Brasília, sábado, 30 de março de 2002
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Festa do Prazer

Empresa californiana cria evento em que sexólogas visitam a casa das clientes, tirando dúvidas e demonstrando produtos vendidos em sex shops. As reuniões já viraram febre nos Estados Unidos

Paloma Oliveto
Da equipe do Correio


 
O grupo de mulheres se reúne na casa de uma amiga. Fazem salgadinho, falam mal da sogra e, com ansiedade, olham toda hora para o relógio, à espera da demonstradora. A visita chega. Na maleta, em vez de potinhos de plástico ou produtos de limpeza, há vibradores, bolinhas tailandesas, cremes para massagem erótica, livros sobre sexo e outra infinidade de mimos típicos de uma sex shop. Essa é a nova moda nascida na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos: as ‘‘festas do prazer’’.

  A idéia partiu da Good Vibrations (‘‘boas vibrações’’), uma empresa que desde 1977 vende produtos eróticos e leva educação sexual a homens e mulheres norte-americanos. E que também é conhecida por criar no calendário californiano datas como ‘‘dia do sexo anal’’ e ‘‘dia da masturbação’’.

  Acostumado a promover palestras em escolas, universidades e escritórios, o time de sexólogas que comanda a GV decidiu criar grupos mais intimistas para desenvolver um trabalho que mistura venda de produtos, sessão de tira-dúvidas e muita diversão. ‘‘As ‘festas do prazer’ foram um meio diferente que encontramos de passar a mensagem de sexualidade positiva. É ótimo pensar que a Good Vibrations educa e entretém as pessoas durante esses encontros’’, diz Carol Queen, sexóloga-chefe da GV.

  As festinhas duram duas horas e são iguais àqueles encontros promovidos por empresas do tipo Amyway e Tuppware. Uma mulher agenda com a Good Vibrations o dia da demonstração, forma o grupo de 15 a 20 pessoas e recebe, em casa, a visita de uma dupla de sexólogas.

  A primeira hora é dedicada à exploração dos brinquedinhos sexuais. Em clima de descontração, Amy, Daphne, Niki e Ziadee — as sexólogas do time — explicam o funcionamento de cada um dos produtos. As mulheres podem pegar, cheirar, colocar os ‘‘bichinhos’’ de cabeça para baixo; enfim, matar a curiosidade a respeito dos artigos. ‘‘Só não vale testar’’, avisa Carol Queen.

  Depois de descobrirem para que servem ben-was, extensores penianos, potes de cremes com mil e uma utilidades e coisas afins, as convidadas da ‘‘festa do prazer’’ podem aprender ‘‘tudo aquilo que sempre quiseram saber sobre sexo mas não tinham a quem perguntar’’. Sempre com muito bom humor, as sexólogas-vendedoras tiram dúvidas — mesmo que não estejam relacionadas aos produtos — e ainda ensinam segredinhos para apimentar a vida sexual da mulherada.

  ‘‘Você terá uma experiência sobre a qual comentará durante anos com suas amigas’’, garante uma propaganda da Good Vibrations. Exageros à parte, as ‘‘festas do prazer’’ realmente viraram febre nos Estados Unidos, país em que moralistas chegam ao ponto de fazer campanhas em prol da abstinência sexual. A maior parte da clientela da GV é de mulheres entre 25 e 45 anos — elas representam 65% do quadro de vendas. Mais tímidos, os homens não têm o hábito de freqüentar as lojas da rede ou participar das festinhas, embora sejam bem-vindos aos eventos, que podem ser mistos.

  Ao levar uma sex shop à casa das clientes, a Good Vibrations espera atingir um público que não se sente à vontade ao entrar nesse tipo de loja, embora morra de curiosidade de saber, por exemplo, para que diabos servem aqueles cordões cheios de contas expostos nas vitrines. ‘‘Eu nunca tinha participado de um evento como esse. Há alguns anos fiz compras na Good Vibrations, mas me senti muito mais à vontade na ‘festa do prazer’, onde contamos piadas e nos divertimos a tarde inteira’’, conta uma consumidora que se identifica como Kaisha, no site da GV.

  Embora garanta que o objetivo principal dos eventos não seja vender produtos — ‘‘Para nós é tão divertido quanto para vocês’’, dizem as sexólogas —, a empresa cobra US$ 50 para organizar a reunião (‘‘Emitimos elegantes convites para suas amigas’’, justifica) e recomenda que a dona da casa tenha ‘‘uma mesa suficientemente grande’’ para a exposição dos brinquedinhos.

  A moda ainda não chegou ao Brasil, embora o potencial daqui não seja pequeno. De acordo com dados da Erótika Fair, maior feira nacional de produtos relacionados a esse tipo de mercado, o setor de sex shops brasileiro, que já conta com 500 lojas, cresce 30% a cada 12 meses e tem faturamento anual de R$ 350 milhões.

PIPOCA, COCA-COLA E VIBRADORES
Enquanto se divertem comendo salgadinhos e tomando refrigerante, as mulheres conhecem brinquedinhos sexuais e outros artigos levados pelas sexólogas da Good Vibrations. Alguns deles:

Suede whip-black
É um penduricalho de plástico contendo 12 longos fios que, em contato com algumas partes do corpo, provoca de arrepios a uivos ou ‘‘algo mais’’, garante a GV. Preço: US$ 38.

Forked crop
Chicotinho de plástico, indicado para vegetarianos que são contra o uso de couro animal em produtos... Preço do fetiche ecológico: US$ 25.

Make your own dildo-peach
Kit contendo silicone e molde para você fabricar sozinho seu próprio pinto de brinquedo. Preço: US$ 115.

Blue hawaiian
Vibrador ornamentado com um golfinho, na cor azul. À prova d’água. Preço: US$ 32.

Cyborgasm 1-cassette
60 minutos de música, sussurros e gemidos em cassete, para ouvir na ‘‘hora H’’. Preço: US$ 11,95.

 
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