Brasília, terça-feira, 02 de abril de 2002
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Catarata

É preciso abrir os olhos para o problema da vista embaçada, causa mais comum de cegueira no mundo. O tratamento é cirúrgico

Maria Vitória (texto)
Rubens Paiva (infografia)

A idade vai chegando e um problema comum de visão aparece: a catarata, causa mais comum de cegueira no mundo. Três por cento dos brasileiros acima dos 60 anos têm essa doença ocular. O problema surge quando o cristalino — estrutura transparente que transmite a luz para a retina — fica embaçado, tornando a visão nebulosa.

  Nem sempre o paciente percebe o começo da catarata, pois a visão fica embaçada progressivamente. ‘‘Por isso é importante que as pessoas idosas façam exames dos olhos periodicamente’’, explica Halmélio Sobral Neto, oftalmologista do Hospital das Forças Armadas (HFA). Segundo ele, o tratamento é cirúrgico. O cristalino danificado é retirado e substituído por uma lente intraocular flexível.

  A técnica mais segura e eficaz usada atualmente é a facoemulsificação — que quebra e aspira o cristalino doente. Até os hospitais públicos adotaram o método. No Distrito Federal ele é aplicado nos hospitais de Base, Regional de Taguatinga (HRT) e Regional da Asa Norte (HRAN). ‘‘Até o próximo ano toda a rede pública terá essa técnica disponível para os pacientes carentes’’, informa Benedito Antônio de Sousa, coordenador da Campanha Contra a Catarata no DF.

  O agricultor Raimundo Falcão Barreto, 78 anos, que mora na cidade maranhense de Grajaú, há mais de um ano enfrentava dificuldades para enxergar. Em janeiro ele veio se tratar em Brasília e no dia cinco de março fez a cirurgia de catarata pela técnica de facoemulsificação no HRAN. Saiu do hospital no mesmo dia. ‘‘Ele está enxergando muito bem do olho direito’’, conta sua mulher, Nelci, acrescentando que seu Raimundo agora espera vaga para fazer a operação no olho esquerdo.

  O futuro da cirurgia da catarata está no desenvolvimento de lentes intraoculares quase perfeitas como os nossos olhos. Uma das novidades é um tipo de lente móvel, que se acomoda mais facilmente ao olho. ‘‘O paciente terá uma visão melhor tanto para perto como para longe, o que não ocorre com as lentes atuais’’, explica o cirurgião oftalmológico Leonardo Akaishi, do Hospital de Olhos de Brasília. Em junho, juntamente com médicos de outros países, ele começará os primeiros testes com a nova lente e acredita que, dentro de cinco anos, ela já estará à venda.

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