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Música Sopro de renovação Revelação da música instrumental brasiliense, o jovem gaitista Gabriel Grossi toca com o mestre Hermeto Paschoal e prepara a mudança para o Rio de Janeiro, onde dará aulas no Conservatório Brasileiro de Música a partir do ano que vem Carlos Marcelo Da equipe do Correio
Discípulo e mestre se encontram amanhã no encerramento de festival ao ar livre realizado em Búzios, litoral do Rio. A idéia do festival é juntar, no mesmo palco, nomes consagrados com músicos (ainda) desconhecidos. ‘‘O Gabriel é um garoto muito bom, com grande potencial’’, acredita o percussionista Fábio Paschoal, filho de Hermeto, produtor do grupo que acompanha o pai e responsável pelo convite ao gaitista brasiliense. A admiração de Gabriel pelo trabalho do instrumentista alagoano começou a ser retribuída depois de encontro informal, durante feijoada no Lago Norte. O gaitista tocou algumas músicas para Hermeto, que gostou do que ouviu e o chamou para uma canja em apresentação no Clube do Choro, no ano passado. ‘‘Ele (Hermeto) me incentivou a perder os limites que o instrumento impõe. Me ajudou a entender a gaita como se fosse ao mesmo tempo uma sanfona e uma bateria’’, detalha. Gabriel Grossi descobriu a vocação em 1995, quando tocava em gaita de bolso repertório calcado no blues e no rock. Mas se sentia limitado pelo instrumento — e pelos rótulos decorrentes de sua opção. ‘‘Quando se fala em gaitista, as pessoas imaginam um blueseiro que só toca duas notas’’, critica. Improviso Ele acredita que, na improvisação, é possível seguir duas escolas: uma é o jazz; a outra, Hermeto Paschoal. ‘‘É uma escola única, brasileira.’’ E, quando Gabriel improvisa, como fez recentemente ao tocar com o grupo Curupira no restaurante La Cena (Lago Norte), ele fecha os olhos e é tomado pelo que chama de ‘‘sensação embriagante’’. ‘‘Dependendo do grau de concentração, quando abro os olhos, nem lembro onde estou’’, revela o gaitista. ‘‘Improviso é compor na hora. É como se estivesse dando um depoimento, só que em vez de palavras, utilizo as notas’’, conta o estudante de Jornalismo, que se forma no final do ano na Universidade Católica. Mas são poucas as probabilidades de você ler aqui no Correio — ou em outro jornal — reportagem assinada pelo jornalista Gabriel Grossi. Ele quer viver de música e o sonho não está mais tão distante. Gabriel foi convidado a dar aulas no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, a partir do ano que vem. É o primeiro passo concreto para a mudança definitiva em direção à capital fluminense. ‘‘Adoro Brasília, mas a cidade é pequena para se pensar em termos de carreira, não vejo muita perspectiva’’, lamenta. Até para conservar os instrumentos em Brasília, Gabriel tem dificuldades. Suas 12 gaitas, avaliadas em R$ 500,00 cada, têm de ser afinadas em São Paulo. ‘‘Metade delas está desafinada’’, constata. Por isso, guarda para os shows uma da marca alemã Hohner, o xodó do músico. A mudança em definitivo para o Rio, se não deve agradar muito aos pais (Gabriel é filho único) nem à namorada, vai deixar pelo menos uma pessoa feliz: o vizinho de baixo do apartamento onde mora, no bloco C da 207 Sul. Afinal, os ensaios de Gabriel são realizados no próprio apartamento, às vezes palco improvisado de grandes encontros musicais. ‘‘Teve um dia que veio o Renato (Vasconcelos, pianista e tecladista) e o Hamilton (cavaquinista, do grupo Dois de Ouro). Aí, ele (o vizinho) ligou para reclamar. Nesse dia, eu falei: ‘Hoje você vai me perdoar, mas a gente não vai parar de tocar’’’, relembra. |
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