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AUDIÊNCIA O mistério do Ibope Nos bastidores, especialistas até tentam criar fórmulas. Mas a verdade é que ninguém pode se basear em dados objetivos para prever o sucesso ou o fracasso de uma atração. A combinação de ingredientes que parecem ser garantia de sucesso fulminante muitas vezes pode resultar em desastre Rodrigo Teixeira TV Press
Segundo Flávio Ferrari, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, o Ibope, não existe fórmula mágica para se obter sucesso na tevê. Mas para ele, a audiência de qualquer programa é construída com pelo menos três elementos: quantidade de pessoas que a produção alcança, a fidelidade do público e a permanência com que cada espectador assiste ao programa. ‘‘Para um produto se dar bem na tevê, ele precisa dar certo nestes três quesitos. É quase uma regra’’, afirma Flávio. Para o diretor do Ibope, um fato que se repete sempre é que as continuações de programas, como No Limite, da Globo, e Casa dos Artistas, do SBT, tendem a perder audiência. Isso acontece não só no Brasil, mas no mundo inteiro, e faz parte do ciclo de vida de cada produção. ‘‘Na primeira vez que um produto é apresentado, ele é novo. Na segunda, já perde a característica de novidade e, portanto, não é o mesmo produto’’. Colocar a atração sempre dentro de determinado horário também é fundamental para se conseguir Ibope. Para o autor Carlos Lombardi, é este o motivo de O Quinto dos Infernos ter decolado e depois refreado a audiência. Para ele, a minissérie tinha muitos atrativos para o espectador, mas, como o horário de exibição mudou dia após dia, não criou-se o hábito no espectador. ‘‘Televisão é um encontro marcado. Se o espectador não encontra a produção no horário esperado, ele vai embora’’, argumenta o autor. O apresentador Raul Gil, que disputa com o global Luciano Huck a audiência das tardes de sábado na Record, é contundente. Para ele, nem toda parcela do público quer ver novidades. Maior audiência da Record, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, o apresentador continua apostando em calouros e brincadeiras, algo que vem fazendo desde os anos 60. ‘‘O público gosta de saber o que vai ver na tela. Por isso, tenho audiência’’.
qualidade e audiência A idéia de que uma programação de maior qualidade poderia mexer com os números da audiência no Brasil também é questionada por Gabriel Priolli. Diretor do Vitrine, da TV Cultura, e biógrafo de Walter Clark, Gabriel afirma que as classes A e B não procuram, necessariamente, produções de qualidade. ‘‘Na tevê por assinatura, o canal mais visto é a Globo. Ou seja, não é só porque um programa tem qualidade que vai ter audiência’’, pondera. Por isso, na opinião do diretor, inovar é arriscado quando se quer alcançar Ibope. Um exemplo de inovação que dá certo está em O Clone. Glória Perez escolheu uma personagem frágil, vivida por Débora Falabella, para desenvolver a questão das drogas. Silvio de Abreu tentou o mesmo tema em Torre de Babel com o personagem de Marcelo Anthony, mas foi rejeitado. Segundo Mauro Alencar, doutorando em teledramaturgia pela USP e consultor da Globo, o espectador não se ligou a um drogado de família rica em Torre, mas em O Clone a também endinheirada Mel é uma das mais queridas do público. ‘‘É a prova de que a maneira de contar uma história é determinante na audiência’’, pondera. Toque de mestre
Em relação à trama de Benedito Ruy Barbo-sa, também dirigida por Monjar-dim, já igualou a média de 44 pontos. Na verdade, a história de Jade e Lucas caiu nas mãos do diretor por acaso. Por isso, o triunfo tem gosto especial para Jayme. ‘‘O Luiz Fernando Carvalho não quis fazer, a Denise Saraceni foi para Estrela-Guia e acabei assumindo. Estava escrito’’, simplifica. Mas Jayme teve motivos concretos para aceitar dirigir O Clone. Sentiu-se atraído pelo clima mágico da novela. ‘‘Minha preferência é sempre fazer algo que tenha algum mistério e uma novidade. O cotidiano só pelo cotidiano não faz a minha cabeça, porque as pessoas já vivem uma vida tão cheia de dificuldades...’’ Aos 46 anos, Jayme é hoje o diretor de núcleo de maior prestígio na Globo. Terra Nostra está equiparando Escrava Isaura em vendagens no exterior. E O Clone pela primeira vez levou a Tele-mundo à liderança nos Estados Unidos, batendo a poderosa Univision. Para Monjardim, o trunfo de O Clone é o ineditismo dos temas. ‘‘Falar do mundo muçulmano é inédito, além de curioso e ao mesmo tempo mágico. Já lidar com a clonagem humana é abrir uma discussão fantástica em cima de um tema não discutido publicamente, mas apenas no meio científico. E tentar dar um caminho para a recuperação de drogados é de uma utilidade incrível.’’ |
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