adentrar em suas viaturas, ficam de piadinha e chegam a usar palavras de baixo calão, sem nenhum respeito aos idosos e às mulheres que se encontram no interior do veículo.
Ainda tem o detalhe: dentro do veículo se portam como se estivessem em suas residências, falam de todos os assuntos que qualquer outra pessoa de senso saberia que não é a hora nem local, em tom de voz que até nos veículos que passam ao lado seria possível ouvir. A música seria uma boa para relaxar, alguns usam como se o carro fosse uma boate móvel.
Esses ‘‘profissionais’’ deviam ter ciência de que estão na praça só porque o transporte público de passageiros em Brasília é muito precário e os táxis são muitos caros, pois mesmo com toda a deficiência que os ônibus apresentam ainda oferecem melhor qualidade quando se refere à educação dos motoristas e cobradores.
Condutores e cobradores de vans têm a infeliz impressão de que estão fazendo favor para a população, na verdade consumidora de seus serviços, e como tal devia ser respeitada. Se um dia o transporte público oficial vier a colocar seus serviços com qualidade e quantidade suficiente, a população com certeza optará pelo melhor serviço, isso sem contar com o metrô que num futuro, não sei se tão próximo, estará atendendo a grande parte das cidades-satélites.
Não é por que são proprietários dos veículos que isso lhes dá o direito de ser arrogantes e prepotentes, achando que ‘‘a van é minha e eu faço o que quiser’’. Tudo bem o veículo é dele, mas a pessoa quando entra dentro do mesmo está comprando um serviço, que como em qualquer outro lugar, deve ser bem tratada.
Poderia relatar uma centena de casos de desrespeito, de insultos, de maus-tratos. Ainda tem o caso de fins de semana, quando a gente tem até medo de viajar naqueles veículos, devido à aparência tanto do condutor como do cobrador, que não são os mesmos do meio da semana. Sem preconceito quanto à maneira simples de andar da população, mas, venhamos e convenhamos, o sujeito com uma touca na cabeça, bermudão, camiseta regata, todo tatuado e fumando, enquanto grita seu itinerário é de assustar, e o condutor ao volante com cigarro entre os dedos (sou fumante e uso bermuda, não no meu trabalho).
Reafirmo: não é preconceito com quem usa qualquer dos adereços que citei. Acho que o país é livre e liberdade de expressão é para todos; porém existem hora e local apropriados, mesmo porque estarei colocando minha vida nas mãos dessas pessoas, e para tanto acho que educação comportamental é indispensável.