Jayme Monjardim recebe do assessor um papel de fax. O sorridente rapaz ressalta para o diretor de O Clone: ‘‘É o que você esperava’’. Com o olhar ávido sobre o informe da audiência, sentado modestamente na praça da alimentação do Projac, Jayme demonstra entusiasmo. ‘‘Conseguimos! Bate-mos pela primeira vez os 60 pontos’’, comemora. O Clone é, desde Terra Nostra, a novela de maior audiência sobre os televisores ligados: 62%.
Em relação à trama de Benedito Ruy Barbo-sa, também dirigida por Monjar-dim, já igualou a média de 44 pontos. Na verdade, a história de Jade e Lucas caiu nas mãos do diretor por acaso. Por isso, o triunfo tem gosto especial para Jayme. ‘‘O Luiz Fernando Carvalho não quis fazer, a Denise Saraceni foi para Estrela-Guia e acabei assumindo. Estava escrito’’, simplifica.
Mas Jayme teve motivos concretos para aceitar dirigir O Clone. Sentiu-se atraído pelo clima mágico da novela. ‘‘Minha preferência é sempre fazer algo que tenha algum mistério e uma novidade. O cotidiano só pelo cotidiano não faz a minha cabeça, porque as pessoas já vivem uma vida tão cheia de dificuldades...’’
Aos 46 anos, Jayme é hoje o diretor de núcleo de maior prestígio na Globo. Terra Nostra está equiparando Escrava Isaura em vendagens no exterior. E O Clone pela primeira vez levou a Tele-mundo à liderança nos Estados Unidos, batendo a poderosa Univision. Para Monjardim, o trunfo de O Clone é o ineditismo dos temas. ‘‘Falar do mundo muçulmano é inédito, além de curioso e ao mesmo tempo mágico. Já lidar com a clonagem humana é abrir uma discussão fantástica em cima de um tema não discutido publicamente, mas apenas no meio científico. E tentar dar um caminho para a recuperação de drogados é de uma utilidade incrível.’’