Brasília, domingo, 31 de março de 2002
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Trilhos urbanos

Um ano depois do início do funcionamento do metrô, confira como utilizar o mais recente sistema de transporte coletivo do distrito federal

Carolina Nogueira
Da equipe do Correio

Fotos: Kleber Lima

 
Maria Luiza reclama dos horários inconstantes
 
Breno, Thais e Diogo: estudantes pagam menos
 
Hoje o metrô do Distrito Federal faz aniversário. Há exatamente um ano, os trilhos e trens que ligam Samambaia, Taguatinga e Plano Piloto foram colocados a serviço da população, com a promessa de ser um transporte revolucionário: rápido, seguro, confortável, totalmente interligado com o sistema de ônibus. De lá para cá, o metrô de Brasília já transportou quase dez milhões de pessoas — mas o serviço ainda não corresponde às expectativas e recursos empregados na obra.

  Foram, até agora, exatos dez anos de construção e R$ 1,45 bilhão investidos. Desde o primeiro dia de abril do ano passado, o metrô funciona regularmente, apenas nos dias úteis, transportando uma média de 20 mil pessoas por dia. Até setembro, o serviço era experimental e gratuito. Com o início da operação comercial, os usuários passaram a pagar R$ 1 pela viagem — exceto idosos, deficientes físicos cadastrados, policiais militares e bombeiros militares em serviço e policiais civis, que não pagam passagem. Estudantes têm o mesmo desconto concedido no sistema rodoviário, e pagam um terço do valor.

  Tirando a obrigatoriedade do pagamento das viagens, pouca coisa mudou durante esses doze meses nos serviços oferecidos pelo sistema. O metrô foi liberado para um trecho maior de cobertura, chegando até a estação central, na Rodoviária do Plano Piloto. Quando o sistema foi inaugurado, os trens saíam das estações da Praça do Relógio (Taguatinga) e de Samambaia e chegavam apenas até a estação Asa Sul, perto do zoológico.

  Outra mudança está no número de carros rodando, que subiu de seis para onze, e de estações atendidas. Mais dois pontos foram inaugurados. ‘‘Com isso, o tempo de espera nas estações caiu muito, de meia hora para menos de dez minutos’’, afirma o presidente do Metrô/DF, Paulo Victor Rada. Ele admite, no entanto, que ainda não é possível garantir uma freqüência constante na saída de trens — crítica freqüente dos usuários.

  ‘‘Os horários não são fixos, os intervalos entre as saídas são variáveis. Tem dia que o trem demora cinco minutos, tem dia que demora quinze’’, reclama a estudante Maria Luiza Nascentes, de 14 anos. Também estão na lista das queixas a falta de bancos nas estações para aguardar os trens e a rigidez das leis do metrô, que proíbem que os usuários sentem no chão, encostem na parede, comam ou bebam na plataforma e nos carros do metrô.

  Há também quem reclame da demora do governo em concluir as obras. ‘‘Ceilândia é maior cidade do DF, a que mais precisa de uma solução para o problema do transporte. E até agora, tudo o que a gente ouviu foram promessas vazias’’, reclama a secretária Maria Conceição Freitas, de 25 anos. Ela faz questão de lembrar que, no governo itinerante realizado na Ceilândia, há um ano, o governo garantiu que o metrô chegaria até a cidade ainda em 2001. Na prática, no entanto, a construção dos nove quilômetros de trilhos que vão ligar Ceilândia a Taguatinga começou no final do ano passado e ainda não há expectativa de ficar pronta.

 A integração com o sistema rodoviário — que vai permitir que os usuários utilizem a mesma passagem para andar de trem e de ônibus — também não saiu do papel.

  • Colaborou Ana Lúcia Moura
    Tire suas dúvidas sobre o metrô

    HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
  • De segunda a sexta-feira, das 6h às 22h.

    TARIFA

  • R$ 1. Idosos, deficientes físicos cadastrados no DMTU, policiais militares, bombeiros militares em serviço e policiais civis não pagam passagem. Estudantes pagam R$ 0,30 (menos que um terço do valor, como é previsto em lei).

    ESTAÇÕES EM ATIVIDADE

  • Rodoviária do Plano Piloto - Galeria dos Estados - 914 Sul - Setor Policial Sul - Parkshopping - Guará (próximo à Feira) - Águas Claras/Arniqueira - Águas Claras/Centro - Taguatinga/Praça do Relógio - Taguatinga/Pistão Sul - Samambaia/Furnas - Samambaia Sul/QR 110/114 - Samambaia Terminal/QR 102/104

    NÚMERO DE TRENS EM CIRCULAÇÃO

  • 11

    FREQÜÊNCIA DE SAÍDA DOS TRENS

  • Intervalo médio de 9 minutos entre cada saída.

    SEGURANÇA

  • O metrô dispõe de um quadro próprio de segurança e conta com o apoio da Companhia de Polícia Militar Metroviário. Ao todo, cerca de 500 homens trabalham nas estações e nos trens.

    ACHADOS E PERDIDOS

  • A Central de Achados e Perdidos fica na estação da Rodoviária do Plano Piloto. Funciona em horário comercial.

    CADASTRAMENTO DOS ISENTOS DO PAGAMENTO DE PASSAGEM

  • Para pedir o cartão que confere passe livre no uso do metrô, basta se dirigir a uma estação, portando os documentos necessários a cada classe, mais uma foto 3x4. Quem já possui a carteira de passe livre emitido pelo DMTU, basta apresentá-la nos postos de atendimento. Para os demais, a lista de documentação é a seguinte:

    Idosos

  • Original e cópia da Carteira de Identidade e comprovante de residência.

    Portadores de necessidades especiais

  • Devem se cadastrar junto a Secretaria de Assistência Social, para fazer exames médicos que comprovem a deficiência ou necessidade. A secretaria emite um atestado, que serve para a emissão do cartão

    Estudantes

  • Original e cópia da Carteira de Identidade e comprovante de residência, declaração escolar, ficha cadastral preenchida pela escola. Os estudantes têm direito a até 120 créditos de passagens a cada mês.

    INTEGRAÇÃO

  • Não há previsão para que seja implementada a integração tarifária entre o metrô e o sistema rodoviário do DF. No sistema, um único bilhete pode ser usado pelos dois meios de transporte. De acordo com a assessoria de imprensa do metrô, a implementação depende da abertura de caixa das empresas que operam o transporte coletivo no DF.

    NORMAS DE CONDUTA

  • Algumas das normas de segurança e convivência do metrô do Distrito Federal causam polêmica entre os usuários (veja acima, ao lado).

    O que não é permitido

  • Os usuários não podem sentar no chão, agachar nem encostar na parede das estações enquanto esperam o trem. Não há bancos nas estações.

  • É proibido comer, beber, fumar, corre, transportar pacotes grandes e ter atitudes que provoquem pânico nos outros passageiros.

  • Pessoas com doenças contagiosas (como gripe, sarampo, catapora) podem ser impedidas de entrar nas estações.

  • Usuários de drogas e pessoas alcoolizadas também podem ser barradas.

    PRÓXIMAS ESTAÇÕES
    Ainda em 2002

  • Concessionárias - Na EPTG, em frente a entrada de Águas Claras

    Para 2003*

  • Taguatinga Norte - Próxima ao cruzamento com a Samambaia e à Rodoviária Interestadual de Taguatinga

  • Ceilândia Sul - QNN 8/24

    * Devem entrar em funcionamento comercial a partir de junho. Dependem do orçamento do próximo ano para a conclusão das obras.

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