Brasília, domingo, 31 de março de 2002
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Personagens do cotidiano

O que os brasilienses pensam dos finalistas do Big Brother Brasil, Depois de dois meses de competição

Da Redação

Diz o ditado que a voz do povo é a voz de Deus. No caso dos reality shows, a citação é mais do que verdadeira, já que é o telespectador quem define o destino dos participantes. Depois de dois meses de competição, o Big Brother Brasil chega à reta final com média de 48 pontos de audiência e provoca reações diversas nos brasilienses. Não é para menos. Afinal, a polêmica fez parte do programa. Ao longo de 60 dias, foram várias as brigas, as conspirações e as bebedeiras.

Com tantos ingredientes apimentados, assistir à rotina dos participantes é quase a mesma coisa que acompanhar uma novela. Assim como na ficção, os personagens da vida real viraram parte do cotidiano, tanto que o público fala dos competidores sem pudor. Julgam, aprovam e reprovam como se fossem familiares ou parentes próximos. 

A opinião é implacável. Engraçado, humilde, desbocado, falso. Ao mesmo tempo em que viraram famosos da noite para o dia, os competidores também ficaram sujeitos a rótulos e têm a conduta avaliada por todo o público. A prova disso está na hora da eliminação. Nas duas últimas semanas, tanto Estela quanto Leka entraram em crise antes de saírem do programa, com receio do que o público fora da casa acharia delas.

No fim, só restaram quatro candidatos aos R$ 500 mil. Um deles sairá hoje. Para a telefonista Sabrina Cardoso, 30, fiel telespectadora do programa, a escolha dos finalistas foi justa. ‘‘A saída do Adriano e de suas amiguinhas definiram a situação na casa’’, alega. Não é o que pensa a vendedora Lúcia Vieira, 24. ‘‘Não gostei de o Kléber ter ficado até agora’’, contesta. ‘‘Ele era para ter saído na primeira semana.’’

A divergência revela quem é a grande polêmica da vez: o dançarino Kléber. Apesar de ter saído vitorioso nos dois últimos paredões, ganhando de lavada de Estela e Leka, ele é quem mais divide as opiniões. Enquanto a permanência de Sérgio, Vanessa e André no programa é quase consenso, a provável ida de Kléber à final divide opiniões.

  ‘‘Ele é muito imaturo, só sabe encher o saco e nem deixa os outros falar’’, destaca o vendedor Alexandre Fonseca, 29. Já o auxiliar de enfermagem Sérgio Wanderlei Matos, 35, acha que a sinceridade criou um clima favorável para o dançarino. ‘‘Ele conquistou o público com o jeito despachado’’, constata. A pesquisa no site oficial do Big Brother confirma a popularidade de Kléber. Até a tarde de quinta-feira, ele era o favorito para levar os R$ 500 mil, com 57% dos votos, seguido por Vanessa (18%), Sérgio (14%) e André (8%).

  À medida que se aproxima a grande decisão, o clima fica mais difícil na casa. ‘‘Nos últimos dias a tensão aumentou muito, principalmente em relação à escolha do líder’’, afirma o psicanalista do Big Brother, Luis Alberto Py, ao site oficial do programa. A psiquiatra Cláudia Guimarães concorda. ‘‘Quanto menos pessoas, mais forte é a emoção e fica cada vez mais difícil eliminar alguém’’, ressalta.

PERFIL DE CADA UM
A psiquiatra reconhece que ainda é cedo para especular sobre quem será o vitorioso, mas assegura que o jogo de convivência permite reconhecer traços da personalidade dos participantes. ‘‘A Leka é a neurose em pessoa, o que se vê na bulimia dela, mas tinha um poder de sedução que usou com todo mundo’’, constata. Segundo ela, o principal problema de Kléber é a falta de estrutura emocional. ‘‘Ele é esvaziado de conteúdo e se repete o tempo todo.’’ Para Cláudia, André é uma pessoa muito sensível e encontra-se fragilizado.‘‘Ele é uma pessoa que desaba se não tiver apoio, o que aconteceu depois que as amigas dele saíram da casa’’, explica. Essa é a teoria dela para o fato de ele ter raspado as sobrancelhas, colocado uma peruca e ter pedido ao grupo que lhe chamassem de Marcelo. No entanto, o alto-astral de André, manifestado nas brincadeiras que ele faz no programa, passa para o público a impressão de que ele é uma pessoa forte. ‘‘Ele é uma pessoa batalhadora, que sofreu muito e não consegue se livrar das coisas’’, defende a balconista Sandra de Oliveira, 34.Na visão de Cláudia, os mais equilibrados são Vanessa e Sérgio. ‘‘Os dois mostram ser pessoas seguras e estruturadas’’, afirma. No entanto, isso não significa que os dois sejam iguais. ‘‘A Vanessa deve ter passado por decepções e, por isso, é retraída e desconfiada.’’ Já em relação a Sérgio, ela garante ser ele o participante mais amadurecido. ‘‘Assim como a Vanessa, ele é inteiro e não se preocupa com os outros, só que não se resguarda tanto quanto a namorada e interage mais com o grupo.’’


Vanessa
Humilde e simpática
Fotos: Divulgação/ Arte: Fábio Sales

 

‘‘Apesar de me incomodar um pouco a postura da Vanessa de não se envolver nos conflitos da casa, não considero isso um defeito, até porque ela transborda simpatia e simplicidade.’’
Silvaneida Silva, 31
Funcionária pública

‘‘A Vanessa é reservada, mas não propriamente tímida. Ela é humilde. Nem mostra para o grupo que é a mais bem educada e com melhor formação entre os que ficaram.’’
Rafael Ferreira, 17
Estudante



André
Guerreiro alto-astral

 

‘‘O André é guerreiro. Tem muita autoconfiança e não se rebaixa perante os outros. Ele me transmite uma imagem de dignidade, de quem passou por cima de muito sofrimento.’’
Karina Frota, 23
Secretária

‘‘Embora não seja a pessoa mais equilibrada da casa, o André é o mais alto-astral de todos. Mesmo sendo sensível, às vezes até se abala com as dificuldades da casa, mas dá a volta por cima com alegria.’’
Robson Guimarães, 30
Digitador


Sérgio
Autêntico e sincero

 

‘‘Torço para que o Sérgio ganhe.Ele é gente boa, desencanado. Se for para o paredão, não vai ser votado. Eu me identifico com ele por causa da franqueza.’’
Paulo Humberto, 28
Auxiliar administrativo

‘‘O Sérgio é sincero, carinhoso. Acho que ele joga algumas vezes, mas é autêntico. Apesar de ter as próprias opiniões, não procura se impor.’’
Joilma Andrade, 33
Estudante


kléber
Bobão xarope

 

‘‘O Kléber é engraçado. Rio muito dele. Ele tenta passar uma imagem de sincero e fala o que pensa. Só que, às vezes, ele é chato com tanta insistência.’’
Gerdiane Maria Sousa, 28
Funcionária pública

‘‘Não sei se o Kléber é tão bobo quanto parece. Para mim, ele é até xarope. Com a tática de se fazer de besta, ele conseguiu chegar até a final.’’
Ana Lúcia Martins, 33
Secretária

 
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