Brasília, domingo, 31 de março de 2002
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Feliz Páscoa!

Pedro Cardoso
Lago Sul

Já que não posso lhe dar uma estrela; já que não posso lhe dar um mundo melhor; já que não posso realizar seus sonhos; já que não posso gritar que estou com fome; já que não posso comer chocolate; já que estou indo embora, e, antes que eu me esqueça...
feliz Páscoa!


Ponte da Inimizade

Félix Maier
Brasília

  Em Brasília está sendo construída uma ponte que promove a discórdia. Trata-se da terceira ponte, a Ponte JK, que irá ligar o Lago Sul ao Plano Piloto, beneficiando 450 mil moradores, que terão seu percurso diminuído em 15 quilômetros. A obra é monumental, no momento a maior do mundo no gênero. Terá 1,2km de comprimento, largura de 24m, duas pistas com três faixas de rolamento em cada sentido, uma pista de pedestres e uma ciclovia. A ponte terá a emoldurá-la três arcos de 240m cada, com 60m de altura, com um efeito de extraordinária beleza, e será um dos mais belos cartões postais da capital.

  Agora, faltando apenas 20% para a conclusão da obra, políticos da esquerda querem suspender a obra junto à Justiça e ao Ministério Público. Acusam o governador Roriz de estar desviando recursos da área social para a conclusão da ponte. A oposição não é contra a obra em si, pois a maior parte da população que será atendida pela nova ponte é de classe média, típico eleitor da esquerda. Na verdade, estão todos apavorados de que, com a entrega da nova ponte à população, prevista para junho, isso possa trazer dividendos políticos para Joaquim Roriz, candidato à reeleição.

  Por isso, caso a ponte seja entregue no tempo previsto, devemos torcer para que não aconteça nenhum problema no dia da inauguração. A esquerda raivosa irá torcer para que a comitiva de Roriz se afunde com a ponte no Lago Paranoá, quando poderá exultar de legria, como exultou por ocasião da derrubada das torres gêmeas em Nova York.



MST x raiva

Memélia Moreira
Asa Sul

  O texto do meu candidato ao Senado, professor Cristovam Buarque,divulgado no dia 25,segunda-feira, por este jornal, carrega um pecado. O de querer a busca de imparcialidade. Meu candidato quis agradar (e desagradar) a todos que pensam na viabilidade do Brasil.

  Ao tentar agradar ao governo, exatamente esse governinho que ao longo de sete anos e três meses procurou destruir todos os movimentos sociais e sindicais e que não cumpriu nenhuma das metas propostas de assentamento de trabalhadores rurais e até inventou a reforma agrária pelo correio, como se fosse possível resolver uma dívida secular com cartinhas ao Raul Jungmann, o professor disse que a democracia foi seqüestrada com a ocupação das terras do presidente Fernando Henrique.

  Nossa democracia(?) vem sendo seqüestrada, só para citar exemplos mais recentes, com a privatização da Vale do Rio Doce, da Companhia Siderúrgica Nacional, com a venda das empresas de telecomunicação, com o ressurgimento das escutas telefônicas e espionagens tão ao gosto dos ditadores latino-americanos (vide Trujillo, Fujimori e os governos militares do Brasil), com a multiplicação de endemias, as violências contra cidadãos anônimos e famosos, os aumentos nas tarifas de serviços, na ameaça de apagão que terminou com mais taxas para os consumidores, com as chacinas e outros males que agridem diariamente nosso povo e nossa história.

  Quanto ao uso político da ocupação, isso é natural. Quem não usaria? Resta aos candidatos oposicionistas o caminho mais difícil, que é o de investigar a origem dessa terra, se foi ou não legal (alguém se lembra do candidato a vice de Lula, Bisol, que teve de renunciar sua candidatura por ser proprietário de uma área de origem não explicada?), justificar as ocupações que vão se suceder no país dos latifúndios e, principalmente, apresentar sua política de reforma agrária, que ainda não foi esclarecida por nenhum dos candidatos.

  Não houve seqüestro. Houve, sim, uma ocupação atabalhoada, fugindo aos padrões do MST. Não se ocupa terra invadindo a sede da propriedade, bebendo as bebidas do dono da casa. Ocupa-se uma terra, arma-se um acampamento e, se a terra for improdutiva, inicia-se o plantio. Ponto final.

  Mas nada justifica as reações raivosas contra o MST que, afinal de contas, bem ou mal, seus integrantes sempre votam, e ainda acreditam no partido do meu candidato ao Senado.


 
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