Pelo menos dois dos recentes lançamentos de livro infantil de autor brasileiro reforça a fatia — cada vez mais larga — de obras de muito boa qualidade. Citei um deles dias atrás, o Mania de Explicação, de Adriana Falcão (‘‘sucesso é quando alguém faz o que sabe fazer só que todo mundo percebe’’). Outro que a gente lê o primeiro parágrafo e só consegue parar na última página é o Declaração Universal do Moleque Invocado, de Fernando Bonassi, editora Cosac & Naify. Vejam só como ele começa:
‘‘turma! Já que gente grande ri (de verdade) muito pouco. Já que gente grande chora (de verdade) muito pouco. Já que gente grande se preocupa demais com carros, livros, cemitérios, esmalte de unha, gordura, bijuteria, diploma, cigarro, religião, contas, pessoas peladas, bebida, limpeza, remédios, perfumes e computadores sem joguinhos, desenhos animados ou mapas divertidos...’’
(...)
‘‘Já que gente grande é nervosa, preocupada, apressada, boba, bestona, pão-dura, mal-educada, egoísta, cheia de frescuras e fricotes, chulezenta, esquisita, sem imaginação, mandona’’.
(...)
‘‘Já que eles tiveram bastante tempo pra mostrar se eram mesmo gente grande mas só mostraram que não são grande coisa...’’
‘‘eu,
o moleque invocado,
proclamo:
Toda
criança
tem
direito
a uma
surpresa
por dia.’’
À venda nas boas, boas mesmo, livrarias da cidade.