Hoje o metrô do Distrito Federal faz aniversário. Há exatamente um ano, os trilhos e trens que ligam Samambaia, Taguatinga e Plano Piloto foram colocados a serviço da população, com a promessa de ser um transporte revolucionário: rápido, seguro, confortável, totalmente interligado com o sistema de ônibus. De lá para cá, o metrô de Brasília já transportou quase dez milhões de pessoas — mas o serviço ainda não corresponde às expectativas e recursos empregados na obra.
Foram, até agora, exatos dez anos de construção e R$ 1,45 bilhão investidos. Desde o primeiro dia de abril do ano passado, o metrô funciona regularmente, apenas nos dias úteis, transportando uma média de 20 mil pessoas por dia. Até setembro, o serviço era experimental e gratuito. Com o início da operação comercial, os usuários passaram a pagar R$ 1 pela viagem — exceto idosos, deficientes físicos cadastrados, policiais militares e bombeiros militares em serviço e policiais civis, que não pagam passagem. Estudantes têm o mesmo desconto concedido no sistema rodoviário, e pagam um terço do valor.
Tirando a obrigatoriedade do pagamento das viagens, pouca coisa mudou durante esses doze meses nos serviços oferecidos pelo sistema. O metrô foi liberado para um trecho maior de cobertura, chegando até a estação central, na Rodoviária do Plano Piloto. Quando o sistema foi inaugurado, os trens saíam das estações da Praça do Relógio (Taguatinga) e de Samambaia e chegavam apenas até a estação Asa Sul, perto do zoológico.
Outra mudança está no número de carros rodando, que subiu de seis para onze, e de estações atendidas. Mais dois pontos foram inaugurados. ‘‘Com isso, o tempo de espera nas estações caiu muito, de meia hora para menos de dez minutos’’, afirma o presidente do Metrô/DF, Paulo Victor Rada. Ele admite, no entanto, que ainda não é possível garantir uma freqüência constante na saída de trens — crítica freqüente dos usuários.
‘‘Os horários não são fixos, os intervalos entre as saídas são variáveis. Tem dia que o trem demora cinco minutos, tem dia que demora quinze’’, reclama a estudante Maria Luiza Nascentes, de 14 anos. Também estão na lista das queixas a falta de bancos nas estações para aguardar os trens e a rigidez das leis do metrô, que proíbem que os usuários sentem no chão, encostem na parede, comam ou bebam na plataforma e nos carros do metrô.
Há também quem reclame da demora do governo em concluir as obras. ‘‘Ceilândia é maior cidade do DF, a que mais precisa de uma solução para o problema do transporte. E até agora, tudo o que a gente ouviu foram promessas vazias’’, reclama a secretária Maria Conceição Freitas, de 25 anos. Ela faz questão de lembrar que, no governo itinerante realizado na Ceilândia, há um ano, o governo garantiu que o metrô chegaria até a cidade ainda em 2001. Na prática, no entanto, a construção dos nove quilômetros de trilhos que vão ligar Ceilândia a Taguatinga começou no final do ano passado e ainda não há expectativa de ficar pronta.
A integração com o sistema rodoviário — que vai permitir que os usuários utilizem a mesma passagem para andar de trem e de ônibus — também não saiu do papel.
Colaborou Ana Lúcia Moura