Movido pela obrigação profissional de registrar o carnaval pernambucano para o jornal onde trabalhava, o fotógrafo Luiz Santos amargou enorme frustração em 1996. ‘‘Quanta coisa legal eu vi mas não tive tempo de fotografar’’, lamentou, ao final dos quatro dias de folia. Ficou remoendo a decepção até convertê-la em projeto pessoal. No ano seguinte, decidiu sair às ruas para documentar a maior festa popular brasileira ‘‘com meu jeito, com meu olho, com meu tempo’’. Foi o início do trabalho que resultou no livro A Corte Vai Passar — Um Olhar Sobre o Carnaval de Pernambuco.
Luiz Santos convidou o colega Celso Oliveira para participar do projeto e, três anos depois, estava pronto o livro. Os dois, com larga experiência na fotografia documental, elegeram como foco do projeto o folião que passa ao largo dos camarotes e dos holofotes das emissoras de tevê. ‘‘Nosso olhar se concentrou nos personagens anônimos do carnaval. Saímos dos planos abertos para enxergar a figura humana’’, explica Luiz, 42 anos.
As imagens foram registradas em Recife e outras cidades pernambucanas, como Nazaré da Mata, Aliança, Paudalho, Condado e Bezerros. Parte da renda do livro vai para o Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, ONG pernambucana que ajuda 150 crianças carentes. A tiragem, de três mil exemplares, foi parcialmente bancada por patrocinadores. Agora, a meta é conseguir distribuição nacional. ‘‘Vamos tentar divulgar o livro em algumas cidades brasileiras. Queremos muito chegar a Brasília, que tá cheia de pernambucanos’’, brinca Luiz, de olho em contatos no Distrito Federal não só para o lançamento do livro mas para a exposição A Corte Vai Passar, que inclui instalações e ampliações em lona vinílica.‘‘A montagem em Recife ficou bem maneira, agora vamos dar um jeito de levá-la para outras cidades’’, adianta Luiz, fotógrafo e folião.