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Tiras de imaginação Histórias em quadrinhos estimulam a criatividade das crianças e ajudam no processo de alfabetização na educação infantil Da Redação
Os pais podem ficar tranqüilos se, na hora de ler, os pequenos preferirem as aventuras do Mickey do que um livro de histórias cheio de folhas e letras grandes. ‘‘Quando a criança lê as revistinhas, também acessa a criatividade. Ela tem que imaginar os diálogos e preencher a história entre um quadro e outro’’, ensina Waldomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas de História em Quadrinhos da Universidade de São Paulo (USP). Os que ainda não aprenderam a ler imaginam — pelos gestos e expressões — tudo o que os personagens aprontam. Desde cedo, Vitória de Araújo gosta de folhear as revistinhas que os pais lhe davam de presente. Mesmo sem entender uma palavra, a pequena leitora se enturmou muito bem com a Mônica, eleita personagem preferida da menina de 6 anos. ‘‘A gente imagina tudo o que vê e pensa no que eles devem estar fazendo’’, conclui a também fã de Robbin Hood e a Bela e a Fera. Hoje, a quase amiga do Cebolinha lê com presteza. As trapalhadas da turma de Maurício de Sousa se tornaram inspiração para as apresentações de teatro da leitora. ‘‘Tento fazer igual a Mônica faz nas revistinhas’’, conta Vitória, que só não gosta das surras distribuídas pela personagem. Aliás, criar situações como as encontradas nos gibis é um procedimento muito saudável para as crianças. ‘‘Eles adoram sentir-se como autores da história. Isso que faz com que as crianças tome gosto por outros tipos de leitura’’, avalia Zenaide Nogueira, coordenadora de gibiteca do Espaço Cultural Renato Russo. Frases curtas, balões temáticos e muitas cores atraem a atenção dos meninos. Com simplicidade, eles se envolvem com a trama e, mesmo sem um adulto ao lado, conseguem interpretar cada ação dos desenhos. Um processo que facilita a capacidade de os leitores mirins se familiarizarem com os símbolos da escrita. Daí, é um passo para acelerar o processo de alfabetização. ‘‘Quando a criança interpreta a imagem, ela antecipa a conversa dos personagens. Dessa forma, associa a informação às letras’’, explica Maria Fernanda Cavaton, pedagoga da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em alfabetização infantil. A participação dos pais nesse processo é fundamental. Um contador de histórias é sempre importante para que os pequenos confirmem a história que fantasiaram. A pedagoga Maria Fernanda explica que, a partir do momento em que as crianças conhecem as letras que formam determinada palavra, logo elas descobrem as sílabas. Com um baú abarrotado de travessuras dos gibis, Amanda Callafange, 6 anos, desde os 2 convive com os personagens de Maurício de Sousa — unanimidade entre as crianças. Ainda sem saber ler, era a mãe a escolhida para traduzir os garranchos escritos nos balões. ‘‘Ela era muito curiosa e sempre me contava a história antes. Depois queria saber se tal letra era igual à do nome dela’’, lembra-se a artista plástica Glória Callanfange. Junta uma letra aqui, faz uma pergunta aqui. Em pouco tempo, a adoradora de livros, revistas e jornais já traduzia as letras como também começou a desenhar os próprios quadrinhos. Na avaliação da mãe, Amanda aprendeu a ler muito mais rápido e com mais perfeição do que os coleguinhas da mesma idade. ‘‘Ela até foi escolhida para ser oradora de turma na formatura do Jardim 3. Lia melhor do que a turma’’, baba. Super-homens, crianças, fantasmas e vilões também são ótimos instrumentos em sala de aula. A professora do ensino fundamental Juliana Freitas conta que já conquistou alunos de mal com os livros, só por causa dos enredos empolgantes dos quadrinhos. ‘‘Com as revistinhas, você leva o lúdico para a sala de aula. Os alunos se interessam, se emocionam, além da interação entre eles’’, conclui Juliana. Ela testou os conceitos na prática e ensinou as crianças a recontarem histórias e desenharem os próprios quadrinhos em classe. Quem já cresceu também não escapa dos encantos dos mocinhos e bandidos dos papéis. Os mais velhos curtem as aventuras dos Batmam, Homem-Aranha, Dragon Ball e os famosos japoneses terminados em ‘‘mons’’. Até mesmo pela complexidade dos desenhos e dos temas abordados, esses quadrinhos fazem mais a cabeça dos adolescentes. Imaginam cenas espetaculares de conquista e dominação do mundo, além de lutas fabulosas entre os inimigos. ‘‘É essencial que pais e professores se despertem para o fato de que os quadrinhos sempre trazem um mensagem a ser discutida’’, alerta o pesquisador de quadrinhos Waldomiro Vergueiro. Isso mesmo. As aparentemente inocentes narrativas muitas vezes falam de coisa séria. Meio ambiente, importância dos animais, drogas, artes, escola, respeito aos colegas e até racionamento viram tema de gibi. ‘‘No inconsciente, o leitor capta as idéias. Assuntos como poluição podem parecer brincadeira para eles, mas depois podem levar a uma análise profunda sobre preservação’’, acredita o funcionário público Gersion de Castro, pai de Larissa, de 5 anos. Uma menininha de cabelo encaracolados que desde os 2 anos curte o Chaves, a Luluzinha e, como não podia deixar de ser, a soberana entre as crianças, a Turma da Mônica. |
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