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Furacão Bossi Ministro italiano mantém-se em evidência às custas de declarações polêmicas. O político é a favor do separatismo no país Raul Moreira Especial para o Correio
Na recente reunião de chefes de Estado e da União Européia em Barcelona, na Espanha, o ‘‘perigo Bossi’’ não foi tratado abertamente, até porque a pauta era outra. No entanto, nos corredores, como destacaram alguns jornais italianos, o mau-humor pelas declarações do líder da Liga Norte se fez sentir. Mais uma vez, Silvio Berlsusconi foi obrigado a servir de bombeiro. Em conversas reservadas, o premier defendeu junto aos colegas que a posição de Bossi não refletia o pensamento do governo italiano, apesar de se tratar de um ministro de Estado. Aliado incômodo de Berlsusconi, que precisou dos votos da Liga Norte para se eleger, Bossi, para manter-se em evidência, normalmente utiliza de expedientes polêmicos. Antes da Europa unida, o inimigo era o Estado centralizador italiano, definido por ele como Roma ladrona. Agora, como faz parte do staff governamental, direcionou os seus ataques aos ‘‘desmandos da ‘super-Europa liberal’’’. ‘‘Nós somos a favor de uma Europa onde os Estados nacionais possam manter as suas respectivas soberanias’’, fez saber no recente congresso da Liga Norte. Segundo Bossi, que há muito se bate para implantar um regime federalista na Itália, a sociedade civil deveria se unir contra ‘‘a globalização e as invasões tecnocratas impostas pelos stanilistas da União Européia’’. As palavras de Bossi, apesar de consideradas populistas, acabaram aumentando a preocupação de alguns líderes de centro-esquerda europeus em relação à Itália. Isso porque, além do líder da Liga Norte, os métodos do governo Berlsusconi fazem discutir, principalmente no que se refere à aprovação de algumas leis que claramente favoreceram aos interesses pessoais do magnata premier. Xenofobia e separatismo Há menos de um mês, Bossi também roubou a cena ao afirmar que a marinha italiana deveria abrir fogo contra os navios que transportam clandestinos. ‘‘A Itália mudou e vai fechar a sua fronteira para criminosos e pessoas indesejáveis’’, disse o ministro, que depois foi mais além: ‘‘Fiquem nos seus países, porque aqui é casa nossa’’. Para completar, Bossi já deixou a entender que é contrário ao surgimento de uma sociedade multirracial. Bossi, no entanto, é de parecer que a Itália é multiétnica. Defende que os habitantes da região norte são celtas, e não latinos, como afirmam os livros de história. Os celtas são originários da Irlanda e, ao longo dos séculos, imigraram para uma série de regiões da Europa, entre elas França, Itália, Espanha e Portugal. Porte médio e pele clara, não deixaram registros escritos. No início da era cristã, os romanos invadiram e apropriaram-se de suas terras no norte da Itália. No congresso da Liga, em Milão, os políticos discursaram tendo ao fundo um gigantesco painel com a pintura de homem louro e musculoso segurando a bandeira da Padânia, como é conhecida a região norte da Itália. ‘‘Viva a polenta e abaixo o cuscuz’’, gritou o ‘‘Senatur’’, um dos muitos apelidos de Bossi no meio político. Os seus adversários, no entanto, o criticaram. ‘‘Certo que existem louros na Itália do norte, mas a população está mais para morena’’, disse um deputado do Partido da Refundação Comunista. Depois, o mesmo parlamentar apelou: ‘‘Parece que o homem dos sonhos de Bossi tem estereótipo homossexual’’.
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