Brasília, terça-feira, 02 de abril de 2002
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Repulsa ao sexo

 Já transei com alguns garotos e cheguei à conclusão de que não gosto de sexo. Sinto-me numa posição submissa. Só que meu namorado não aceita esse argumento e eu não queria perdê-lo. O que faço?

Carla, 19 anos, por e-mail

  Carla, o modo como as pessoas respondem sexualmente aos estímulos recebidos envolve um conjunto de fatores que depende da história de vida de cada um, ou seja, da educação e dos valores que o indivíduo incorporou ao longo de sua vida e que podem influenciar na sua expressão sexual. Outro aspecto que também interfere na resposta sexual é o tipo de comunicação/relação estabelecido entre o casal.

  Pode-se resumir o desenvolvimento histórico das abordagens que buscam entender a sexualidade humana a partir da forte influência exercida por duas concepções: uma mais remota, que de um jeito ou de outro reprimia as manifestações sexuais, principalmente das mulheres; outra, mais recente, em que se experimentou uma grande liberação sexual. Essas duas formas de encarar a sexualidade são observadas na sociedade até os dias atuais.

  Sendo assim, as últimas gerações vêm sofrendo um processo de educação sexual ambíguo, preconceituoso e distante do conhecimento verdadeiro de como funcionamos sexualmente. A falta de informação de qualidade prejudica o desenvolvimento sexual pleno, rico e desmistificado.

  Diante desse quadro, uma grande quantidade de indivíduos vivencia sua sexualidade de maneira conflitante, ansiosa, cheia de medos e angústias. Além disso, uma boa parte dos jovens inicia a vida sexual precocemente, sem ter conhecimentos importantes sobre seu corpo, métodos anticonceptivos, de prevenção às DSTs e à Aids e, também, sem ter o amadurecimento psicológico necessário para enfrentar todas as nuances que envolvem a sexualidade humana.

  Outro aspecto que interfere de maneira significativa no jeito de relacionar-se com o outro é o tipo de comunicação/relação que se estabelece. Em outras palavras, como eu expresso (e como o outro percebe) minhas emoções, desejos, sentimentos, medos, angústias, enfim, tudo o que permeia uma relação. Comunicação é a chave de um relacionamento amoroso. É ela que abre, ou fecha, todas as portas para o desenvolvimento de uma relação saudável.

  Portanto, para responder sua questão, especificamente, seria necessário obter mais informações. Inúmeras causas podem ter contribuído para o surgimento desses sentimentos. O tipo de educação, exemplos observados ao longo da vida, frustrações ou conflitos internos ocorridos na iniciação sexual são alguns dos fatores que podem deixar marcas que possibilitariam, agora, o aparecimento de tais sentimentos, em forma de medo e submissão.

Todavia, como sugestão, tente inicialmente se perceber como mulher, olhe seu corpo no espelho, conheça-se, valorize-se. Reflita sobre seus sentimentos e desejos, permita que eles se manifestem. Comece a gostar de você mesma, do jeitinho que você é.

  Depois, recorde suas relações amorosas, os pontos bons e ruins e tente identificar o que lhe incomoda e o que lhe faz bem. Analise os aspectos positivos e negativos e reflita sobre a parcela que pertence a você e ao seu companheiro. Valorize o que acontece de bom nessas ocasiões. Não se pode perder de vista que uma relação envolve duas pessoas e que ambas são responsáveis pelo bom andamento do encontro íntimo. Para que a intimidade sexual aconteça plenamente, é importante que haja amor e que se estabeleça um grau de comunicação e cumplicidade entre os parceiros.

  Um fator que atrapalha muito os casais é não se conhecerem. Alguns se entregam no primeiro encontro e isso, muitas vezes, causa medo e insegurança. Portanto, conversem e descubram o que dá prazer um ao outro e não deixem de explorar os jogos amorosos preliminares, que são tão gostosos como o ato sexual em si. Mas não se esqueça: inicie, como já disse anteriormente, conhecendo você mesma, valorizando-se como mulher e tendo a certeza de que você é parte importantíssima nessa relação.

  Por todo o exposto, é possível perceber que não são poucas as pessoas que enfrentam alguma dificuldade na expressão da sexualidade. Caso não consiga, com essas sugestões, enfrentar e resolver suas dificuldades, aconselho que procure um psicólogo ou sexólogo. É possível encontrar, também, um grande número de publicações que abordam a sexualidade numa concepção relacional, proporcionando a reflexão e o aflorar de sentimentos a respeito desse tema. Se você tiver interesse, seguem aqui algumas sugestões:

  • Amar pode dar certo — Roberto Shinyashiki
  • Falando de amor — Gikovate
  • Falando de sexo com amor — Carlos Boechat e Heloísa Castro
  • Amar é preciso — Maria Helena Matarazzo

    Aurici da Rosa Machado
    Educadora Sexual (auricirosa@zipmail.com.br)


    Como combater a falta de apetite sexial

  • Faça um check-up médico: é sempre bom dar uma revisada na ‘‘máquina’’, pois se estiver faltando alguma vitamina em seu organismo seu médico poderá receitá-la

  • Faça atividade física: a prática de exercícios físicos regulares aumenta a disposição geral do organismo, libera as tensões nervosas, além de liberar a endorfina, substância responsável pela sensação de bem-estar
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