Diz o ditado que a voz do povo é a voz de Deus. No caso dos reality shows, a citação é mais do que verdadeira, já que é o telespectador quem define o destino dos participantes. Depois de dois meses de competição, o Big Brother Brasil chega à reta final com média de 48 pontos de audiência e provoca reações diversas nos brasilienses. Não é para menos. Afinal, a polêmica fez parte do programa. Ao longo de 60 dias, foram várias as brigas, as conspirações e as bebedeiras.
Com tantos ingredientes apimentados, assistir à rotina dos participantes é quase a mesma coisa que acompanhar uma novela. Assim como na ficção, os personagens da vida real viraram parte do cotidiano, tanto que o público fala dos competidores sem pudor. Julgam, aprovam e reprovam como se fossem familiares ou parentes próximos.
A opinião é implacável. Engraçado, humilde, desbocado, falso. Ao mesmo tempo em que viraram famosos da noite para o dia, os competidores também ficaram sujeitos a rótulos e têm a conduta avaliada por todo o público. A prova disso está na hora da eliminação. Nas duas últimas semanas, tanto Estela quanto Leka entraram em crise antes de saírem do programa, com receio do que o público fora da casa acharia delas.
No fim, só restaram quatro candidatos aos R$ 500 mil. Um deles sairá hoje. Para a telefonista Sabrina Cardoso, 30, fiel telespectadora do programa, a escolha dos finalistas foi justa. ‘‘A saída do Adriano e de suas amiguinhas definiram a situação na casa’’, alega. Não é o que pensa a vendedora Lúcia Vieira, 24. ‘‘Não gostei de o Kléber ter ficado até agora’’, contesta. ‘‘Ele era para ter saído na primeira semana.’’
A divergência revela quem é a grande polêmica da vez: o dançarino Kléber. Apesar de ter saído vitorioso nos dois últimos paredões, ganhando de lavada de Estela e Leka, ele é quem mais divide as opiniões. Enquanto a permanência de Sérgio, Vanessa e André no programa é quase consenso, a provável ida de Kléber à final divide opiniões.
‘‘Ele é muito imaturo, só sabe encher o saco e nem deixa os outros falar’’, destaca o vendedor Alexandre Fonseca, 29. Já o auxiliar de enfermagem Sérgio Wanderlei Matos, 35, acha que a sinceridade criou um clima favorável para o dançarino. ‘‘Ele conquistou o público com o jeito despachado’’, constata. A pesquisa no site oficial do Big Brother confirma a popularidade de Kléber. Até a tarde de quinta-feira, ele era o favorito para levar os R$ 500 mil, com 57% dos votos, seguido por Vanessa (18%), Sérgio (14%) e André (8%).
À medida que se aproxima a grande decisão, o clima fica mais difícil na casa. ‘‘Nos últimos dias a tensão aumentou muito, principalmente em relação à escolha do líder’’, afirma o psicanalista do Big Brother, Luis Alberto Py, ao site oficial do programa. A psiquiatra Cláudia Guimarães concorda. ‘‘Quanto menos pessoas, mais forte é a emoção e fica cada vez mais difícil eliminar alguém’’, ressalta.
PERFIL DE CADA UM
A psiquiatra reconhece que ainda é cedo para especular sobre quem será o vitorioso, mas assegura que o jogo de convivência permite reconhecer traços da personalidade dos participantes. ‘‘A Leka é a neurose em pessoa, o que se vê na bulimia dela, mas tinha um poder de sedução que usou com todo mundo’’, constata. Segundo ela, o principal problema de Kléber é a falta de estrutura emocional. ‘‘Ele é esvaziado de conteúdo e se repete o tempo todo.’’ Para Cláudia, André é uma pessoa muito sensível e encontra-se fragilizado.‘‘Ele é uma pessoa que desaba se não tiver apoio, o que aconteceu depois que as amigas dele saíram da casa’’, explica. Essa é a teoria dela para o fato de ele ter raspado as sobrancelhas, colocado uma peruca e ter pedido ao grupo que lhe chamassem de Marcelo. No entanto, o alto-astral de André, manifestado nas brincadeiras que ele faz no programa, passa para o público a impressão de que ele é uma pessoa forte. ‘‘Ele é uma pessoa batalhadora, que sofreu muito e não consegue se livrar das coisas’’, defende a balconista Sandra de Oliveira, 34.Na visão de Cláudia, os mais equilibrados são Vanessa e Sérgio. ‘‘Os dois mostram ser pessoas seguras e estruturadas’’, afirma. No entanto, isso não significa que os dois sejam iguais. ‘‘A Vanessa deve ter passado por decepções e, por isso, é retraída e desconfiada.’’ Já em relação a Sérgio, ela garante ser ele o participante mais amadurecido. ‘‘Assim como a Vanessa, ele é inteiro e não se preocupa com os outros, só que não se resguarda tanto quanto a namorada e interage mais com o grupo.’’